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Padre Himalaya – O inventor do “Pirelióforo”

Padre Himalaya, nome de batismo Manuel António Gomes, recebeu a alcunha de Himalaya, devido à sua altura.

Ele era um padre, mas como muitos clérigos da altura (Por ex. Greg Mendel, conhecido como o pai da genética) dedicava-se à ciência, tendo sido um dos pioneiros na investigação da energia solar.

Ele esteve em Paris, onde estudou matemática e a astronomia com Marcellin Berthelot. Aí começou a desenvolver um aparelho para a obtenção de altas temperaturas através da captação das radiações solares. Ele foi desenvolvendo este primeiro aparelho – “protótipo” – até chegar ao “Pirelióforo” – — ou seja, “eu trago o fogo do Sol” —, com o qual conseguiu obter uma temperatura de 3500º Celsius, à qual fundem todos os metais e quase todas as rochas. O desenvolvimento do aparelho, não era barato, no entanto conseguiu o apoio financeiro de vários particulares, nacionais e estrangeiros, tendo o Governo português de então contribuído com “apoio moral”.

O Pirelióforo era um aparelho de 13 metros com milhares de espelhos refletores com uma área superficial de 80 metros quadrados que concentrava a energia solar e com isso conseguia atingir as temperaturas de 3500º Celsius referidas em cima.

Em 1904, levou este aparelho à Exposição Universal de Saint Louis (EUA), onde foi a estrela da exposição com a obtenção do 1º prémio, apesar de não fazer parte da comitiva portuguesa.

No entanto, ele não se ficou pela astronomia. Ele dedicou-se ao desenvolvimento sustentável, acreditando que a energia solar e outras fontes de energia renováveis poderiam ser as energias do futuro. Ele criou aparelhos que usavam energias das marés para produzir energia elétrica e aparelhos para filtrar o lixo industrial. O padre Himalaya também mostrou a importância da reflorestação e a criação de centrais hidroelétricas em Portugal.

Isto parece pouco, mas o Padre Himalaya era um visionário e em 1909, ele já tinha apresentado um esboço de uma ponte sobre o Rio Tejo, onde está a Ponte Vasco da Gama. Esta ponte teria um sistema de turbinas para utilizar a água do rio em energia elétrica para iluminara Lisboa.

Este é uma história de um português à frente do seu tempo, sendo um dos primeiros a pensar na sustentabilidade e no entanto morreu sem alcançar uma grande notoriedade na sua época.

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Podem ver as imagens do Pirelióforo aqui : http://asasdeferro-suplementos.blogspot.com/2015/10/o-padre-himalaya-e-o-pyrheliophero.html.

Vacinar – sim ou não?

Vacinas… Este é um dos temas mais falados dos últimos tempos: devemos ou não vacinar as nossas crianças?

Para respondermos a fundo a esta questão é preciso estudar a fundo as vacinas, o que é e a sua função, como são feitas e como atuam, assim como os riscos e benefícios do seu uso. Este será basicamente o curso deste post.

Comecemos por uma definição de “vacina” – trata-se de um produto biológico que oferece imunidade adquirida como intuito de estimular o sistema imunológico tornando, assim, o organismo mais resistente a determinados agentes patológicos. As vacinas contêm ainda conservantes e estabilizantes para proteger os organismos de condições adversas (frio, calor, alterações do pH) ou aumentar o estímulo para a produção de anticorpos.

Quando um bebé nasce não possui todas as defesas necessárias para combater infeções, assim, as vacinas ajudam na estimulação do sistema imunológico do organismo. Tal ajuda a que o bebé possa crescer saudável e ter um desenvolvimento adequado.

O Ministério da Saúde Português tem um plano de vacinação atualizado e que pode ser consultado aqui.

A principal contraindicação para a vacinação é uma reação alérgica que já tenha acontecido anteriormente; esta é caraterizada por edema, urticária, broncoespasmos ou mesmo um choque anafilático que ocorrem imediatamente ou nas primeiras horas após a vacinação. Estes casos são extremamente raros (ocorrem em 1 em cada 100 000 pessoas). Podem também ser contraindicado em pacientes com imunodeficiência ou pacientes que tenham feito um transplante de medula, contudo, estas opções DEVEM ser discutidas com o respetivo médico.

