Divulgação: 1º ANIVERSÁRIO do PubhD Porto

E na próxima Quarta-feira dia 24 de Janeiro vamos comemorar o 1º aniversário do Pubhd Porto!

Neste evento vamos juntar cientistas da cidade no Rivoli!

Vão estar presentes dois cientista proeminentes no panorama científico nacional, baseados no Porto, e um historiador que tão bem conta a invicta.

Aparece para cantar os parabéns!

convite-gala-pubhd-porto

 

Anúncios

O acontecimento de 2017

Esta época do ano é caracterizada pelo balanço nas diferentes áreas da sociedade, elegendo-se as figuras nacionais e internacionais e os acontecimentos que marcaram o ano. Mais do que uma revisão do que se passou, estas listas deveriam procurar marcar tendências esperadas para o ano seguinte.

Na Ciência, a definição do acontecimento do ano vem com um lastro de importância maior do que em outras áreas porque este evento está na pole position para ganhar um dos Prémio Nobel da área da Ciência no ano seguinte.

A revista Science escolheu para 2017, como acontecimento do ano, a primeira observação da colisão de duas estrelas de neutrões. A colisão das duas estrelas, a 130 milhões de anos-luz, gerou ondas gravitacionais detetadas na Terra. Ondas essas que tinham sido previstas há mais de cem anos pelo físico Albert Einstein, mas foram detetadas diretamente pela primeira vez em 2015 (Prémio Nobel da Física em 2017), quando dois grandes buracos negros (zonas do Universo de onde nada pode escapar, nem mesmo a luz) chocaram.

colisao_duas_estrelas_de_neutroes_nsf_ligo_sonoma_state_university_a_simonnet12425594_base
Ilustração: NSF/LIGO/Sonoma State University/A. Simonnet

As estrelas de neutrões são os objetos de grande escala mais densos no universo conhecido. Embora tenham apenas cerca de 30 km de diâmetro, têm uma massa como a totalidade do sistema solar. Usando uma outra imagem, seria como comprimir toda da população humana no volume de um cubo de açúcar. As estrelas de neutrões são assim chamadas porque são quase inteiramente constituídas por partículas subatómicas chamadas neutrões. Normalmente, os átomos contêm neutrões e protões nos seus núcleos. No entanto, quando se formam estrelas de neutrões, a compressão é tal que a matéria se desintegra. Os eletrões e os protões combinam-se para formar mais neutrões, e a estrela torna-se uma bola gigantesca de partículas subatómicas combinadas. As estrelas de neutrões normais têm campos de força magnéticos que chegam a ter 50 mil milhões de vezes mais potência do que um magneto do frigorifico. Por vezes formam-se campos ainda mais potentes, cerca de 100 mil milhões de vezes mais forte, que poderiam desmagnetizar todos os cartões de crédito existente na Terra.

Esta é uma descoberta do tipo dois em um: pela primeira vez, foram detetadas as ondas gravitacionais que se geram na violenta dança cósmica entre duas estrelas de neutrões, e também pela primeira vez, foi captado, com recursos a dezenas de telescópios terrestres e espaciais, o brilho intenso e efémero que se gerou na colisão inevitável que se seguiu. Esta observação permite por um lado confirmar ondas gravitacionais utilizando pela primeira vez a luz (até agora só se tinham confirmado este tipo de ondas nas colisões entre buracos negros), e por outro lado, a verificação de que as colisões de estrelas de neutrões produzem ondas gravitacionais.

Aguardemos até ao início de outubro para verificar se o acontecimento de 2017 vai originar um Nobel.

Realidade Aumentada

É comum ouvir dizer que cada indivíduo analisa a realidade que o rodeia de acordo com os seus valores. Esta ideia, dando diferentes perspetivas à mesma realidade, levou à criação de uma área tecnológica, em franca expansão, que mistura mundos reais e mundos virtuais. Esta nova tecnologia recebeu o nome de Realidade Aumentada (augmented reality).

