A escassez de nutrientes pode travar a proliferação de células tumorais

photo
Sriram Subramaniam, National Cancer Institute (NCI), 2012/Wikimedia Commons)

O que se pode encontrar de semelhante entre o despontar da vida na Terra e a proliferação de células tumorais? A busca por comida.

Colin Goding, investigador no Instituto Ludwig de Investigação em Cancro, vinculado à Universidade de Oxford, no Reino Unido, está convencido de que o mesmo factor que motivou o primeiro ser vivo unicelular a movimentar-se pela Terra – há mais de 3 bilhões de anos – também é a razão pela qual algumas células tumorais se separam do tumor primário para colonizar outras partes do corpo: comida.

No seu laboratório, Goding demonstrou, em culturas de melanoma humano, que a falta de nutrientes desactiva a maquinaria de proliferação celular e faz com que as células tumorais adquiram um fenótipo invasivo.

“Estimammos que a mesma lógica funcione para a maioria dos tipos de cancro e, talvez, possamos encontrar meios de manipular esse mecanismo de sobrevivência celular para obter benefícios terapêuticos”, explica Goding.

Untitled
Colin Goding

No passado dia 10 de Agosto, Goding esteve em São Paulo, onde proferiu a palestra de abertura do 8º Workshop on Melanoma Models, e contou que o seu grupo tem usado o melanoma como um modelo para entender a progressão do cancro em geral.

“É um óptimo modelo porque conseguimos visualizar todos os estágios da doença. Podemos perceber quando as células produtoras de pigmento começam a invadir outros tecidos e formar metástases. Já em outros tipos de tumor, como pulmão ou pâncreas, quando o paciente apresenta sintomas e procura um médico a doença já se espalhou”, comentou.

Outro factor que tornou o melanoma um modelo interessante para o estudo do cancro, segundo Goding, foi a identificação, há mais de uma década, de um gene chamado BRAF, que se encontra alterado em metade dos casos da doença – emitindo estímulos para a proliferação descontrolada das células.

“Em poucos anos surgiram drogas capazes de inibir especificamente essa forma activa do gene BRAF com efeitos dramáticos. Doentes com múltiplas metástases respondiam muito bem. Porém, após alguns meses, as células tornavam-se resistentes. A pergunta, então, foi: por que essa resistência surge e o que podemos fazer?”

Transformação do fenótipo

De acordo com Goding, estudoS recentes têm mostrado que a resistência do melanoma ao tratamento está relacionada com a existência, dentro de um mesmo tumor, de subpopulações de células com fenótipos diferentes. Ou seja, embora possuam a mesma matriz genética, comportam-se de forma diferente.

“Algumas podem estar mais diferenciadas e agir como o tecido de origem [células produtoras de melanina], outras podem proliferar-se rapidamente fazendo o tumor crescer, outras podem estar com o ciclo mais lento e fenótipo invasivo e outras tornam-se dormentes e permitem que, mesmo após uma terapia bem-sucedida, a doença reapareça muitos anos depois”, explicou Goding.

Um dos objectivos do grupo britânico, portanto, tem sido compreender os factores que levam ao surgimento desses diferentes fenótipos. Segundo Goding, aspectos do microambiente tumoral, como a disponibilidade de nutrientes, oxigénio e a interacção com sinais emitidos pelo sistema imune, são fundamentais para a transformação.

A hipótese levantada pelo britânico é que, diante de uma situação de escassez de nutrientes, activa-se um mecanismo de sobrevivência em parte das células tumorais que as faz migrar para procurar comida noutro local.

“Além disso, acreditamos que determinados sinais emitidos por células do sistema imunitário – como as citocinas TNF-α [Fator de necrose tumoral alfa] e TGF-β [Fator de transformação do crescimento beta] – podem induzir um estado de pseudodesnutrição. Nesse caso, mesmo havendo abundância de nutrientes, esses sinais imunes associados à inflamação accionam o mesmo mecanismo induzido pela fome e fazem a célula migrar”, explicou o cientista.

Estudos já feitos por Goding com leveduras e também com células de melanoma confirmaram que existe um mecanismo de sobrevivência celular conservado ao longo da evolução. Quando passa fome, a célula reduz a sua procura por nutrientes para se adequar à oferta. Pra isso, ela desactiva os processos biológicos necessários para a síntese de proteínas e para a formação de novas células.

Porém, quando a célula tumoral consegue migrar para um novo ambiente, onde há abundância de nutrientes e ausência dos sinais imunes que induzem a pseudodesnutrição, ela volta a proliferar para formar uma nova colónia.

“Se conseguirmos enganar as células para fazer com que acreditem que os sinais de stresse já se foram embora, os procesos de fazer novas células volta a ficar activo e elas vão morrer porque a procura por nutrientes vai exceder a oferta”, avaliou.

