Nuvem Primordial

Os eclipses são sempre fenómenos que despertam o interesse de muitos indivíduos, uma vez que se tratam de fenómenos sobre os quais existem um conjunto enorme de lendas, superstições e crenças populares. Este fenómeno torna-se mais espectacular quando se trata de um eclipse solar total. Contudo, a própria formação do Sol é do Sistema Solar é, também um fenómeno surpreendente na sua concepção, que muita gente desconhece.

A origem do Sistema Solar não era sequer considerada antes do século XVII. Descartes, em 1632, foi o primeiro a introduzir a ideia de evolução, propondo uma teoria para a origem do Sistema Solar. Mas esse problema foi abordado mais seriamente nos anos 70 do século XX, graças ao desenvolvimento da exploração espacial do Sistema Solar.

Todos os planetas estão confinados ao mesmo “disco”, isto é, a órbita de cada um dos planetas coincide aproximadamente com o plano da órbita do “disco”. Este facto sugere que eles terão evoluído a partir de um ponto comum – disco protoplanetário, constituído essencialmente de gás e poeiras. Durante algum tempo houve indecisão entre duas teorias: – a “catastrófica” propunha que o disco protoplanetário poderia ter sido resultado da passagem de uma estrela perto do Sol, originando um filamento de material que, mais tarde, teria dado origem aos planetas; – a “nebulosa” defendia que o Sol e os planetas se formaram a partir da mesma nuvem primordial , tendo o Sol resultado da condensação central.

Rapidamente a primeira teoria foi abandonada uma vez que o filamento não teria dimensão suficiente e a sua elevada temperatura não permitiria a condensação em planetas.

Kant e Laplace em finais do século XVIII, propuseram pela primeira vez a hipótese da nuvem primordial, que é aceite atualmente. A nuvem primordial ter-se-à contraído pela sua própria gravidade, e como estaria simultaneamente em rotação, semelhante a um pião em movimento sobre si próprio. A força centrífuga deu origem a um disco que se foi condensando. Através de reações químicas foram-se formando os minerais encontrados hoje no Sistema Solar. A região central, muito quente, deu origem ao Sol.

O estudo de instabilidades gravíticas num disco fino de detritos, mostrou que este processo poderia originar objectos bastante grandes, designados por “planetóides” num curto espaço de tempo. Colisões posteriores desses “planetóides” levariam então a uma acreção de material, dando origem aos planetas.

Os cometas e asteróides são provavelmente restos de planetóides, sendo por isso objectos primitivos do Sistema Solar. A sua composição química reflecte portanto a da nuvem solar primordial.

Existe ainda a dúvida se o Sistema Solar terá sido o resultado de um acidente raro, de uma evolução estelar normal ou de uma evolução estelar com condições particulares. Tudo aponta para que sejam realmente necessárias algumas condições especiais.

Estudos geofísicos recentes indicam que teriam de ser reunidas certas condições, em diferentes alturas do processo evolutivo, nomeadamente, a formação dos planetóides (com cerca de 1 a 5 km) a partir dos grãos de poeira da nuvem teria de ocorrer, num curto espaço de tempo (1 000 anos), seguir-se-ia uma fase de rápida destruição, por colisão, seguida de lenta acreção, nesta fase a velocidade dos planetóides deverá ter sido determinante; se fosse muito elevada levaria a colisões catastróficas, se muito lenta os corpos tenderiam a fundir-se, o que originaria a formação de grandes planetas, o que não é observado e finalmente haveria uma última fase caracterizada por interações gravitacionais mútuas entre estes planetas recém formados.

Todas estas condições particulares, que teoricamente tiveram que evoluir ao longo do tempo remete-nos para uma das grandes questões que o Homem procura responder, que é se estamos sozinhos no Universo fruto de um conjunto de fenómenos que conduziram a um processo evolutivo muito particular que culminou que o aparecimento de vida, ou se na realidade estas condições especiais se podem reproduzir pelo Universo, e existe vida noutras regiões do espaço?

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