Em busca da Química da Vida

O trabalho de Zita Martins, astrobióloga e uma das oradoras do próximo TedEXOporto, procura “puxar os limites do sistema solar” à procura de provas e dados sobre a origem da vida na Terra e a existência de vida extra-terrestre.

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Zita Martins Foto: Miguel Fonta

É um pequeno passo na história da evolução da vida, mas um grande salto que fascina a astrobióloga, Zita Martins: como se vai do sistema solar para a existência dos primeiros organismos? Os mistérios em torno deste evento adensaram-se ainda mais quando alguns cientistas começaram a defender a existência de evidências geológicas de que a atmosfera da Terra, na altura, não correspondia ao descrito na sopa primordial, segundo a teoria de Miller e Urey, de 1953. Mas o assunto é polémico e Zita Martins investiga precisamente sobre uma das questões que mais tem intrigado ao longo de séculos da Humanidade: Como surgiu a vida como a conhecemos?

Causa primária de todas as coisas?

Sobre a famosa hipótese de ter sido Deus ou uma causa primária a criar o universo, Zita Martins é peremptória: “Não há qualquer facto que justifique a tese de que existe uma causa primária inteligente. Cada um pode acreditar no que quiser. Mas os factos e os dados de laboratório não apontam para a existência de qualquer princípio inteligente que esteja na origem da vida na Terra”. Tentámos fazer a pergunta de várias maneiras. Porém, as respostas eram sempre inequívocas: “os factos dizem que esse princípio não existe; o resto fica no domínio da crença. Até os padres-cientistas do Vaticano não falam em Deus quando estão a apresentar as suas pesquisas”. Foi uma resposta cautelosa e acertada, tendo em vista a definição de facto científico. Um facto científico, seja nas chamadas ciências naturais (química, biologia, matemática, física, etc.) seja nas ciências sociais (comunicação, sociologia, educação, etc.) é uma observação que foi repetidamente confirmada e que, por isso, é aceite como verdade. No entanto, em Ciência, a verdade nunca é a Verdade, nunca é definitiva e, como defendeu o filósofo Karl Popper, é refutável.  Neste sentido, a resposta da cientista é correcta, pois um facto, em Ciência, remete ou para uma observação ou para algum tipo de medida ou para uma explicação científica que foi testada muitas vezes sob as mesmas circunstâncias. Já uma teoria, no senso comum, é um palpite ou especulação. Para a Ciência, uma teoria é uma explicação abrangente sobre algum aspecto da natureza que é suportada por um vasto corpo de evidências. Por exemplo, a teoria heliocêntrica que defende ser a Terra a girar à volta do Sol é uma das teorias cujas evidências em que se baseia são tão fortes e numerosas que dificilmente cairá. No entanto, vale a pena ver o que Rupert Sheldrake, biólogo e autor do livro Biologia da crença, diz sobre factos científicos: “Os factos da ciência são reais como são as técnicas usadas pelos cientistas; também são reais as tecnologias na base dessas técnicas. Contudo, o sistema de crenças que governa o pensamento científico convencional é um acto de fé e de crença”.

Follow the water

Quer seja a teoria da sopa primordial quer a teoria exógena, ou seja, aquela que afirma que os constituintes básicos chegaram ao nosso planeta através de meteoritos que o bombardearam, a astrobióloga considera que ambas as teorias são plausíveis. Mas reconhece que pelo facto de não se ter, até agora, conseguido reproduzir a experiência de Miller, a teoria exógena está a levar vantagem. Mas a verdade é que, alerta a investigadora, “podemos arranjar provas e dados, mas vamos continuar a não saber, com toda a certeza, se essa é a forma como a vida surgiu”.

Outra dificuldade é saber o que se entende, afinal, por vida. Mas também aí Zita Martins é rápida a responder: “Não me interessam as definições”. Mas intetressa-lhe um elemento: o carbono, ou não fosse a cientista licenciada em Química. E é com a mira no carbono que Zita Martins procura métodos de detecção que permitam encontrar vestígios de vida em meteoritos caídos na Terra ou na superfície de Marte. Porquê este interesse no carbono? Porque este elemento é o mais frequente no universo e tem formas de ligações estáveis. O carbono é, pois, a pista para saber em que locais do sistema solar a vida pode ter existido.

A grande aposta de Zita para um local no universo onde possa existir vida são as luas geladas de Júpiter e Saturno, planetas com muitas camadas de gelo, mas com um ocenao líquido.

Já sobre o presente e futuro da Astrobiologia em Portugal, Zita Martins diz que há ainda alguma “falta de visão” para que esta área de investigação se estabeleça em Portugal e ela está aberta a essa possibilidade.

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