A manipulação do estado fenotípico da célula tumoral, segundo Goding, poderia, em teoria, evitar tanto a formação de metástase como a ocorrência de futuras recaídas da doença.

Açores, um laboratório de Ciências da Terra

2810085195_3c53a17336

A Aldeia de São Lourenço, no Município de Vila do Porto, na Ilha de Santa Maria, Açores, é uma das candidatas a 7 Maravilhas na categoria “Aldeias Protegidas”. Se este concurso contemplasse o potencial para a investigação científica, os Açores naturalmente seriam vencedores. Todo este arquipélago é um laboratório para as Ciências da Terra.

Dado o seu enquadramento geotectónico, a região dos Açores apresenta importante actividade vulcânica e sísmica, bem documentada desde o povoamento destas ilhas, a partir de meados do século XV.

Assim, existem registos de 26 importantes erupções vulcânicas que ocorreram nas ilhas de S. Miguel, Terceira, S. Jorge, Pico, Faial e no mar entre elas. Destas 26 erupções, 12 foram subaéreas (S. Miguel, Terceira, S. Jorge, Pico e Faial), de natureza predominantemente efusiva. Contudo, há registo de erupções de natureza explosiva, nomeadamente as subaéreas ocorridas na ilha de São Miguel, em 1439, nas Sete Cidades, em 1563, e as erupções de 1444 e de 1630, localizadas na Caldeira das Furnas.

As últimas erupções importantes ocorridas nos Açores foram submarinas, nomeadamente, a erupção dos Capelinhos, em 1957/58, na extremidade ocidental da ilha do Faial e a erupção do “Vulcão Oceânico da Serreta”, entre 1998 e 2000.

A análise da idade geológica calculada para cada uma das ilhas parece mostrar que, em termos gerais, as ilhas mais afastadas da Dorsal Médio- Atlântica são as mais antigas. Neste contexto, a ilha de Santa Maria é a mais antiga do arquipélago (com cerca de 8,12 milhões de anos) e, pelo contrário, a ilha do Pico é a mais jovem (com cerca de 250 000 anos).

Por sua vez, a actividade sísmica associada às principais falhas activas existentes na região dos Açores manifesta-se geralmente sob a forma de um elevado número de microssismos (sismos de magnitude inferior a 3). Contudo, periodicamente, as ilhas açorianas são afectadas por sismos moderados a fortes, mas energéticos, que têm causado destruição e impactos económicos significativos. Após 1947, as principais crises sísmicas que afectam os Açores ocorreram nos anos de 1958, 1964, 1973/74, 1980, 1988/89 e 1998.

Tendo em conta a sismicidade que evidenciam, as ilhas do Açores podem ser agrupadas em 4 grupos principais:

– as ilhas de São Miguel, Terceira e Faial, de maior sismicidade;

– as ilhas Pico e São Jorge em que há, comparativamente, menor número de sismos sentidos e de menor intensidade;

– as ilhas Graciosa e Santa Maria, que evidenciam baixa sismicidade no contexto regional, com poucos sismos sentidos;

– as ilhas das Flores e Corvo, de reduzida sismicidade, fruto do seu enquadramento geotectónico, no seio da placa Norte-americana.

Em síntese, as ilhas dos Açores, de origem vulcânica, situam-se num quadro tectónico original, o que confere a este arquipélago uma geodinâmica muito activa, accionada pela energia interna da geosfera, nomeadamente ni que se refere a fenómenos vulcânicos e sísmicos.

 

Não se falou de Yoga no Ciência 2017

the-political-implications-of-ignoring-our-own-ignorance

 

Acreditando no relato que consta no artigo do Público intitulado “O Ciência 2017 voltou depois à Ciência” fica claro que o trabalho apresentado no evento Ciência 2017 intitulado “Ioga Ancestral de Bhárata/Índia, Desenvolvimento Pessoal, e Cidadania” não é sobre Yoga e não referiu qualquer fonte fiável na literatura védica (na qual assenta o Yoga). Baseou-se, antes, numa das muitas correntes personalistas sem qualquer base verídica e muito menos ancestral. O facto de ter havido um trabalho sobre uma balelice que usa a palavra ‘yoga’ só se explica, a meu ver, por esta moda recente das bolhas do ‘empreendendorismo’, do ‘mindfullness’, das ‘empresas cool’ que entram numa de evangelização com algo a que se chama yoga para vender. Schrödinger que teve a humildade intelectual suficiente para estudar os Vedas a sério e verificar a validade de muito do que lá vem, deve ter “dado voltas no túmulo” como se costuma dizer.

