Fármacos

Entre as virtudes da natureza, existe uma que raramente temos em conta: a sua comprovada capacidade curativa. Os efeitos benéficos das substâncias naturais derivadas de plantas, animais e minerais que nos rodeiam colaboram na tenaz insistência do Homem em resistir às doenças. A medicina, em conjunto com a física, a química e a biologia, conseguiu isolar essas substâncias para elaborar os fármacos e dar solução à dor e, inclusivamente, curar definitivamente uma doença. Por isso, quando nos dói muito a cabeça, estamos muito engripados ou sentimos uma dor abdominal que nos incomoda durante vários dias, o melhor é ir ao médico, que, na maioria das vezes, nos receitará um medicamento.

Quando isso acontece, confiamos que ao adquiri-lo e administra-lo no nosso corpo corrigiremos o estado de doença pelo qual consultámos o profissional. As bases desta confiança recaem nos complexos e extensos estudos prévios que se realizaram com a substância em questão, que certificam a sua segurança e a sua ação.

O desenvolvimento de fármacos compreende múltiplos aspetos onde intervêm cientistas de diferentes especialidades, e implica também vários anos de ensaios até que um médico possa receitá-lo no seu consultório. Em primeiro lugar, é preciso compreender a natureza e as manifestações da doença, entendendo os seus componentes ambientais e genéticas, e verificando se se encontram envolvidas outras entidades tais como os micróbios. Conhecido o fenótipo anormal que se deseja corrigir, é vital estudar como é possível a sua correção, e se para isso é necessário administrar substâncias não produzidas pelo indivíduo. É aqui que surgem os fármacos, esses compostos naturais ou artificiais que colaboram na normalização dos processos metabólicos, que ajudam a reparar tecidos e órgãos, que nos aliviam a dor, aumentam as nossas defesas ou matam os micróbios que nos invadem.

Onde obtê-los ou como produzi-los; como administrá-los; que efeitos benéficos produzem; quais os efeitos negativos; quanto duram os benefícios; são perguntas a que é necessário responder e que guiam as etapas experimentais no desenvolvimento de fármacos.

O ponto de partida da investigação farmacológica é a procura de uma substância que, em princípio, surta o efeito desejado, apesar de algumas das suas propriedades poderem ou inclusivamente deverem ser melhoradas. Os produtos deste tipo descobrem-se por casualidade, por intuição ou mediante uma procura sistemática.

Muitos dos novos caminhos terapêuticos devem-se à casualidade. O desenvolvimento dos diuréticos, por exemplo, sofreu um impulso decisivo ao descobrir-se, por acaso, que um composto de mercúrio com o qual se estava a tratar um paciente afetado por uma doença venérea, quadruplicava e até quintuplicava a secreção de urina.

“Um caso fortuito, pôs nas nossas mãos um preparado no qual descobrimos um efeito antipirético extraordinário.” Por estas palavras, começou um artigo publicado em 1867 na prestigiosa revista Centralblatt fur Klinische Medizin que se intitula “A antifebrina, um novo antipirético.” Nele se descreve qua ao confundir-se, por equívoco, naftalina com acetanilida, se descobriu que esta substância possuía propriedades antipiréticas insuspeitadas. Como é fácil supor, depois desta descoberta, intensificou-se a investigação no campo das substâncias antipiréticas e analgésicas.

Não obstante, em muitas ocasiões, o acaso por si só não vale nada se não está unido à intuição do investigador. A descoberta da penicilina constitui um exemplo típico. Em 1928, o bacteriologista inglês Alexander Fleming observou que num dos recipientes em que cultivou bactérias, se tinham formado também fungos não desejados e que em redor destas colónias apareciam zonas isentas de bactérias. Provavelmente outros investigadores ter-se-iam limitado a deitar fora esse recipiente. Fleming, pelo contrário, intuiu a importância do processo e decidiu identificar essa substância misteriosa produzida pelos fungos que impedia a propagação das bactérias. Foram necessários dezasseis anos de trabalho árduo, até que se conseguisse isolar a forma natural desse composto a que se chamou “penicilina”. Esta descoberta não foi obra de uma só pessoa, mas de muitos investigadores que trabalhavam na Universidade e na indústria farmacêutica.

Ainda que se observe grandes êxitos no passado e no presente da farmacologia, não é possível esquecer que ainda existem muitas doenças para as quais não há uma terapia eficaz.

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