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“A Ciência passa, a poesia fica”

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Semicerrou os olhos quando as canções ecoaram pelo átrio amplo repleto de jovens cientistas para ouvir a estória por detrás do currículo de Maria de Sousa. Ouviu-se, então, Amália e José Afonso. “Só vim aqui porque tiveram a gentileza de me convidar, mas acredito piamente que a opinião e a vida de um velho não tem qualquer utilidade para os mais novos”, começou por dizer naquele tom que ela própria já sabe pretender abanar a audiência. Estava aberta a última sessão do ano de “The story behind the CV”, uma iniciativa do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), que consiste em conversas informais com cientistas inspiradores com um foco no seu percurso profissional.

Maria de Sousa, uma referência na área da Imunologia, e a quem ninguém fica indiferente face ao seu estilo confontativo e ‘fino como um alho’. Maria de Sousa trabalhou em Inglaterra, Escócia e Estados Unidos. Regressou a Portugal em 1985 e, contra todas as probabilidades, trocou Lisboa pelo Porto tornando-se professora catedrática de Imunologia no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS). Em 2014, publicou o livro Meu Dito Meu Escrito com a sua visão sobre ciência e cientistas.

A oradora focou-se depois, precisamente, nessa decisão de vir para o Porto quando o expectável era que ficasse ou nos EUA ou em Lisboa. “A maior parte dos meus amigos portugueses achou um completo disparate a minha vinda para o Porto. Os meus amigos norte-americanos apenas disseram que se essa era a minha decisão, eles ajudariam no que pudessem. E ajudaram a pagar transporte de equipamento e até contas de electricidade. Nesse tempo havia essa entre-ajuda entre colegas. Agora é tudo muito mais competitivo”.

Dirigindo-se depois mais directamente aos jovens cientistas, ela diz que os doutorandos têm a responsabilidade de escolherem a área em que querem trabalhar “porque sem gosto isto de trabalhar na Ciência não vai lá”, os pós-docs devem ter a liberdade de  escolher onde querem trabalhar e os Investigadores Principais e chefes de grupo têm a enorme responsabilidade de promover uma cultura de abertura disciplinar e científica nos seus laboratórios.

“Saibam bem quem são os vossos amigos neste mundo da Ciência”

E voltou a frisar o que já disse noutras entrevistas: “Aquilo que nós devemos preparar nos nossos alunos é a capacidade de aprender. Portanto o que você tem que saber é aprender. Não tem que saber o que já se sabe, quer dizer… tem que saber o que já se sabe, sim, mas com uma atitude de aprender outras coisas, de ser capaz de aprender o que vem a seguir. Se souber só uma coisa não vai a sítio nenhum, fica escravo daquilo que sabe. O que é importante é educar a capacidade de aprender, mas não é fácil”.

Quando interpelada por uma investigadora pós-doc sobre como manter a motivação e essa abertura científica em tempos de extrema competição por recursos sempre escassos, percebeu-se na resposta de Maria de Sousa que ela própria não sabe como equilibrar essa balança. “As coisas mudaram muito. Na Ciência e nesta profissão, temos de estar muito bem preparados para a mudança. No meu tempo ainda haviam menos recursos, não haviam concursos nem financiamento. Mas havia muita entreajuda entre cientistas”, referiu. “Acima de tudo, saibam bem quem são, de facto, os vossos amigos neste mundo da Ciência e cuidado com os vossos parceiros: já vi casais destruídos porque ambos eram muito competitivos até um com o outro, casais que se formaram para um tirar vantagem do outro e casais que foram à falência financeira e emocional”.

E, inesperadamente, Maria de Sousa apelou: “Escrevam poesia, tenham tempo para a poesia. A Ciência passa, mas a poesia fica. Mas para escrever poesia é preciso ter tempo para meditar no que está a acontecer. Não ser uma escravo do trabalho, ter tempo para se retirar e meditar. É preciso tempo para não fazer nada e apenas meditar”. Não vale a pena viver sempre a correr de tarefa em tarefa. A vida não é isso”.

A civilização a partir das suas plantas (ou vice-versa)

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Este não é livro para se ler, mas para se saborear, como se estivéssemos a tomar um chá com o autor e ele nos fosse contando histórias e estórias, de forma tranquila e ligeira, a propósito de algumas das plantas que também pontuam a história da nossa civilização.

