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Reitoria recebe a 2ª Gala de Aniversário PubhD Porto e destaca comunidade de estudantes internacionais

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O PubhD Porto completa dois anos de actividade e há festa na Reitoria da Universidade do Porto, para celebrar a Ciência. O encontro está marcado para o dia 31 de Janeiro, às 18h, no Salão Nobre e contará com a presença de Pedro Rodrigues, Vice-Reitor para a Investigação, inovação e internacionalização, de Maria de Lourdes Fernandes, Vice- Reitora para a Formação, organização académica e relações internacionais e de Fátima Vieira, Vice- Reitora para a Cultura, Uporto Edições e Museus.

A 2ª Gala de Aniversário do PubhD Porto destaca a comunidade internacional de doutorandos nas instituições de ensino superior do Porto. Engenharia Civil, Comunicação e Media Digitais e Medicina e Oncologia Molecular são as três áreas apresentadas ao público por três estudantes de doutoramento. Diego Calvetti, doutorando em Engenharia Civil na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP)  vem falar-nos sobre como melhorar e monitorar a produtividade de trabalhadores de construção civil. Para sabermos mais e quais as últimas tendências em vídeo participativo, storytelling e literacia mediática, teremos Dorneles Neves, do programa doutoral em media digitais,da FEUP. Naiara Neves, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), traz-nos o tema da Saúde oral, mais concretamente sobre perda dentária, hiperfosfatemia e variação do FGF 23 em pacientes com insuficiência renal crónica.

Esta edição contará ainda com um momento musical protagonizado por duas alunas da Academia de Música de Vilar do Paraíso, Helena Lopes e Inês Francisco que apresentarão peças tocadas em harpa.

O PubhD (pub de bar e PhD de doutoramento) é um movimento internacional de divulgação de ciência que surgiu em Nottingham (2014) e chegou a Portugal em 2015 (Lisboa). Por iniciativa de três investigadores de instituições de ensino superior do Porto, Filipa M. Ribeiro, Nuno Francisco e Ricardo Ferraz, esse movimento chegou à cidade do Porto em Janeiro de 2017 com o objectivo de dar voz à investigação dos jovens cientistas e divulgar, de forma criativa e informal, a investigação científica mais actual. O PubhD Porto tem uma frequência mensal, acontecendo sempre na última quinta-feira de cada mês.

Mais informações:

https://www.facebook.com/PortoPubhd/
https://pubhdporto.wordpress.com/

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“A Ciência passa, a poesia fica”

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Semicerrou os olhos quando as canções ecoaram pelo átrio amplo repleto de jovens cientistas para ouvir a estória por detrás do currículo de Maria de Sousa. Ouviu-se, então, Amália e José Afonso. “Só vim aqui porque tiveram a gentileza de me convidar, mas acredito piamente que a opinião e a vida de um velho não tem qualquer utilidade para os mais novos”, começou por dizer naquele tom que ela própria já sabe pretender abanar a audiência. Estava aberta a última sessão do ano de “The story behind the CV”, uma iniciativa do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), que consiste em conversas informais com cientistas inspiradores com um foco no seu percurso profissional.

Maria de Sousa, uma referência na área da Imunologia, e a quem ninguém fica indiferente face ao seu estilo confontativo e ‘fino como um alho’. Maria de Sousa trabalhou em Inglaterra, Escócia e Estados Unidos. Regressou a Portugal em 1985 e, contra todas as probabilidades, trocou Lisboa pelo Porto tornando-se professora catedrática de Imunologia no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS). Em 2014, publicou o livro Meu Dito Meu Escrito com a sua visão sobre ciência e cientistas.

A oradora focou-se depois, precisamente, nessa decisão de vir para o Porto quando o expectável era que ficasse ou nos EUA ou em Lisboa. “A maior parte dos meus amigos portugueses achou um completo disparate a minha vinda para o Porto. Os meus amigos norte-americanos apenas disseram que se essa era a minha decisão, eles ajudariam no que pudessem. E ajudaram a pagar transporte de equipamento e até contas de electricidade. Nesse tempo havia essa entre-ajuda entre colegas. Agora é tudo muito mais competitivo”.

Dirigindo-se depois mais directamente aos jovens cientistas, ela diz que os doutorandos têm a responsabilidade de escolherem a área em que querem trabalhar “porque sem gosto isto de trabalhar na Ciência não vai lá”, os pós-docs devem ter a liberdade de  escolher onde querem trabalhar e os Investigadores Principais e chefes de grupo têm a enorme responsabilidade de promover uma cultura de abertura disciplinar e científica nos seus laboratórios.

“Saibam bem quem são os vossos amigos neste mundo da Ciência”

E voltou a frisar o que já disse noutras entrevistas: “Aquilo que nós devemos preparar nos nossos alunos é a capacidade de aprender. Portanto o que você tem que saber é aprender. Não tem que saber o que já se sabe, quer dizer… tem que saber o que já se sabe, sim, mas com uma atitude de aprender outras coisas, de ser capaz de aprender o que vem a seguir. Se souber só uma coisa não vai a sítio nenhum, fica escravo daquilo que sabe. O que é importante é educar a capacidade de aprender, mas não é fácil”.

