“Penso, logo existo”

Com esta afirmação, o filósofo René Descartes construiu um paradigma que vigorou durante cerca de 300 anos. Este paradigma assentava na divisão do universo em dois mundos: um material e quantificável, e um outro mundo dos pensamentos, que se encontrava para além do domínio quantificável do espaço e do tempo. Consequentemente, ao longo do século XVII, no qual a ciência assistiu ao desenvolvimento da anatomia e durante a qual o médico William Harvey descobriu o sistema circulatório, o processo de pensamento não era relacionado com a biologia humana.

Associado às questões filosóficas surgiram também tecnológicas que impediam o estudo da correlação mente/cérebro, uma vez que não se sabia como estudar o cérebro.

Dois séculos mais tarde surgiram duas metodologias para contornar este problema, uma protagonizada pelos filósofos que estudavam o cérebro dos pacientes mortos, e outro protagonizada por Wilhelm Wundt – considerado o “pai” da psicologia experimental – que debruçava os seus estudos nos cérebros dos indivíduos vivos.

Nactividades experimentais produzidas por Wundt, este pedia aos sujeitos para descreverem minuciosamente o conteúdo dos seus pensamentos, com o objectivo de construir e ordenar um conjunto de “elementos” mentais, semelhantes à tabela periódica dos elementos químicos, uma vez que acreditava que existia um conjunto de sensações bases, que se combinavam de modos diferentes, criando uma gama completa de pensamentos e de sentimentos.

Com os avanços tecnológicos e posterior análise do cérebro humano chegou-se ao modelo básico do pensamento, usado pela maioria dos cientistas cognitivos, que trata o cérebro como um processador de informação.

Fazendo uma analogia com uma câmara de vídeo, presume-se que tal como a câmara de vídeo capta padrões de luz e pressão de ar, combinando e transformando esta informação por meio electrónicos com o objectivo de produzir um registo de vídeo e de som, também o cérebro funciona de um modo semelhante, apesar da maior complexidade.

Os sensores humanos recolhem a informação do mundo exterior que combinada e transformada pelo cérebro gera estados mentais a que chamamos pensamentos. Continuando com as analogias tecnológicas podemos também afirmar que do mesmo modo que um computador é programa para reagir de determinado modo a certas entradas, também as células nervosas do cérebro – neurónios -transmitem informação reagindo a sinais de entrada provenientes dos órgãos dos sentidos.

Esta ideia do que os neurónios funcionam de modo análogo ao circuito de um computador, que surgiu na década de 1940, passou a ser um ponto de convergência da ciência cognitiva. Neste modelo dos disparos de células por reacção a diferentes entradas surgem um série de questões, como por exemplo: Serão os feixes de neurónios de tal modo rígidos que agem sempre da mesma forma concertada? Ou Haverá plasticidade suficiente para se verificarem pensamentos diferentes quando sujeitos à mesma entrada?, nas quais se guardam os segredos do pensamento…

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