Arquivo da categoria: Ciência e Sociedade

3 títulos, a mesma notícia

Nos dias 9 e 10 de novembro, os jornais Diário de Notícias, Jornal de Notícias e Observador publicaram uma notícia sobre o quilograma:

DN:  https://www.dn.pt/vida-e-futuro/interior/mudanca-a-caminho-um-quilo-vai-deixar-de-ser-um-quilo–10154607.html

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JN – https://www.jn.pt/inovacao/interior/quilograma-padrao-vai-passar-a-ser-definido-com-fisica-quantica-10159109.html

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https://observador.pt/2018/11/09/o-quilograma-vai-mudar-unidade-de-medida-deixara-de-depender-de-objeto-fisico-guardado-em-paris/

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Foram utilizados três  títulos distintos para comunicar a mesma informação, mas só um dos títulos é  verdadeiramente elucidativo.. .

Mas afinal, o que vai acontecer?

Basicamente o seguinte: vai deixar de se usar o objeto físico (o protótipo internacional do quilograma que está guardado no laboratório da Agência Internacional de Pesos e Medidas, em Sèvres) como padrão para o quilograma e passar-se a usar uma constante física, tal como já aconteceu com o metro.

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A espécie escolhida

 

 

No seu livro analisam, através de novas provas genéticas, um dos aspetos mais controversos no domínio da paleontologia humana: a origem da humanidade moderna.

A principal causa da existência de hipóteses contraditórias relativamente à origem dos humanos modernos é a natureza do registo fóssil. Os paleontólogos tentam decifrar um processo que teve lugar ao longo de centenas de milhares de an

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Imagem retirada de https://www.fnac.pt/La-Especie-Elegida-Juan-Luis-Arsuaga/a711518

os em três continentes e que envolveu milhares de indivíduos. Para realizar uma tarefa desta envergadura contam exclusivamente com meia dúzia de fósseis, na sua maioria fragmentados, isolados e dispersos no tempo e no espaço. Não há dúvida de que são mais as lacunas do registo, do que os aspetos que se conhecem.

A descoberta de novos fósseis, a sua datação e o conhecimento cada vez mais profundo da biologia das espécies, são ferramentas fundamentais para os paleontólogos comprovarem as suas hipóteses. Trata-se, porém, de um processo lento e tortuoso, que depende em boa medida do acaso dos achados paleontológicos. O ideal seria poder recorrer a dados procedentes de uma área independente da paleontologia para pôr à prova as hipóteses surgidas dos estudos fósseis, mas onde procurar dados?

Os estudos genéticos dedicados ao esclarecimento da origem da humanidade moderna visam determinar a sua estrutura genética atual, a partir da qual é possível inferir sobre o “como”, o “quando” e o “onde” da nossa origem. Estes estudos centraram a atenção na molécula responsável pelo legado biológico, o ácido desoxirribonucleico (ADN), que tem na sua estrutura química, em código, a informação necessária para assegurar a continuidade das espécies. O ADN das células está organizado em unidades individualizadas chamadas cromossomas, que no caso das células animais se encontram alojadas no interior do núcleo celular. Cada espécie tem um número determinado de cromossomas. No que se refere aos humanos, estes têm 23 23 pares distintos de cromossomas homólogos.

O ADN das mitocôndrias de qualquer uma das nossas células pode identificar-se com um único antecessor em cada geração: a mãe, a avó materna, apenas uma das quatro bisavós, e assim sucessivamente. Apesar de não ter sido o primeiro trabalho publicado sobre a variação mitocondrial em humanos, artigo publicado no primeiro dia do ano de 1987 na revista Nature e assinado por Rebeca Cann, Mark Stoneking e Allan Wilson representou uma verdadeira reviravolta nos estudos sobre a origem da humanidade moderna.