Luiz Mors Cabral conseguiu um livro difícil de arrumar em alguma categoria literára, não é um livro científico nem d divulgação de ciência; conseguiu a proeza rara de ter uma obra com 0% de eruditismo e 100% de acessibilidade a qualquer leitor. É, como o próprio autor apresenta, um livro que conta histórias da relação entre a splantas e alguns dos momentos marcantes da história da Humanidade.

Luiz Mors Cabral é professos adjunto na Universidade Federal Fluminense, é licenciado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2003), mestre em Química Biológica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2005) e doutorado em Química Biológica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2009). Não é surpreende que, na sua investigação, privilegie a Biologia Molecular de Plantas. Mas o seu livro é um perfeito exemplo do casamento entre as ciências e as humanidades

Em cada capítulo, o autor, num estilo bem coloquial, recorda episódios do seu percurso académico que o levaram a encontrar-se com algum pormenor sobre uma determinada planta, dando o mote para ele nos contar algumas peculiaridades sobre as mesmas. Por exemplo, sabiam que o formato que hoje conhecemos do coração vem de uma vagem com o invulgar nome laserpício? Sabiam que a maçã já teve uma péssima reputação nos EUA e esteve ligada à Lei Seca? Ou que a canela, que não é originária do Brasil, está relacionada com a descoberta do Amazonas? E que o pigmento de amarelo indiano tão usado por artistas europeus provinha da urina de vacas exclusivamente alimentadas com folhas de mangueira, na Índia? E até a descoberta da aspirina se transforma numa aliciante aventura neste livro.

Dá, então, para perceber porque o subtítulo da obra é: fascinantes histórias de etnobotânica. E Cabral introduz-nos, com este livro, e de forma bem prazeirosa, a essa disciplina que estuda simultaneamente a botânica e a etnologia.

A escrita de Cabral é bem-humorada, mas não deixa de comover nos capítulos em que fala do seu avô e como este o ajudou a fundar o Núcleo de Pesquisas de Produtos Naturais, da UFRJ.

E temos até direito a recordações de infância do autor:

“Meu gosto pelo estudo da origem das plantas tem muito a ver com o milho. Quando era pequeno, costumava brincar no milharal que havia no sítio do meu avô paterno. Ali, certa vez, encontrei um milho estranho, bem diferente dos demais (…). Ninguém soube me explicar que planta era aquela. A resposta só veio no final das férias, quando mostrei-a para meu avô materno, que era químico de produtos naturais. Ele analisou a haste com muito interesse e disse: ‘Isso é uma mutação atávica do milho! Por algum motivo esse milho voltou a ser parecido com o seu ancestral!’

Não se pode dizer que meu avô tenha resolvido o mistério. Antes, ele o substituiu por outro ainda maior e mais instigante. Este livro começou a nascer naquele momento, quando descobri que plantas tinham ancestrais e histórias.” (p.155)

Um aspecto menos positivo, porém, é a ausência de uma bibliografia que oriente o leitor a ir saber mais e de aprofundar mais alguns temas, pois ao autor tem o mérito de aguçar a curiosidade do leitor em ir pesquisar mais.

CABRAL, Luiz Mors. 2016. Plantas e civilização: fascinantes histórias da etnobotânica. Rio de Janeiro: Edições de Janeiro. (Ilustrações Carolina Engel.)

3 títulos, a mesma notícia

Nos dias 9 e 10 de novembro, os jornais Diário de Notícias, Jornal de Notícias e Observador publicaram uma notícia sobre o quilograma:

DN:  https://www.dn.pt/vida-e-futuro/interior/mudanca-a-caminho-um-quilo-vai-deixar-de-ser-um-quilo–10154607.html

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JN – https://www.jn.pt/inovacao/interior/quilograma-padrao-vai-passar-a-ser-definido-com-fisica-quantica-10159109.html

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https://observador.pt/2018/11/09/o-quilograma-vai-mudar-unidade-de-medida-deixara-de-depender-de-objeto-fisico-guardado-em-paris/

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Foram utilizados três  títulos distintos para comunicar a mesma informação, mas só um dos títulos é  verdadeiramente elucidativo.. .

Mas afinal, o que vai acontecer?

Basicamente o seguinte: vai deixar de se usar o objeto físico (o protótipo internacional do quilograma que está guardado no laboratório da Agência Internacional de Pesos e Medidas, em Sèvres) como padrão para o quilograma e passar-se a usar uma constante física, tal como já aconteceu com o metro.

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