A Realidade Aumentada é uma tecnologia, que combina elementos do mundo real com elementos virtuais em 3D, permitindo a interatividade entre objetos (reais e virtuais) em tempo real. Mais especificamente, consiste na sobreposição – realizada por meio de algum dispositivo tecnológico – de objetos virtuais tridimensionais (gerados por computador) num ambiente real. Tem origem num campo específico das ciências da computação, que exploram a integração do mundo real com elementos virtuais ou dados criados por computador.

A realidade aumentada combina um software específico, por exemplo o utilizado para desenvolver o jogo, com equipamentos, como câmara digital e GPS. Diversas áreas têm beneficiado com a possibilidade de sobrepor a realidade virtual com o nosso campo de visão destacando-se: o turismo, onde a locais históricos têm adicionando características virtuais às imagens reais: o utilizador pode localizar monumentos históricos, moradas e outros locais; obter informação sobre as distâncias entre o mesmo e os objetos circundantes; reconstrução virtual de edifícios antigos; a ciência; os jogos virtuais, e ainda, a arte, por exemplo, quando o espólio de um museu não pode estar exposto na sua totalidade poder-se-á recorrer à criação de museus virtuais. Um destes caso é o Museu Guggenheim de Bilbao onde foi implementado, pela Siemens IT Solutions and Services, um sistema de realidade aumentada, no qual, os visitantes recebem informações sobre o espaço cultural, as suas exposições e são guiados pelo museu, tendo acesso a informações especiais do edifício

Esta tecnologia exige a existência de apenas três componentes básicos: objeto real com algum tipo de marca de referência, que possibilite a interpretação e criação do objeto virtual; câmara ou dispositivo capaz de captar e transmitir a imagem do objeto real; software capaz de interpretar o sinal transmitido pela câmara ou dispositivo.

Nos últimos anos têm se assistido ao aumento exponencial desta tecnologia para as mais diversas áreas, como sejam a medicina, a marinha mercante, a educação, a bioengenharia, a física ou a geologia. Vejamos alguns exemplos: prospeção em hidrologia, ecologia ou geologia, mostrando informações específicas ou mapas tridimensionais; dispositivos de navegação em diversas situações, como por exemplo carro ou aeronaves, através de visores dotados de realidade aumentada integrados ao capacete do usuário ou apoio a tarefas complexas em cirurgias.

A Realidade Aumentada não deixa de ser o resultado de um caminho tecnológico que, se não fosse por todos avanços que se incorporam nos smartphones e tablets que utilizamos diariamente, este conceito dificilmente teria chegado aos níveis complexos a que chegou.

É comum ouvir dizer que cada indivíduo analisa a realidade que o rodeia de acordo com os seus valores. Esta ideia, dando diferentes perspetivas à mesma realidade, levou à criação de uma área tecnológica, em franca expansão, que mistura mundos reais e mundos virtuais. Esta nova tecnologia recebeu o nome de Realidade Aumentada (augmented reality).

A Realidade Aumentada é uma tecnologia, que combina elementos do mundo real com elementos virtuais em 3D, permitindo a interatividade entre objetos (reais e virtuais) em tempo real. Mais especificamente, consiste na sobreposição – realizada por meio de algum dispositivo tecnológico – de objetos virtuais tridimensionais (gerados por computador) num ambiente real. Tem origem num campo específico das ciências da computação, que exploram a integração do mundo real com elementos virtuais ou dados criados por computador.

A realidade aumentada combina um software específico, por exemplo o utilizado para desenvolver o jogo, com equipamentos, como câmara digital e GPS. Diversas áreas têm beneficiado com a possibilidade de sobrepor a realidade virtual com o nosso campo de visão destacando-se: o turismo, onde a locais históricos têm adicionando características virtuais às imagens reais: o utilizador pode localizar monumentos históricos, moradas e outros locais; obter informação sobre as distâncias entre o mesmo e os objetos circundantes; reconstrução virtual de edifícios antigos; a ciência; os jogos virtuais, e ainda, a arte, por exemplo, quando o espólio de um museu não pode estar exposto na sua totalidade poder-se-á recorrer à criação de museus virtuais. Um destes caso é o Museu Guggenheim de Bilbao onde foi implementado, pela Siemens IT Solutions and Services, um sistema de realidade aumentada, no qual, os visitantes recebem informações sobre o espaço cultural, as suas exposições e são guiados pelo museu, tendo acesso a informações especiais do edifício