Por outro lado, também é verdade que qualquer técnica de yoga, que esteja referida na literatura original (vedas, hatha yoga pradipika, yoga sutras – com atenção às traduções – etc) já foi mais testada do que qualquer fármaco ou teoria científica. Segundo o último estudo, desde há aproximadamente 8000 anos. Ainda assim a Ciência, ou melhor, alguma ciência (já que esta é múltipla) continua a não atribuir validade aos vedas ou a essa mesma literatura. O que é normal porque existem diferentes tipos de validade, mas não vamos entrar em preciosismos epistemológicos neste texto.

Pessoalmente, não aceito tudo o que vem nos Vedas, mas sei que, no que respeita ao Yoga e suas técnicas, estas são válidas, com ou sem tubos de ensaio a prová-lo. Agora, quando a Ciência de massas ou a que tem o tubo de ensaio como deus único, decide pôr algo num dos seus fóruns, ao menos deveria ter o rigor que exige a outros sistemas de conhecimento quando decide falar desses mesmos sistemas. No caso, convém saber realmente o que é Yoga, para não dar banhos da cobra em Conferências nacionais com a dita “nata” da Ciência do burgo. Até porque se a intenção era inovar e mostrar um pouco de abertura epistemológica, podiam simplesmente ter explorado vários estudos científicos, por exemplo, dentro do tópico da relação da prática de yoga com a saúde física e mental. O Yoga não pretende ser Ciência, ainda que seja baseado num método e inclua técnicas. Mas mesmo o aspecto terapêutico do Yoga não promete curas. Propõe e pode proporcionar alívio de sintomas e uma maior capacidade de lidar com condições de saúde.

E só para que fique claro: em nenhuma literatura original, isto é, védica, do Yoga se diz que o Yoga cura cancros ou que não se devem tomar químicos. O Veda enquanto corpo de conhecimento tem um ensinamento central: eliminar o sofrimento humano. Não visa, portanto, eliminar ou promover mutações genéticas. Em nenhum sítio da literatura original do Yoga se diz o que foi dito nesta conferência do Ciência 2017.

Tristemente, isto aconteceu num dia com um dos simbolismos mais bonitos da tradição do Yoga: o dia de homenagem e de respeito e gratidão dos estudantes, aprendizes ou alunos, aos seus professores de yoga ou académicos.

Nota: A autora deste texto não assistiu à palestra apresentada no Ciência 2017, sendo este artigo baseado nos relatos presentes no artigo acima referido: https://www.publico.pt/2017/07/08/ciencia/noticia/o-ciencia-2017-voltou-depois-a-ciencia-1778184.

 

 

O Homem de Piltdown

Uma mandíbula, uma parte de um crânio e um dente foram os vestígios fósseis encontrados em 1913 numa quinta de Piltdown, no sul de Inglaterra. Estes vestígios foram inicialmente motivo de grande alvoroço no mundo científico da época, mas acabariam por ser a fonte de um grande escândalo.

fossil-698609
Charles Dawson (imagem retirada desta página)

Charles Dawson, advogado, antiquário, colecionador de objetos raros e arqueólogo amador, apresentou-se perante a prestigiada Sociedade Geológica de Londres no outono de 1913 e declarou ter descoberto o Eoanthropus dawsoni, o “Homem de Piltdown”, o antepassado da humanidade, o elo perdido, numa quinta de Piltdown, na região de Weald, no sul de Inglaterra. Durante anos manteve-se vivo o debate sobre a origem destes vestígios, e a imprensa afirmou que muito provavelmente corresponderiam ao elo perdido, que denominaram Eoanthropus dawsoni (em honra do seu descobridor).

Em 1953, quando Dawson já tinha falecido, os investigadores descobriram que os vestígios tinham sido tingidos, limados, lascados e enterrados no poço onde acabariam por ser “casualmente encontrados” pelo advogado e colecionador. Tinham começado a colocar-se cada vez mais interrogações sobre a antiguidade e a origem desses vestígios. Por fim, o dentista A.T. Marston determinou que os dentes desse esqueleto correspondiam a um orangotango, o dente solto, a um macaco, e o crânio, a um ser humano (Homo sapiens): a partir de então, as análises do conteúdo em flúor dos ossos demonstraram que o enterramento tinha sido intrusivo, e concluiu-se ainda que a cor escura dos ossos se devia a um tratamento químico.

Contudo, a “descoberta” de Dawson teve o apoio de figuras importantes do mundo científico da época, como Arthur Smith Woodward (diretor do Departamento de Geologia do Museu Britânico de História Natural e presidente da Sociedade de Geológica) e do paleontólogo e filósofo jesuíta Pierre Teilhard de Chardin. E até mesmo de escritores de grande popularidade, como Sir Arthur Conan Doyle, vizinho de Dawson e pai literário de Sherlock Holmes.

Quem cometeu a fraude? E por que razão? O certo é que desde que o engano foi divulgado surgiram especulações de todo o tipo. Uma delas recorda que o único país onde nunca se tinham encontrado vestígios de hominídeos pré-históricos era a Grã-Bretanha, e propõe que é possível que Charles Dawson se tenha proposto resgatar a “honra britânica” criando uma das maiores fraudes científicas da história. Mas, independentemente de qualquer hipótese, a verdade foi para a tumba com o seu autor.

