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As alterações climáticas e as espécies

As glaciações foram o elemento climático mais característico dos últimos dois milhões de anos da história do nosso planeta. A influência deste fenómeno é tão grande que marca o início de um período geológico que é designado por Quaternário.

Foi neste período que se deu a evolução da espécie humana.

Quando se estuda o aparecimento de diversas espécies de hominídeos, bem como a sua distribuição geográfica ou as peculiaridades anatómicas que podem dar resposta a diferentes adaptações, dedica-se uma atenção especial às variações climáticas, na medida em que estas influenciam decisivamente as migrações, o tipo de vegetação e de alimentos que podem obter-se em determinadas zonas e, inclusivamente, o tipo de refúgio e vestuário que são necessários à sobrevivência.

Durante a história da Terra registaram-se sete episódios – porventura mais – de vastas glaciações nas eras Pré-câmbrica e Paleozóica. Chama-se Quaternário ao período que compreende os últimos 2,5 milhões de anos. Tudo o que se refere à evolução humana registou-se neste período, que se distingue pelo arrefecimento do planeta e pela diminuição do valor médio da precipitação.

O período Quaternário divide-se, por sua vez, em duas épocas geológicas: o Pleistoceno e o Holoceno. Durante o Pleistoceno (que vai dos 2,5 milhões de anos aos 11784 anos antes do presente) os períodos glaciares (quando a temperatura baixa) alternaram com períodos interglaciares (quando a temperatura sobe), intervalos entre os 40 000 e os 100 000 anos Antes do Presente. Nas épocas mias frias, os gelos cobriam grandes extensões no norte e no sul do planeta, e em épocas mais temperadas, as águas geladas cingiam-se às imediações dos pólos ou às regiões de altas montanhas. Estas oscilações climáticas tiveram uma grande influência na distribuição dos seres vivos. A diferença da temperatura média entre um período quente e um período frio é de apenas 4 a 7ºC, mas o seu efeito é contundente: os glaciares avançam em direção ao Equador ou retrocedem milhares de quilómetros. Estas alterações nas grandes massas de gelo afetam o nível do mar (que pode subir ou descer várias dezenas de metros), o caudal dos rios, a distribuição da pluviosidade e o clima de uma forma geral.

O Holoceno, que teve início há pouco menos de 12 000 anos, é um período interglaciar durante o qual grandes massas de gelo se derreteram, o que levou à subida do nível dos mares mais de 120 cm e causou a inundação de grandes porções da superfície terrestre.

Há 2,8 milhões de anos, o clima de África foi seriamente afetado por estas oscilações climáticas e as florestas deram lugar à savana, processo que não parou desde então. As espécies que conseguiram adaptar-se aos ambientes áridos foram favorecidas, o que pode ter sucedido, por exemplo, no caso dos hominídeos, que saíram de África há cerca de um milhão de anos e chegaram à Europa, onde, durante o Pleistoceno, colonizaram o continente.

A atividade científica

Existe um grade número de definições das ciências, podendo distinguir-se três níveis. Num primeiro nível, muito geral, as ciências designam conjuntos organizados de conhecimentos relativos a certas categorias de enunciados de observações ou de fenómeno. Trata-se nesta altura de ciências biológicas, de ciências sociais, de ciências políticas, de ciência físicas, de ciências da educação, etc.

No segundo nível as ciências designam, além do que procede, um método racional e rigoroso que permite alcançar determinados saberes a respeito de enunciados de observações e de fenómenos. Este método atribui um papel de primeiro plano à experimentação.

Num terceiro nível, o mais pertinente quando se trata de ciências físicas, biológicas, da Terra e do Espaço, as ciências designam o método experimental e os saberes que esse método permite adquirir, nos domínios do universo material e do universo vivo. Esta última linha de pensamento compreende dois aspetos: o método e os saberes. O método corresponde a um conjunto de ações: procurar semelhanças, observar, emitir hipóteses, resolver problemas. Os saberes são o resultado da aplicação deste método: os enunciados de observações, os conceitos, as leis, as teorias e os modelos.

Todas as ciências apresentam determinadas características comuns. As ciências procuram primeiro descrever com fidelidade, de uma maneira sistemática, corpos, organismos ou fenómenos. Durante o seu desenvolvimento qualquer ciência conhece geralmente uma primeira fase durante a qual a descrição ocupa um lugar preponderante. Nos séculos XVI e XVII, por exemplo, a botânica e a biologia consistiam, sobretudo, em descrever e classificar as plantas e os animais.