Esta tecnologia exige a existência de apenas três componentes básicos: objeto real com algum tipo de marca de referência, que possibilite a interpretação e criação do objeto virtual; câmara ou dispositivo capaz de captar e transmitir a imagem do objeto real; software capaz de interpretar o sinal transmitido pela câmara ou dispositivo.

Nos últimos anos têm se assistido ao aumento exponencial desta tecnologia para as mais diversas áreas, como sejam a medicina, a marinha mercante, a educação, a bioengenharia, a física ou a geologia. Vejamos alguns exemplos: prospeção em hidrologia, ecologia ou geologia, mostrando informações específicas ou mapas tridimensionais; dispositivos de navegação em diversas situações, como por exemplo carro ou aeronaves, através de visores dotados de realidade aumentada integrados ao capacete do usuário ou apoio a tarefas complexas em cirurgias.

A Realidade Aumentada não deixa de ser o resultado de um caminho tecnológico que, se não fosse por todos avanços que se incorporam nos smartphones e tablets que utilizamos diariamente, este conceito dificilmente teria chegado aos níveis complexos a que chegou.

arart-aplicativo-realidade-aumentada

GIF retirado de http://www.tecnoartenews.com/share/arart-aplicativo-de-realidade-aumentada-da-vida-a-obras-de-arte/

Galeno de Pergamo

 

images

A história da ciência médica europeia reúne muitos nomes de destacados cientistas. Sem dúvida, Galeno figura entre os primeiros da lista, pois os seus ensinamentos foram dominantes durante muitíssimo tempo.

Galeno escreveu o Methodo medendi, sobre a arte da cura, que foi o paradigma do mundo médico no decurso de quinze séculos. Entre os seus contributos, a literatura médica menciona o ter descoberto que o funcionamento da voz é controlado pelo cérebro, que a espinal medula comanda os músculos, que o sangue circula pelas artérias, que existem as válvulas do coração e as funções renais, e também demonstrou que a preparação de fármacos devia obedecer a procedimentos rigorosos destinados à sua conservação.

Este médico, nascido em Pérgamo, na Grécia, no ano 130 e, falecido por volta de 216, em Roma, cultivou a sua mente desde muito tenra idade e, uma vez que descobriu a obra de Hipócrates de Cos, nunca a abandonou. A lenda relata que num sonho do pai apareceu o deus da medicina, Asclépio, que vaticinou o destino de Galeno.

No tempo de Marco Aurélio II chegou a integrar o mundo da corte, onde estudou a peste antonina e dissecou animais, pois na Roma antiga não era permitida a dissecação de cadáveres humanos, o que conduziu a ideias um pouco distorcidas. Baseou a sua fisiologia no pensamento aristotélico em relação à natureza e, no de Platão, no que respeita ao princípio regedor da alma, a psyche, formado por três dimensões: uma que se aloja no cérebro, outra no fígado e a terceira no coração.

A partir desse postulado, existem três espíritos, e cada um corresponde a uma classe de alma: o vital, situado na região torácica, tem o coração e os pulmões como principais órgãos e, para o mundo antigo, esse espírito chegava através do sistema arterial, junto com o calor inato do coração, a todo o organismo e determinava a morte ou não de uma pessoa; o vegetativo ou natural, que corresponde aos órgãos da zona abdominal, e o animal, dominante na região cerebral, que influenciava a personalidade e se deslocava para o resto do corpo através dos nervos.