Quando interpelada por uma investigadora pós-doc sobre como manter a motivação e essa abertura científica em tempos de extrema competição por recursos sempre escassos, percebeu-se na resposta de Maria de Sousa que ela própria não sabe como equilibrar essa balança. “As coisas mudaram muito. Na Ciência e nesta profissão, temos de estar muito bem preparados para a mudança. No meu tempo ainda haviam menos recursos, não haviam concursos nem financiamento. Mas havia muita entreajuda entre cientistas”, referiu. “Acima de tudo, saibam bem quem são, de facto, os vossos amigos neste mundo da Ciência e cuidado com os vossos parceiros: já vi casais destruídos porque ambos eram muito competitivos até um com o outro, casais que se formaram para um tirar vantagem do outro e casais que foram à falência financeira e emocional”.

E, inesperadamente, Maria de Sousa apelou: “Escrevam poesia, tenham tempo para a poesia. A Ciência passa, mas a poesia fica. Mas para escrever poesia é preciso ter tempo para meditar no que está a acontecer. Não ser uma escravo do trabalho, ter tempo para se retirar e meditar. É preciso tempo para não fazer nada e apenas meditar”. Não vale a pena viver sempre a correr de tarefa em tarefa. A vida não é isso”.

3 títulos, a mesma notícia

Nos dias 9 e 10 de novembro, os jornais Diário de Notícias, Jornal de Notícias e Observador publicaram uma notícia sobre o quilograma:

DN:  https://www.dn.pt/vida-e-futuro/interior/mudanca-a-caminho-um-quilo-vai-deixar-de-ser-um-quilo–10154607.html

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JN – https://www.jn.pt/inovacao/interior/quilograma-padrao-vai-passar-a-ser-definido-com-fisica-quantica-10159109.html

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https://observador.pt/2018/11/09/o-quilograma-vai-mudar-unidade-de-medida-deixara-de-depender-de-objeto-fisico-guardado-em-paris/

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Foram utilizados três  títulos distintos para comunicar a mesma informação, mas só um dos títulos é  verdadeiramente elucidativo.. .

Mas afinal, o que vai acontecer?

Basicamente o seguinte: vai deixar de se usar o objeto físico (o protótipo internacional do quilograma que está guardado no laboratório da Agência Internacional de Pesos e Medidas, em Sèvres) como padrão para o quilograma e passar-se a usar uma constante física, tal como já aconteceu com o metro.

A espécie escolhida

 

 

No seu livro analisam, através de novas provas genéticas, um dos aspetos mais controversos no domínio da paleontologia humana: a origem da humanidade moderna.

A principal causa da existência de hipóteses contraditórias relativamente à origem dos humanos modernos é a natureza do registo fóssil. Os paleontólogos tentam decifrar um processo que teve lugar ao longo de centenas de milhares de an

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Imagem retirada de https://www.fnac.pt/La-Especie-Elegida-Juan-Luis-Arsuaga/a711518

os em três continentes e que envolveu milhares de indivíduos. Para realizar uma tarefa desta envergadura contam exclusivamente com meia dúzia de fósseis, na sua maioria fragmentados, isolados e dispersos no tempo e no espaço. Não há dúvida de que são mais as lacunas do registo, do que os aspetos que se conhecem.

A descoberta de novos fósseis, a sua datação e o conhecimento cada vez mais profundo da biologia das espécies, são ferramentas fundamentais para os paleontólogos comprovarem as suas hipóteses. Trata-se, porém, de um processo lento e tortuoso, que depende em boa medida do acaso dos achados paleontológicos. O ideal seria poder recorrer a dados procedentes de uma área independente da paleontologia para pôr à prova as hipóteses surgidas dos estudos fósseis, mas onde procurar dados?

Os estudos genéticos dedicados ao esclarecimento da origem da humanidade moderna visam determinar a sua estrutura genética atual, a partir da qual é possível inferir sobre o “como”, o “quando” e o “onde” da nossa origem. Estes estudos centraram a atenção na molécula responsável pelo legado biológico, o ácido desoxirribonucleico (ADN), que tem na sua estrutura química, em código, a informação necessária para assegurar a continuidade das espécies. O ADN das células está organizado em unidades individualizadas chamadas cromossomas, que no caso das células animais se encontram alojadas no interior do núcleo celular. Cada espécie tem um número determinado de cromossomas. No que se refere aos humanos, estes têm 23 23 pares distintos de cromossomas homólogos.

O ADN das mitocôndrias de qualquer uma das nossas células pode identificar-se com um único antecessor em cada geração: a mãe, a avó materna, apenas uma das quatro bisavós, e assim sucessivamente. Apesar de não ter sido o primeiro trabalho publicado sobre a variação mitocondrial em humanos, artigo publicado no primeiro dia do ano de 1987 na revista Nature e assinado por Rebeca Cann, Mark Stoneking e Allan Wilson representou uma verdadeira reviravolta nos estudos sobre a origem da humanidade moderna.