25º Concurso Jovens Cientistas / 11º Mostra Nacional de Ciência

Nos dias 1, 2 e 3 de junho decorreu o 25º Concurso Jovens Cientistas / 11º Mostra Nacional de Ciência. Foi com enorme prazer que participei como júri que pude constatar presencialmente a excelência dos trabalhos, bem como o entusiasmo dos jovens.

Aliás, uma das coisas que mais apreciei foi verificar que os jovens estavam contentes em participar e mostrar o que faziam! Todos eles estavam extremamente motivados para falarem dos seus trabalhos. Confesso que não estava à espera de tanto entusiasmo, mas gostei de ver.

giphy

Também me surpreendeu a qualidade dos trabalhos, havia trabalhos que me pareceram de qualidade muito superior à que esperaria ver num concurso destinado a “estudantes a frequentar o ensino básico, secundário ou primeiro ano do ensino superior, em Portugal, com idades compreendidas entre os 15 e os 20 anos (sendo que devem ter menos de 21 anos a 30 de setembro e mais de 14 anos a 1 de setembro).”

Muitos parabéns a todos os participantes!

giphy1

Como era um concurso, queremos saber quem ganhou, como é óbvio!

Aqui fica a lista, retirada do REDATOR:

2017-06-03-16-29-10-redator-678x381
Imagem retirada do Redator

1º Prémio – €1.250 EASYPARK, área Engenharias, Esc.Sec.Oliveira do Bairro

Autores: Beatriz Sampaio Bastião, Luís Miguel Afonso Pinto, Olavo Filipe Saraiva

Professor: Joaquim Almeida

Selecionado para representar Portugal na final Europeia em Tallin (Estónia)


2º Prémio – €1.000 (mil euros)

Ex-aequo ShealS – Sea Heals Soil, Ciências Ambiente, Colégio Luso-Francês, Porto

Autores: Eduardo Nogueira, Francisca Martins, Gabriel Silva

Professor: Rita Rocha

Selecionado para representar Portugal na final Europeia em Tallin (Estónia)

Ex-aequo Compósito Antiséptico do Extrato da Planta Celidónia Magus, Ciências Médicas, EPT Oliva, Tábua

Autores: Bruno Paulino, Carlos Eduardo Quintino, Catarina Raquel Costa

Professor: Honorata Pereira


3º Prémio – €750 – Bioplástico a partir de amido de MandiocaEscola Portuguesa de Moçambique – CELP

Autores: Beatriz Amado, Francisco Marques Fernandes, Rushali Sacarlai

Professor: Margarida Duarte


4º Prémio – €600 – Cultura cabisbaixaEsc. Prof. Gustave Eiffel, Entrocamento

Autores: Ana Catarina Ambrosio, Filipe Marinho

Professor: M.Fátima Roldão


5º Prémio – €400 – Halobactérias: uma bomba anti-sal, Esc. Sec. Júlio Dinis, Ovar

Autores: Catarina Barata, M.João Lopes, Raquel Silva

Professor: Carlos Oliveira

Selecionado para representar Portugal no  Intel ISEF – Pittsburgh, Pensilvânia, EUA

Foram ainda distinguidos mais alguns prémios:

Prémio Especial Ambiente – €1.000, apoiado pela Agência Portuguesa do Ambiente, para distinguir o melhor trabalho realizado na área das Ciências do Ambiente.

Avaliação dos níveis de mercúrio de uma população de jovens portugueses entre os 12 e os 18 anos,Colégio Valsassina, Lisboa 

Autores: Afonso Morgado Mota, Bernardo Soares Alves, João Neto Dickson Leal 

Professor: João Carlos Gomes


Prémio Especial Lipor – €500, apoiado pela Lipor, para atribuir a um trabalho na área científica mais representada.

An Oiyl Solution,Colégio Valsassina, Lisboa 

Autores: Beatriz Gaspar, M.Inês Costa, Miguel Neto 

Professor: Andreia Luz


Prémio Porto Editora – €300 edições e publicações (exceto manuais escolares).

Inquérito sobre alimentação saudável, E.S. Augusto Gomes, Matosinhos 

Autores: Leonor Pereira Ferreira, Miguel Prisco Pala Filipe, Pedro Martin Andrade Pereira

Professor: Augusta Torres Pinto


Prémio Especial Professor Coordenador do 1º Prémio, no valor de €400: Prof. Joaquim Almeida, Esc.Sec.Oliveira do Bairro

________________________

O trabalho que mais gostei de ver foi o “An Oiyl Solution” apresentado por Beatriz Gaspar, M. Inês Costa, Miguel Neto  e coordenado pela Professora Andreia Luz. Abordava o tratamento da Malária – área onde tenho vindo a trabalhar (podem ver aqui) – e estava extremamente bem feito, como poderão constatar  pelo vídeo que eles generosamente me cederam:

Achei piada ao facto (um pouco mórbido, é verdade) de as batas deles terem asinhas de mosquito e eles andarem a distribuir cartõezinhos a dizerem que estávamos infetados com malária.

