O que esperar de um Concurso Nacional de Ciência

Estavam as aulas a começar, e paralelamente aos e-mails burocráticos e habituais do início do ano letivo associaram-se e-mails que apelavam à participação num concurso. Tratava-se da promissora estreia do Concurso Nacional de Ciência – O Eureka. Este tinha como grande mote a demonstração de conhecimentos científicos de uma forma dinâmica, criativa e inovadora.

Apesar de serem só vantagens a decisão de participar levou algum tempo. Fiquei na dúvida e pensei que talvez fosse melhor concorrer numa próxima edição, mas a ideia de adiar perdeu valor e decidi tomar a iniciativa. Li o regulamento e tratei de avançar com a minha participação. O concurso era a nível nacional, para todos os estudantes das diferentes universidades. Pretendia-se incentivar a abordagem do mundo da Ciência de uma maneira diferente, e levar-nos a descobrir este grande tema nas suas mais variadas formas e vertentes, instigando a nossa criatividade.

Para isso foram feitas duas fases, e os temas que à partida pareciam simples e de respostas imediatas demonstraram-se complexos e intrigantes, pois é irrefutável que existe a dificuldade em relacionar expressões culturais e sociais com um tema tão exato e rigoroso.

O desafio da primeira eliminatória incidia sobre a realização de um vídeo onde fosse explorada a transmissão da ciência ao longo de gerações, fazendo assim uma reflexão sobre a ciência do dia-a-dia e da sua importância.
Deste modo, convido-vos a visionarem o vídeo abaixo, onde abordo temas com uma forte base científica ainda que utilizando conteúdos simples e adequados ao senso comum.
Este vídeo foi publicado, e foi sujeito a uma avaliação por diversos júris instituídos no assunto. Estes centraram a sua avaliação em quatro parâmetros:  rigor científico, originalidade e criatividade, expressividade e cumprimento do tempo.

Após algumas semanas recebi a tão esperada resposta. Tinha sido selecionada para passar à próxima fase, e como a organização optou por não fazer uma segunda eliminatória, passei automaticamente para a final.
Nesse momento confesso que comecei a sentir a verdadeira pressão. A final consistiria numa apresentação, diante de todos os concorrentes e júris de excelência, na Universidade da Beira Interior, na Covilhã.

O tema a abordar seria Verdades e Mitos, e foi-me proposto que, em apenas cinco minutos desmistificasse  ideias equívocas que prevalecem na sociedade atual.
Após dias dedicados a pensar no que poderia estimular a curiosidade e cativar a audiência, foi durante uma aula de Patologia Forense que surgiu a ideia de falar sobre a  morte. Este seria um tema ousado, então, porque não?

O meu intuito foi contrariar a ideia de que a morte é uma simples paragem cardíaca, um evento fulminante, e deste modo procurei abordar a morte como um longo processo a decorrer, e que esta envolve mais fenómenos que aqueles que o senso comum pensava.

No dia da final, aquando da chegada ao auditório era inevitável o receio, o ambiente era diferente e estava rodeada de pessoas que iriam dentro de momentos estar no mesmo palco que eu a lutar pelo mesmo objetivo. Contudo, concentrei-me no que era realmente importante: a minha apresentação.

Todas as apresentações foram excepcionais, acrescentando todas algo de novo. Foram falados mitos que envolviam conhecimentos sobre as mais variadas áreas, desde a astronomia, à física, biologia e química. Sentia-se o conhecimento em todo aquele espaço, e foi incrível e bastante perceptível que a união daquele auditório se devia a uma paixão comum: a Ciência.
Assim, embora não tenha recebido nenhum dos prémios, acredito que as diferentes visões sobre os mais variados temas, as pessoas que conheci, e as impressões que troquei não foram em vão. Foram sim, uma mais valia para o meu crescimento pessoal e estimularam ainda mais o meu interesse pela Ciência. Para o ano, é com grande certeza que participarei novamente.

 

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