Pode ainda ser recomendável adiar a vacinação, caso o paciente tenha uma patologia aguda que coloque o seu estado em risco.

O próximo vídeo explica como a vacinação ocorre:

 

A vacinação é um dos atos mais importante para nós e para os que vivem à nossa volta. Eu sou pela vacinação!

MathGurl

Olá,

Provavelmente já ouviram falar da MathGurl, mas ouvirem mais uma vez não faz mal nenhum!

MathGurl é a um canal de YouTube que fala de matemática de maneira divertida e com sotaque vimaranense!

A autora do canal é a Inês Guimarães, estudante de matemática da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e mostra a matemática à maneira dela! Sigam o canal:

Vejam aqui algumas reportagens sobre a MathGurl:

À Inês só me resta desejar a continuação de excelente vídeos!

Reitoria recebe a 2ª Gala de Aniversário PubhD Porto e destaca comunidade de estudantes internacionais

via Reitoria recebe a 2ª Gala de Aniversário PubhD Porto e destaca comunidade de estudantes internacionaiscartaz-2a-gala-pubhd-porto_pequeno

O PubhD Porto completa dois anos de actividade e há festa na Reitoria da Universidade do Porto, para celebrar a Ciência. O encontro está marcado para o dia 31 de Janeiro, às 18h, no Salão Nobre e contará com a presença de Pedro Rodrigues, Vice-Reitor para a Investigação, inovação e internacionalização, de Maria de Lourdes Fernandes, Vice- Reitora para a Formação, organização académica e relações internacionais e de Fátima Vieira, Vice- Reitora para a Cultura, Uporto Edições e Museus.

A 2ª Gala de Aniversário do PubhD Porto destaca a comunidade internacional de doutorandos nas instituições de ensino superior do Porto. Engenharia Civil, Comunicação e Media Digitais e Medicina e Oncologia Molecular são as três áreas apresentadas ao público por três estudantes de doutoramento. Diego Calvetti, doutorando em Engenharia Civil na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP)  vem falar-nos sobre como melhorar e monitorar a produtividade de trabalhadores de construção civil. Para sabermos mais e quais as últimas tendências em vídeo participativo, storytelling e literacia mediática, teremos Dorneles Neves, do programa doutoral em media digitais,da FEUP. Naiara Neves, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), traz-nos o tema da Saúde oral, mais concretamente sobre perda dentária, hiperfosfatemia e variação do FGF 23 em pacientes com insuficiência renal crónica.

Esta edição contará ainda com um momento musical protagonizado por duas alunas da Academia de Música de Vilar do Paraíso, Helena Lopes e Inês Francisco que apresentarão peças tocadas em harpa.

O PubhD (pub de bar e PhD de doutoramento) é um movimento internacional de divulgação de ciência que surgiu em Nottingham (2014) e chegou a Portugal em 2015 (Lisboa). Por iniciativa de três investigadores de instituições de ensino superior do Porto, Filipa M. Ribeiro, Nuno Francisco e Ricardo Ferraz, esse movimento chegou à cidade do Porto em Janeiro de 2017 com o objectivo de dar voz à investigação dos jovens cientistas e divulgar, de forma criativa e informal, a investigação científica mais actual. O PubhD Porto tem uma frequência mensal, acontecendo sempre na última quinta-feira de cada mês.

Mais informações:

https://www.facebook.com/PortoPubhd/
https://pubhdporto.wordpress.com/

“A Ciência passa, a poesia fica”

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Semicerrou os olhos quando as canções ecoaram pelo átrio amplo repleto de jovens cientistas para ouvir a estória por detrás do currículo de Maria de Sousa. Ouviu-se, então, Amália e José Afonso. “Só vim aqui porque tiveram a gentileza de me convidar, mas acredito piamente que a opinião e a vida de um velho não tem qualquer utilidade para os mais novos”, começou por dizer naquele tom que ela própria já sabe pretender abanar a audiência. Estava aberta a última sessão do ano de “The story behind the CV”, uma iniciativa do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), que consiste em conversas informais com cientistas inspiradores com um foco no seu percurso profissional.