IMG_20170621_152326.jpg

 

 

 

Ciência e translação: clausuras ou descobertas

“Truth and utility are the very same things”
Francis Bacon, New Organon, I, Aphorism 124

Ainda esperei uns dias, mas nada. Nenhuma reflexão um pouco mais a sério foi feita nos media portugueses sobre um dos eventos mais interessantes em termos de discursos e políticas sobre Ciência em Portugal nos últimos tempos: o lançamento oficial do centro europeu de investigação de excelência em medicina regenerativa e de precisão, com o nome oficial de The Discoveries Centre for Regenearative and Precision Medicine.

Untitled

O Discoveries visa criar em Portugal um novo centro de investigação de excelência e pretende focar-se em investigação nas áreas das doenças músculo-esqueléticas, neuro-degenerativas e cardiovasculares. Resulta de uma parceria entre cinco universidades portuguesas (Minho, Porto, Aveiro, Lisboa e Nova de Lisboa) e uma universidade líder mundial em Ciências e Tecnologias da Saúde, a University College London (UCL), do Reino Unido. Todas reúnem uma forte e reconhecida atividade nesta área de investigação. O projeto conta com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), coordenadora da proposta, e das Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regionais (CCDRs) do Norte, Centro e Lisboa e Vale do Tejo.

Claro que ainda se trata apenas de um lançamento, de um projecto com objectivos arrojados, mas também se trata de um dos maiores investimentos de dinheiros públicos em Ciência nos últimos anos. Para mim, foi um evento particularmente interessante do ponto de vista da sociologia da ciência. Nesta perspectiva, este texto analisa, muito sumariamente, o pontapé de saída oficial deste empreendimento no panorama científico português.

– Do panoptismo com nome de inovação

Tenho defendido que a vasta literatura sobre o modo-1 e modo- 2 de produção de conhecimento gerou mais prosa do que a fidelidade ao trabalho do autor dessa dicotomia queria significar. “Assim como no modo 1, o conhecimento foi acumulado através da profissionalização da especialização institucionalizada em grande parte nas universidades, no modo 2 o conhecimento é acumulado através da configuração repetida de recursos humanos em formas de organização flexíveis e essencialmente transitórias” (Gibbons et. Al, 1994, p. 9). Por mais tentador que fosse associar o Mode-1 com ‘ciência real’ e ‘ciência fiável’ e  o modo-2  com ciência pós académica, isso não pode ser assumido do que foi defendido por Gibbons. O que pode ser defendido é uma associação crescente entre o modelo de controlo burocrático weberiano e o panóptico de controlo foucaultiano.

Ora, o Panóptico era um edifício em forma de anel e, no meio desse anel, estava um pátio com uma torre no centro. O anel era formado por pequenas celas que davam tanto para o interior quanto para o exterior. Em cada uma dessas pequenas celas, havia uma criança a aprender a escrever, um operário a trabalhar, um prisioneiro a ser corrigido, um louco a tentar fugir da sua loucura, etc. Na torre havia um vigilante. Cada cela dava ao mesmo tempo para o interior e para o exterior, pelo que o olhar do vigilante podia atravessar toda a cela. O panoptismo corresponde à observação total, é a tomada integral por parte do poder disciplinador da vida de um indivíduo.

No modus operandi actual da Ciência, nas últimas décadas, este panoptismo tem assumido um nome e uma função cada vez mais central:  a da investigação que aplica resultados de investigação básica à investigação clínica. No entanto, a definição de investigação translaccional também engloba o reverso da medalha: o reforço da investigação básica. O problema é que este reverso tem sido esquecido. Ficamos, então, com um lobby cada vez mais forte, o dos translational research offices ainda a tentarem saber o que são, ainda a debitar manuais de inovação e empreendedorismo, mas ainda com muito pouco interesse pela Ciência e pela investigação com as quais estabelecem uma relação do tipo sinfilia (relação ecológica em que se mantém em cativeiro indivíduos de outra espécie para obter vantagens.)

No exemplo que aqui hoje tratamos, o lançamento do Discoveries Centre, o grande vencedor na panóplia de discursos sobre este investimento de 25 milhões de euros (dos quais 15M provêm da Comissão Europeia e dez milhões das comissões coordenadoras do Norte, Centro e Lisboa e Sul do Tejo) é precisamente, não a investigação, mas a componente translacional do projecto. De tal forma, que antes de haver uma estratégia científica, uma discussão sobre a Ciência a fazer, sobre o perfil dos investigadores, das grandes questões tecnológicas e científicas, das dificuldades, já foram apresentadas as directrizes sobre a componente translaccional do projecto e já está criado um Discoveries Translational Office. Nada contra, mas não deixa de ser sintomático da tal sinfilia.