Esta personalidade da ciência médica ganhou popularidade, também, por recorrer a muitas plantas a que atribuía propriedades curativas, para extrair delas as substâncias que lhe serviam para preparar medicamentos. E mais, a estas misturas deve-se a atual denominação “galénica” que alude à ciência da preparação de medicamentos. Para fazermos uma ideia, basta pensar que um preparado de Galeno podia chegar a conter mais de 60 ingredientes. Entre eles, figurava um com pretensão de antídoto para qualquer doença. Este chamava-se teriaga e o ódio figurava entre os seus principais componentes. O curioso é que o mesmo preparado vigorou até ao início do século XIX.

Os princípios, a obra e os medicamentos de Galeno perduraram vários séculos. No Renascimento, as suas bases começaram a ser questionadas a partir das ideias renovadoras do anatomista Vesalio.

PubhD #9 reciclagem de fármacos, energia sustentável e sexologia

Embora já tenha defendido o meu doutoramento há mais de 6 meses, vou participar no PubhD Porto  e finalmente poder beber um copo e falar da minha investigação.

É já próxima Quinta-feira que acontece o PubhD #9, e irá trazer ao público assuntos tão variados como química e engenharia sustentáveis e sexologia clínica.

Por isso se puderem, apareçam.

23795816_1537701172965455_1646909241488593005_n

Podem seguir o evento no facebook

O ‘arquitecto nuclear’ que morreu cedo demais

1_Enrico-Fermi
Crédito: Argonne National Laboratory.

Chamam-lhe o “arquitecto da era nuclear” e foi uma das 100 personalidades do século XX, segundo a revista Time.

Eram 8h15 da manhã de 6 de Agosto de 1945 e um dispositivo nuclear chamado Little Boy, carregado de urânio-235, destruía Hiroshima (Japão). Chegava assim ao limite o famoso Projecto Manhattan que culminou com o lançamento de duas bombas atómicas, em resultado de um projecto de investigação que durou mais de seis anos, liderado pelos Estados Unidos da América (EUA). Nesse projecto, participaram alguns dos cientistas mais famosos da época, entre os quais se destacou o italiano Enrico Fermi (1901-1954) que ficou famoso por ter desenvolvido o primeiro reactor nuclear, Chicago Pile-1.

Doutorado em Física na Escola Superior Normal de Pisa em 1922, com apenas 26 anos começou a trabalhar como profesor na Universidade Roma La Sapienza, onde ganhou a alcunha deo papa da Físicadevido à sua extraordinária e infalível capacidade para prever os resultados das experiências científicas, mas também por ser bastante produtivo quer no campo teórico quer no experimental. Hoje é reconhecido por ter sido o último físico que contribuíu significativamente para ambos os campos- no âmbito da física quântica, física de partículas, e mecânica estatística.

A partir de 1934, seguindo o exemplo de Irène Curie, dedicou-se ao estudo da radioactividade artificial bombardeando elementos com neutrões. Este trabalho fez com que ganhasse o Prémio Nobel em 1938 por ter demonstrado a existência de novos elementos radioactivos produzidos por processos de irradiação com neutrões e por ter descoberto a radiação induzida por neutrões lentos.

Fermi foi um dos primeiros cientistas a perceber o potencial da fissão nuclear quando, num dos gabinetes da Universidade de Columbia, ao fechar a sua mão, disse: “Uma bomba tão pequena quanto isto poderia fazer desaparecer tudo”.

2_Enrico-Fermi
Crédito: Arquivos Nacionais dos Estados Unidos.

Morreu a 28 de Novembro de 1954, com apenas 51 anos, devido a um cancro no estômago. O seu legado, no entanto, continua. Não só o elemento atómico número 100 se chama Fermio (Fm), como também o seu nome preside a três instalações nucleares: o laboratório de partículas FermiLab, o Telescópio Espacial de Raios Gama, um prémio de prestígio e até o seu nome em várias ruas de Itália.

O Scientificus é um projecto de promoção da cultura científica, procurando aproximar a Ciência dos Cidadãos. Este projecto pretende ser um espaço independente, inovador, empreendedor e dinâmico de divulgação da Ciência.