OLIVEIRA, AZEITE E ÁGUAS RESIDUAIS – Parte I

A OLIVEIRA

A oliveiraOlea europea Lin. – apresenta um crescimento lento, com raízes que podem atingir os seis metros. É uma árvore muito resistente, sendo que a utilização de todo o seu potencial foi conseguida pelo Homem, graças à melhoria das características da oliveira, transformando-a naquilo que hoje chamamos de oliveira cultivada.

A Olea europea Lin. apresenta folhas do tipo coriáceo, ligeiramente pecioladas, de forma lanceolada, apresentando a página adaxial, ou superior, uma tonalidade verde ou verde-acinzentada, sendo que a página abaxial, apresenta um tom ligeiramente esbranquiçado. As folhas apresentam as margens do limbo sensivelmente enroladas.

Dentro da espécie, vamos encontrar diversos cultivares, que se encontram em diferentes zonas oleícolas.

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Figura 1. – Olea europea Lin. (retirado da internet).

 

  1. Cultivares de Olea europea em Portugal

Em Portugal, existem vários cultivares, dos quais podemos salientar: a Verdeal, a Galega, a Cordovil e a Carrasquenha.

A Verdeal é uma árvore bastante folhosa, apresentando um fruto regular. É bastante comum em Portugal, especialmente em Trás-os-Montes e Alto Douro, na região de Mirandela. É uma oliveira boa produtora de azeite e de boa qualidade.

A Galega, também chamada de Negral, é aquela designada por oliveira vulgar, sendo a mais cultivada em Portugal. As árvores apresentam um porte médio ou pequeno, possuindo frutos pequenos, de coloração negra luzidia e de forma oblonga. A frutificação deste tipo de oliveira é geralmente abundante. É uma oliveira bem adaptada às condições físicas e climatéricas dos terrenos, pelo que se encontra quer nas planícies de boa terra para cultivo, como nas serranias.

A Cordovil é uma árvore que se encontra distribuída por todo o País, sendo mais abundante no distrito de Castelo Branco. É uma árvore boa produtora de azeite e de excelente qualidade. Apresenta folhas pequenas e de nervuras salientes. O fruto é maior do que o normal e é negro-acinzentado. É uma árvore frondosa, muito folhosa e de ramos resistentes e fortes.

A Carrasquenha, tem uma distribuição geográfica localizada no Alentejo, Beira Baixa e Trás-os-Montes e Alto Douro. É uma árvore de porte médio, ramos curvados e curtos e com folhagem abundante. Os frutos são oblongos e negro-avermelhados.

  1. Distribuição Geográfica

 

A oliveira é uma árvore que se encontra distribuída por quase todo o globo terrestre, em particular na zona do Mediterrâneo. Na sua área de distribuição geográfica, forma na Europa, Norte de África e na região do Próximo Oriente, a chamada «Região da Oliveira», sendo essa mesma região constituída por Portugal, Espanha, França Meridional, Itália, Grécia, Argélia, Tunísia, Marrocos e a Palestina, países que apresentam condições climatéricas típicas do Mediterrâneo.

Pensa-se que a distribuição oleícola ronde os 850 milhões de oliveiras que ocupam 8,2 milhões de hectares.

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Figura 2. – Distribuição Geográfica da oliveira em Portugal (retirado da internet).

A oliveira necessita de boas condições climatéricas para se poder desenvolver e frutificar. Para isso é necessário que as variações de temperatura não desçam abaixo dos 7º C negativos. Caso este abaixamento de temperatura ocorra, para que haja um bom desenvolvimento da oliveira, este não deve manter-se por mais do que uma semana.

Não se deve ultrapassar um certo calor apropriado à maturação do fruto. Em condições climatéricas que promovam o degelo, este não deve ser repentino, mas sim lento e de preferência acompanhado de chuva.

Na época da floração a temperatura ambiente deve rondar os 19º C, sendo que para um óptimo cultivo, deve a oliveira receber, antes dos primeiros frios, calor solar. Esta acumulação de calor solar sob a forma atmosférica, que precede a época dos frios, é extremamente importante para que os frutos possam alcançar a correcta maturação.

A oliveira precisa para viver, uma temperatura nunca inferior a 7º C.

Não tolera solos salgados; por isso não consegue sobreviver no litoral marítimo, não tolerando a presença dos ventos marítimos.

Ventos intensos prejudicam a frutificação e quando floresce numa Primavera muito ventosa, a produção de azeitonas fica comprometida, uma vez que a polinização e subsequente fecundação se tornam difíceis.

  1. Latitude

A cultura da oliveira só é possível na Europa, em condições normais, entre as latitudes 18º e 46º Norte. Verifica-se que para 17º de latitude a oliveira apresenta um grande desenvolvimento lenhoso, ficando estéril e para valores de latitude superiores a 46º, a vegetação é impossível.

É precisamente dentro dos limites indicados, que o desenvolvimento da oliveira é capaz de ocorrer, e que se encontra o Norte de África, a zona Asiática da Turquia, a Grécia, praticamente toda a Itália, a França e toda a Península Ibérica.

Portugal fica localizado entre 36º 59’ e 42º 8’ de latitude, tornando-o assim dentro dos limites óptimos para o desenvolvimento da oliveira, proporcionando desta forma excelentes condições para o cultivo da Olea europea Lin.

  1. Altitude

Em Portugal o que se verifica é que o desenvolvimento da oliveira dá-se entre os 250 m e os 800 m. A árvore desenvolve-se desde o Norte ao Sul de Portugal, exceptuando a zona de Montalegre e a Serra da Estrela. Observações feitas ao desenvolvimento da oliveira puderam constatar que a árvore se desenvolve no Norte até um máximo de 800 m de altitude e que no Sul, a oliveira dá-se e produz fruto não indo muito além dos 700 m. À altitude de 250 m, altitude mínima, a oliveira desenvolve-se perfeitamente e dá origem a grande produção de azeitona.

A Ciência do Leitor Luís M. Guapo Murta Gomes.

Luís Miguel Guapo Murta Gomes é genealogista, licenciado pré-Bolonha, em Biologia (Ramo Científico-Tecnológico em Biologia Animal Aplicada) pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e Pós- -Graduado em Ciências da Informação e da Documentação, variante Arquivos, pela Universidade Fernando Pessoa (Porto).

Neste momento é autor de 2 livros:

– Santo Estevam de Fayoens um morgadio flaviense

– A Empresa de Viação Murta

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