The Discoveries Centre

O caso do Discoveries ainda é mais interessante dado que inclui dois países com discursos sobre a Ciência que incluem diferenças significativas. Só para dar um exemplo: Portugal e Inglaterra são dois países muito diferentes no que respeita ao ‘lugar’ da investigação na vida académica e na vida em geral. Se na Inglaterra podemos encontrar, principalmente através de exercícios como o RAE e o REF, uma cristalização do discurso de centralização da investigação valiosa e útil, em Portugal tal discurso está muito longe de ser o dominante, embora possamos encontrar alguns sinais dessa valoração. No entanto, em ambos os países podemos encontrar a centralidade da avaliação na vida académica, sendo essa avaliação relacionada, principalmente, com a investigação.

É já indiscutível entre investigadores, industriais, gestores, etc, que as organizções devem tornar-se mais flexíveis. O elevado progresso tecnológico e científico é visto como o principal motivo para essa necessidade de uma maior adaptabilidade. Mas também sabemos que uma maior vontade para aceitar a mudança e conseguir essa maior flexibilidade organizacional são difíceis de alcançar devido os princípios ainda dominantes da maioria das organizações científicas e académicas: os princípios do controlo e da burocracia e não os da inovação e da mudança. E o que tem acontecido, tanto em empresas de grande dimensão como em grandes institutos de investigação é que se criam departamentos dedicados à inovação, transferência de tecnologia e translacção que se tornam essencialmente unidades burocráticas cujas competências são também exclusivamente burocráticas. Em instituições mais recentes e ainda em processo de afirmação de identidade, esta moralidade burocrática é agravada por uma maior dependência da direcção dessas instituições. Enquanto que numa instituição pública, como as universidades, as unidades de inovação ainda trabalham, até certa medida, em prol da instituição e de uma ideia de inovação muito mais directamente ligada à comunidade, nos outros casos, a actuação das unidades de inovação segue maioritariamente interesses individuais e personalistas.

IMG_20170530_122345[1]

Em grandes organizações verificam-se ainda obstáculos persistentes à inovação e criatividade:

  1. A inércia de uma grande instituição;
  2. O poder restritivo de rotinas usadas e abusadas;
  3. A moralidade administrativa;
  4. A small talk que sustenta a tal organização panóptica encurta a capacidade de fazer algo com as novas ideias que surjam na organização. A própria dimensão de uma organização requer padronização e um sistema de controlo com pouco espaço a pensamentos divergentes e não-convencionais. E isso é visível frequentemente nas essenciais unidades de inovação e translacção, mas não só.
  5. Se a padronização e essa moralidade administrativa são levadas longe demais são sempre a criatividade científica e a inovação que perdem.
  6. Um conjunto de valores desactualizdo que favorece o controlo, a estabilidade inerte contra a mudança e flexibilidade.

O contexto

Ao olharmos para os sistemas de fusão na economia global do conhecimento, é clara a existência de uma diversidade de formas que emergiu de infraestruturas já existentes, mas que passaram a confundir tendências auxiliares com pilares fundamentais. Ou seja, assiste-se hoje, no panorama português e não só, a um revivalismos de relações colonialistas em formatos que desenvolvem o ‘neo-imperealismo’ na ciência baseados em sistemas de trocas de natureza essencialmente burocrática.

As universidades encorajam formas de colaboração internacional competitivas e não-competitivas que convivem com um recuo histórico no financiamento das instituições de ensino superior  e com a construção de parques de ciência baseados em spin-offs e em patentes. Uma questão fundamental é saber se os fundos angariados nessas formas de colaboração ditas competitivas serão usados para apoiar e subsidiar formas menos competitivas de colaboração e, por conseguinte, se as universidades vão ser capazes de acomodar dois discursos legitimizadores paralelos: o da justiça social e bem comum e as iniciativas com fins lucrativos.

Talvez os ‘sharable goods’ dependentes da tecnologia vistos como uma forma de troca e produção social, juntamente com o Estado e o mercado, façam emergir um terceiro modo de organização da produção científica que inclua um novo despertar da investigação básica e das formas não materiais da produção académica. Talvez depois dos três grandes momentos da história da Ciência – ciência clássica, ciência colonial e ciência global (Peters,2013), possa (re)surgir a ciência de ideias, materializando o que já tinha sido argumentado no UN Creative Economy Report 2008:

“In the contemporary world, a new development paradigm is emerging that links the economy and culture, embracing economic, cultural, technological and social aspects of development at both the macro and micro levels. Central to the new paradigm is the fact that creativity, knowledge and access to information are increasingly recognized as powerful engines driving economic growth and promoting development in a globalizing world. “Creativity” in this context refers to the formulation of new ideas and to the application of these ideas to produce original works of art and cultural products, functional creations, scientific inventions and technological innovations” (p.3).

