As regras da Biologia

Não sendo uma panaceia, as regras de Serengeti, segundo Sean B. Carroll, são um pilar fundamental da Biologia do futuro. 

A complexidade atrai-nos e assusta-nos. Por isso, tende-se sempre a tentar controlar essa mesma complexidade tentando desvendar os padrões que a caracterizam e as leis que a possam reger.

E se a Biologia se tornasse tão previsível como uma fórmula matemática? E será que essa mesma Biologia nos pode ajudar a acabar com a fome no mundo, a inverter o ritmo de degradação dos ecossistemas, das alterações climáticas e da extinção de espécies? Estas são as principais perguntas que o biólogo Sean Carroll tenta responder em The Serengeti Rules: the quest to discover how life works and why it matters.k10661

Nas últimas duas décadas, os cientistas que estudam os sistemas de relações ecológicas predador-presa têm argumentado que quase tudo nessas relações se encerra numa complexa rede de interacções. A base dos seus argumentos tem sido, essencialmente, feita de estudos sobre os caminhos bioquímicos numa célula, nas próprias interacções predador-presa ou até nos efeitos de cascata de genes num fenótipo. Mas quando se fala em redes, como a Sociologia mostra, não basta afirmar que elas existem e caracterizá-las; é preciso também perceber os mecanismos de resiliência que nelas existem.

Carroll vai, por isso, além da analogia das redes, pois acredita firmemente que a Biologia é demasiado complexa para ser explicada em termos de generalizações ou de predições. Este livro de Carroll é basicamente sobre a tão debatida questão da unificação na Biologia, já na senda dos trabalhos de Charles Darwin, James Watson e Francis Crick.

Mais: Carroll encontra um denominador comum em descobertas nas áreas da fisiologia, anatomia, regulação génica e cancro e analisa os trabalhos do Nobel Jacques Monod, Janet Rowley e de ecologistas como Tony Sinclair. O autor argumenta que, em todas as escalas de organização, a Biologia é regulada por axiomas de interacção em redes – desde o número de moléculas no nosso corpo ao número de espécies de animais e plantas dentro e entre ecossistemas. Depois de ter identificado as peças, junta-as novamente para definir regras de regulação – as Serengeti rules – que, segundo ele, são aplicáveis quer para a recuperação de ecossistemas quer para a gestão da biosfera.

O curioso é que uma mesma regra por ter diferentes nomes dependendo do contexto biológico. Por exemplo: a regra da lógica duplamente negativa responsável pelo abrandamento da síntese de um gene, num contexto de um ecossistema, chama-se regulação top-down que ocorre quando a abundância do número de predadores limita o crescimento da população de presas desse predador.

Outro argumento interessante de Carroll é que as regras que regulam as funções do corpo humano podem ser aplicadas em ecossistemas, em termos da conservação e recuperação dos mesmos.

Por último, mas não menos relevante, este livro não deixa de ser uma homenagem à Ecologia e a Charles Elton, que ajudou a definir a ecologia como o estudo das interacções entre espécies numa rede trófica (ou teia alimentar) modelada pelo ambiente.

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