As ciências pretendem em seguida explicar, ao estabelecer leis gerais a partir dos fenómenos observados. Essas leis são verificadas por experiências controladas. Uma ciência que relega para segundo plano o seu papel descritivo e começa a enunciar leis explicativas que podem ser verificadas de uma maneira experimental atingiu uma certa maturidade.

Chegada a uma fase de desenvolvimento relativamente avançada, a ciência pode nessa altura predizer determinados acontecimentos e fenómenos. Uma excelente maneira de verificar o valor de uma lei científica consiste em utilizá-la para formular uma predição. A predição da descoberta do planeta Neptuno ou a predição do desvio da luz de uma estrela pelo Sol são exemplos célebres.

carl sagan

Associamos muitas vezes as ciências a uma atividade de especialista, que decorre em laboratório. Acontece-nos a todos, contudo, como o Sr. João em o Burguês Fidalgo, que fazia prosa sem o saber, encontrar respostas para  as nossas perguntas de uma maneira científica. Fazer variar alternadamente as quantidades de água, de luz e de adubo dadas a uma planta doente até ela ficar com melhor aspeto, ou modificar a quantidade de açúcar ou de manteiga de uma receita de bolo até que o sabor nos satisfaça, são exemplos de experimentação controlada.

É preciso admitir, contudo, que as ciências exigem um esforço intelectual especial. Além do facto que recorrem a um linguagem científica simbólica e matemática, as ciências implicam muitas vezes uma profunda modificaçã

o das maneiras de encarar o mundo. Qualquer pessoa que estude as ciências deve questionar as suas conceções habituais e reconstruir, pouco a pouco, conceitos mais abstratos e mais complexos. Por exemplo, se deixarmos cair ao mesmo tempo uma grande rocha e uma pequena rocha elas chegam ao chão ao mesmo tempo.

Além disso, alguns objetos muito pesados flutuam, enquanto outros, muito leves, vão ao fundo. A observação de fenómenos com estes pode conduzir a pôr em questão certas conceções.

UM POUCO SOBRE MIM

O Politécnico do Porto tem um rubrica intitulada “Um de Nós”. Esta é uma rubrica que procura mostrar um pouco mais sobre os rostos do Politécnico do Porto. Uma das pessoas escolhidas fui eu. Vejam o resultado:

QUANDO COMEÇOU A SUA LIGAÇÃO À ESCOLA?

A minha ligação há ESS começou em 2002 como equiparado a assistente para dar aulas práticas de Química.

COMO RECORDA OS PRIMEIROS TEMPOS NA INSTITUIÇÃO? 

Recordo que me confundiam muitas vezes com um aluno! Mas nos primeiros tempos andava com muitas dúvidas, Por um lado estava orgulhoso e contente por poder ensinar Química, por outro lado estava receoso de não ser competente o suficiente e se seria aquilo que eu queria fazer no futuro. Também tivemos problemas com as instalações, o que tornava tudo aquilo mais assustador. No entanto esses problemas ajudaram-me a conhecer melhor as pessoas e a aproximar-me delas. Foi uma espécie de Team Building.

O QUE TORNA O TEU TRABALHO ESPECIAL?

Ver os alunos a crescer e a formarem-se! É gratificante encontrá-los alguns anos depois e saber que estão a trabalhar e satisfeitos com esse trabalho!

O QUE TORNA ESTA ESCOLA ÚNICA?

  O ADN da escola, mas também a própria envolvência onde a Escola cresceu, os nomes que já teve e os próprios edifícios por onde passou.

O QUE MAIS MUDOU NESTES ÚLTIMOS ANOS?

Em termos de aulas: Comecei a dar aulas com recurso a acetatos/transparências,; atualmente, é sempre com powerpoint, e já vou tentando utilizar o vídeo para me preparar para o futuro.Em termos de contacto com os alunos: no início, o contacto era feito, essencialmente, no ambiente formal do gabinete; hoje em dia, o habitual é ser feito através de e-mail. Em termos de instituição: deixamos de oferecer apenas cursos de licenciatura de Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica, já temos licenciaturas em Biotecnologia Medicinal, mestrados e até, embora em parceria, Doutoramentos.Enfim, a mudança tem sido constante.