Por tudo o que aqui ficou condensado neste texto, e muitas outras coisas, julgo que o The Discoveries Centre for Regenerative and Precision Medicine será um excelente estudo de caso na história e sociologia da Ciência em Portugal. Mas desejo, acima de tudo, que a ‘excelência’ que consta na definição e propósito deste projecto aconteça sobretudo na investigação científica e que seja esta a liderar as translações necessárias e pertinentes, ao invés de se subordinar a lobbies de ‘let me introduce myself’ e da ‘small talk’ da meldicência e da burocracia. Porque as descobertas só podem ser grandes.

A memória da Água – Texto de Carlos Corrêa

A memória da água

(Texto gentilmente cedido por Carlos Corrêa, Professor Emérito da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto)

Os casos das vacinas e homeopatia que recentemente vieram à baila trouxeram-me à ideia verificar pelas próprias mãos a “memória da água”. Comprei 5 litros de água ultrapura (com condutividade inferior a 0,056 mS/cm, com menos de 50 mg de C total, com teor de sódio, cloro e silício inferiores, respectivamente, a 1 mg/L, 2 mg/L e 3 mg /L) e, como não tenho filhos pequenos, pedi a um amigo se usava esta água na banheira do seu neto. Usei a banheira por ser costume dizer-se que “água do cú lavado faz o bebé falar mais explicado”.
Após o banho do bebé passei a água para um balão volumétrico de 10 L (importado expressamente) e completei o volume, com água ultrapura, a 10,00 L. A solução apresentava-se um pouco acastanhada, mas isenta de cheiro estranho. Passei 500 ml da solução para um balão de destilação de 1 L e levei à secura. Ficou um resíduo castanho (0,08 g) com cheiro característico, o que equivale a um total de 1,6 g, o que não é exagerado para um bebé de 11 meses.

Da restante água (9,50 L) retirei 250 mL a que juntei 30 g de carvão activado e fervi num balão, com condensador em posição vertical, durante 10 minutos. Deixei arrefecer e filtrei por filtro de pregas; o filtrado apresentava-se incolor, com leve cheiro a bebé. A solução foi depois destilada sucessivamente três vezes. Passamos azoto através da solução durante cerca de 10 minutos para remover restos de gases.

O líquido obtido (praticamente água) foi passado numa coluna com resina permutadora de iões (Bairy Resin Article D001 ) para remover catiões e, seguidamente, noutra coluna com resina permutadora de aniões (Bairy Resin Article D301), tendo também sido sujeito a osmose inversa e irradiada com luz UV de comprimento de onda 185-254 nm para remover possíveis enzimas.

A partir de 1,00 mL desta solução efectuaram-se 100 diluições sucessivas de 1:10, obtendo-se uma solução que teria à volta de [0,04 /(250 mL × 10100)] g de substâncias estranhas por mililitro e excedia a pureza da agua ultrapura …

No final, olhando bem de frente 100 ml desta água, contida num goblé de 250 mL perguntei-lhe:

– Lembras-te do cú do neto do meu amigo?

A água respondeu:

– Lembro-me, mas espero poder servir para ações mais nobres, em especial na homeopatia.

Como queria demonstrar, a água tem memória. Mais ainda, tem vontade própria.

PS-Verifiquei, também, que o ditado não é verdadeiro. O neto do meu amigo continua gago.

A “arca de noé” das sementes está a meter água…

… e a culpa deve ser do aquecimento global.

Em Svalbard, na ilha de Spitsbergen, 1300km a norte do Circulo Polar Ártico, o governo Norueguês construiu um bunker no permafrost capaz de conservar sementes em ambiente seco e de baixa temperatura (menor que -18ºC), que possam ser usadas no caso de uma qualquer catástrofe à escala mundial.

As sementes guardadas neste enorme cofre continuam a ser propriedade das entidades nacionais ou regionais que lá as depositam e funcionam como um backup para os bancos de sementes que cada entidade depositante possui. É através dos bancos das instituições depositantes que as sementes ficam acessíveis a agricultores, investigadores de todo o mundo. Nos cofres de Svalbard estão atualmente sementes de dezenas de milhar de variedades vegetais de 4000 espécies de plantas comestíveis, como feijão, trigo ou arroz.

Porém, este ano, devido à temperatura anormalmente elevada sentida na região, o permafrost começou a descongelar e o banco de sementes de Svalbard “meteu água”.

Para já nenhuma semente foi afetada, mas não é uma noticia muito animadora em vésperas das comemorações do Dia Internacional da Biodiversidade (22 de Maio).

