Cientistas “fora da moda” – II

Paralelamente ao mundo das avanços científicos e tecnológicos a Ciência é feita por cidadãos que fazem parte da Sociedade. Cidadãos, como qualquer um de nós, que possuem vidas em tudo semelhantes às nossas, com alegrias e tristezas, desilusões e triunfos.

Vidas que assentam em valores, ideais, em lutas políticas e sociais. Muitos estiveram do lado correto da barricada, outros, nem por isso… Muitos foram perseguidores, outros perseguidos, mas todos lutaram por convicções que resultam da criatividade das suas mentes!

Uma das estórias que ainda hoje está envolvida em grande mistério é o desaparecimento de extraordinário físico italiano de nome Ettore Majorana.

Talvez o nome não soe totalmente estranho uma vez que no ano passado foi publicado um livro da autoria de João Magueijo (O Grande Inquisidor, Gradiva), onde é descrita esta estória maravilhoso.

Este físico prodigioso de apenas 31 anos desapareceu numa viagem de barco entre Palermo e Nápoles. Apesar dos esforços desenvolvidos pelas autoridades italianos, o corpo de Majorana nunca foi encontrado. Este desaparecimento inexplicável juntamente com uma personalidade reservada adensaram ainda mais o mistério em torno desta morte.

Majorana fez parte do Grupo de Roma, onde realizou o doutoramento em Física Teória, sob a orientação de Enrico Fermi, tendo obtido a classificação máxima. Permaneceu neste grupo de Físicos notáveis, acompanhando e realizando investigações de diversas índoles.

Tendo um futuro tão promissor na Ciência e um desaparecimento tão peculiar, não é de estranhar que o seu sumiço tenha sido alvo de várias especulações. Umas das especulações mais recentes ficam a cargo do também físico teórico Oleg Zaslavskii, da Karazin Kharkiv National University da Ucrânia, sugere agora que esta ambiguidade à volta do seu destino poderá na realidade ser parte de uma ilusão magicada por Majorana para demonstrar a sobreposição quântica.

Majorana queria recriar este paradoxo com eventos da sua própria vida diz Zaslavskii. O argumento deste físico teórico ucraniano baseia-se numa série de mensagens que Majorana enviou à sua família e a Antonio Carrelli, diretor do Instituto de Física da Universidade de Nápoles. Majorana terá enviado uma carta expressando a sua intenção de cometer suicídio imediatamente seguida de um telegrama refutando a ideia de que fosse um suicida. Foi, no entanto, uma terceira carta que despertou a atenção a Zaslavskii já que, nesta última, Majorana diz esperar que Carrelli receba a primeira carta e o telegrama ao mesmo tempo.

Esta ideia assenta no paradoxo de Schrödinger que afirma que uma partícula, Schrödinger utilizou um gato para exemplificar, pode existir simultaneamente em dois estados quânticos mutuamente exclusivos. No exemplo do gato, Schrödinger enquanto a experiência dura, o gato pode estar vivo e morto ao mesmo tempo.

Para além de se saber o que aconteceu ao gato de Schrödinger, fica por compreender o mistério em torno do desaparecimento de Majorana bem como as suas motivações.

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