Maria de Sousa, uma referência na área da Imunologia, e a quem ninguém fica indiferente face ao seu estilo confontativo e ‘fino como um alho’. Maria de Sousa trabalhou em Inglaterra, Escócia e Estados Unidos. Regressou a Portugal em 1985 e, contra todas as probabilidades, trocou Lisboa pelo Porto tornando-se professora catedrática de Imunologia no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS). Em 2014, publicou o livro Meu Dito Meu Escrito com a sua visão sobre ciência e cientistas.

A oradora focou-se depois, precisamente, nessa decisão de vir para o Porto quando o expectável era que ficasse ou nos EUA ou em Lisboa. “A maior parte dos meus amigos portugueses achou um completo disparate a minha vinda para o Porto. Os meus amigos norte-americanos apenas disseram que se essa era a minha decisão, eles ajudariam no que pudessem. E ajudaram a pagar transporte de equipamento e até contas de electricidade. Nesse tempo havia essa entre-ajuda entre colegas. Agora é tudo muito mais competitivo”.

Dirigindo-se depois mais directamente aos jovens cientistas, ela diz que os doutorandos têm a responsabilidade de escolherem a área em que querem trabalhar “porque sem gosto isto de trabalhar na Ciência não vai lá”, os pós-docs devem ter a liberdade de  escolher onde querem trabalhar e os Investigadores Principais e chefes de grupo têm a enorme responsabilidade de promover uma cultura de abertura disciplinar e científica nos seus laboratórios.

“Saibam bem quem são os vossos amigos neste mundo da Ciência”

E voltou a frisar o que já disse noutras entrevistas: “Aquilo que nós devemos preparar nos nossos alunos é a capacidade de aprender. Portanto o que você tem que saber é aprender. Não tem que saber o que já se sabe, quer dizer… tem que saber o que já se sabe, sim, mas com uma atitude de aprender outras coisas, de ser capaz de aprender o que vem a seguir. Se souber só uma coisa não vai a sítio nenhum, fica escravo daquilo que sabe. O que é importante é educar a capacidade de aprender, mas não é fácil”.

Quando interpelada por uma investigadora pós-doc sobre como manter a motivação e essa abertura científica em tempos de extrema competição por recursos sempre escassos, percebeu-se na resposta de Maria de Sousa que ela própria não sabe como equilibrar essa balança. “As coisas mudaram muito. Na Ciência e nesta profissão, temos de estar muito bem preparados para a mudança. No meu tempo ainda haviam menos recursos, não haviam concursos nem financiamento. Mas havia muita entreajuda entre cientistas”, referiu. “Acima de tudo, saibam bem quem são, de facto, os vossos amigos neste mundo da Ciência e cuidado com os vossos parceiros: já vi casais destruídos porque ambos eram muito competitivos até um com o outro, casais que se formaram para um tirar vantagem do outro e casais que foram à falência financeira e emocional”.

E, inesperadamente, Maria de Sousa apelou: “Escrevam poesia, tenham tempo para a poesia. A Ciência passa, mas a poesia fica. Mas para escrever poesia é preciso ter tempo para meditar no que está a acontecer. Não ser uma escravo do trabalho, ter tempo para se retirar e meditar. É preciso tempo para não fazer nada e apenas meditar”. Não vale a pena viver sempre a correr de tarefa em tarefa. A vida não é isso”.

3 títulos, a mesma notícia

Nos dias 9 e 10 de novembro, os jornais Diário de Notícias, Jornal de Notícias e Observador publicaram uma notícia sobre o quilograma:

DN:  https://www.dn.pt/vida-e-futuro/interior/mudanca-a-caminho-um-quilo-vai-deixar-de-ser-um-quilo–10154607.html

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JN – https://www.jn.pt/inovacao/interior/quilograma-padrao-vai-passar-a-ser-definido-com-fisica-quantica-10159109.html

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https://observador.pt/2018/11/09/o-quilograma-vai-mudar-unidade-de-medida-deixara-de-depender-de-objeto-fisico-guardado-em-paris/

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Foram utilizados três  títulos distintos para comunicar a mesma informação, mas só um dos títulos é  verdadeiramente elucidativo.. .

Mas afinal, o que vai acontecer?

Basicamente o seguinte: vai deixar de se usar o objeto físico (o protótipo internacional do quilograma que está guardado no laboratório da Agência Internacional de Pesos e Medidas, em Sèvres) como padrão para o quilograma e passar-se a usar uma constante física, tal como já aconteceu com o metro.