Este ano, para celebrar o dia,  a European Association of Zoos and Aquaria (EAZA), a European network of science centres and museums (Ecsite) e a Botanic Gardens Conservation International (BGCI) lançaram a campanha “Let It Grow”, com o intuito de “ajudar a tornar as comunidades em paraísos para espécies nativas de animais, plantas e todas as outras formas de vida, protegendo-as da perda de biodiversidade e das espécies exóticas invasoras.

logo

Em Portugal, diversas instituições associaram-se à iniciativa e irão realizar ações sobre a temática  durante este fim de semana por todo o pais. Participe!

#letitgrowcampaign #IDB2017  #NATURA2000DAY  Let It Grow   EAZA, European Association of Zoos and Aquaria, Ecsite, European network science centres & museums e a Botanic Gardens Conservation International

Sentido da visão

Todos os animais estariam perdidos se não pudessem captar com os sentidos grande parte do que acontece à volta. Sem a capacidade de receber estímulos provenientes do exterior, não poderiam caçar nem vigiar os seus inimigos, nem encontrar par para assegurar a sobrevivência da espécie. Os animais captam os estímulos exteriores por meio de células sensoriais e através de células nervosas enviam-nos ao sistema nervoso central, onde são elaboradas as respostas.

De todos os processos relacionados com a elaboração de sinais, o da visão é aquele que foi melhor estudado. Tanto no homem como nos restantes mamíferos, a luz atravessa a córnea, o cristalino, o corpo vítreo e duas camadas de células nervosas, antes de ser captada, na parte posterior do olho, pelas células fotossensoriais. Estas células contêm pigmentos que absorvem os quanta de luz.

O homem conta com dois grupos de pigmentos visuais, a rodopsina e três  variedades de iodopsina. Cada um destes pigmentos capta comprimentos de onda diferentes. A rodopsina absorve a luz de baixa densidade, como, por exemplo, a crepuscular. As células fotossensoriais que a contêm, transmitem apenas imagens a preto e branco. A iodopsina, pelo seu lado, é responsável pelas imagens a cor. Os quatro pigmentos possuem uma antena idêntica para captar os quanta de luz. Esta parte da molécula é um derivado da vitamina A e recebe o nome de cis-retinal. Os pigmentos diferenciam-se unicamente pelo elemento proteínico associado ao retinal, a opsina, responsável pela seleção do comprimento de onda = luz violeta, verde ou vermelha – que deve captar-se. Apenas os quanta dos comprimentos de onda que podem ser captados por estas moléculas são para nós luz “visível”. A gama alcançada vai de 400 a 720 nanómetros

As células que contêm rodopia chamam-se bastonetes, e cones as que contêm qualquer das três variedades de iodopsina. Cones e bastonetes estão irregularmente distribuídos pela retina. Na zona da retina com maior resolução – o prolongamento do cristalino em linha reta – abundam os cones, enquanto na periferia, isto é, até ao cristalino, aparecem, preferencialmente, bastonetes.

Tanto nuns como noutros, os pigmentos alojam-se em feixes formados por 1500 lâminas membranosas empilhadas que ocupam por completo, o interior das células fotossensoriais.

O processo visual propriamente dito, consiste em que as impressões ambientais captadas pelas células fotossensoriais são decompostas múltiplas vezes e, enquanto não se realiza toda uma série de comparações e abstrações, não se forma o que identificamos como “imagem”.

O primeiro passo está a cargo das células ganglionares da retina onde, de momento, se analisam os contrastes espaciais. A retina é formada por muitas centenas de campos receptivos de pequeno tamanho e forma arredondada onde estão contidas as células visuais. Cada um destes campos é composto por uma parte central que estimula o gânglio seguinte, e por uma camada exterior que provoca o efeito contrário, quer dizer, ao ser ativada, inibe o gânglio anterior. Outros campos receptivos reagem exatamente ao contrário.

O funcionamento combinado dos dois tipos de campos receptivos intensifica os contrastes entre os claros e escuros na imagem da retina.

Uma das ideias não menos interessantes é a reação dos animais às cores. Numa corrida de toiros a cor vermelha é uma imagem de marca. Contudo, esta cor só é vista pelos espectadores e não pelo toiro. Este é incitado pelos movimentos dos toureiros e não pela cor, pois os toiros, como quase todos os mamíferos, não distinguem as cores. Os seus olhos só contêm bastonetes, responsáveis pela visão a branco e preto, e não têm cone.

sessao7-som-luz-14-638

Fonte da imagem: https://pt.slideshare.net/jifonseca/sessao7-som-luz

O Scientificus é um projecto de promoção da cultura científica, procurando aproximar a Ciência dos Cidadãos. Este projecto pretende ser um espaço independente, inovador, empreendedor e dinâmico de divulgação da Ciência.