APRESENTE UM EPISÓDIO MARCANTE? 

A criação da licenciatura de Biotecnologia Medicinal. A criação deste curso mostrou que se trabalharmos bem e em equipa, que se não desistimos à primeira contrariedade, nem à segunda, nem à terceira e que se formos à luta, de certeza que vamos ter sucesso.

UMA IDEIA PARA O FUTURO?

Tentar reduzir a burocracia e tentar aumentar a dinâmica entre as diversas Escolas do Politécnico.

 

 

MathGurl

Olá,

Provavelmente já ouviram falar da MathGurl, mas ouvirem mais uma vez não faz mal nenhum!

MathGurl é a um canal de YouTube que fala de matemática de maneira divertida e com sotaque vimaranense!

A autora do canal é a Inês Guimarães, estudante de matemática da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e mostra a matemática à maneira dela! Sigam o canal:

Vejam aqui algumas reportagens sobre a MathGurl:

À Inês só me resta desejar a continuação de excelente vídeos!

A civilização a partir das suas plantas (ou vice-versa)

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Este não é livro para se ler, mas para se saborear, como se estivéssemos a tomar um chá com o autor e ele nos fosse contando histórias e estórias, de forma tranquila e ligeira, a propósito de algumas das plantas que também pontuam a história da nossa civilização.

Luiz Mors Cabral conseguiu um livro difícil de arrumar em alguma categoria literára, não é um livro científico nem d divulgação de ciência; conseguiu a proeza rara de ter uma obra com 0% de eruditismo e 100% de acessibilidade a qualquer leitor. É, como o próprio autor apresenta, um livro que conta histórias da relação entre a splantas e alguns dos momentos marcantes da história da Humanidade.

Luiz Mors Cabral é professos adjunto na Universidade Federal Fluminense, é licenciado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2003), mestre em Química Biológica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2005) e doutorado em Química Biológica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2009). Não é surpreende que, na sua investigação, privilegie a Biologia Molecular de Plantas. Mas o seu livro é um perfeito exemplo do casamento entre as ciências e as humanidades

Em cada capítulo, o autor, num estilo bem coloquial, recorda episódios do seu percurso académico que o levaram a encontrar-se com algum pormenor sobre uma determinada planta, dando o mote para ele nos contar algumas peculiaridades sobre as mesmas. Por exemplo, sabiam que o formato que hoje conhecemos do coração vem de uma vagem com o invulgar nome laserpício? Sabiam que a maçã já teve uma péssima reputação nos EUA e esteve ligada à Lei Seca? Ou que a canela, que não é originária do Brasil, está relacionada com a descoberta do Amazonas? E que o pigmento de amarelo indiano tão usado por artistas europeus provinha da urina de vacas exclusivamente alimentadas com folhas de mangueira, na Índia? E até a descoberta da aspirina se transforma numa aliciante aventura neste livro.

Dá, então, para perceber porque o subtítulo da obra é: fascinantes histórias de etnobotânica. E Cabral introduz-nos, com este livro, e de forma bem prazeirosa, a essa disciplina que estuda simultaneamente a botânica e a etnologia.

A escrita de Cabral é bem-humorada, mas não deixa de comover nos capítulos em que fala do seu avô e como este o ajudou a fundar o Núcleo de Pesquisas de Produtos Naturais, da UFRJ.

E temos até direito a recordações de infância do autor:

“Meu gosto pelo estudo da origem das plantas tem muito a ver com o milho. Quando era pequeno, costumava brincar no milharal que havia no sítio do meu avô paterno. Ali, certa vez, encontrei um milho estranho, bem diferente dos demais (…). Ninguém soube me explicar que planta era aquela. A resposta só veio no final das férias, quando mostrei-a para meu avô materno, que era químico de produtos naturais. Ele analisou a haste com muito interesse e disse: ‘Isso é uma mutação atávica do milho! Por algum motivo esse milho voltou a ser parecido com o seu ancestral!’

Não se pode dizer que meu avô tenha resolvido o mistério. Antes, ele o substituiu por outro ainda maior e mais instigante. Este livro começou a nascer naquele momento, quando descobri que plantas tinham ancestrais e histórias.” (p.155)

Um aspecto menos positivo, porém, é a ausência de uma bibliografia que oriente o leitor a ir saber mais e de aprofundar mais alguns temas, pois ao autor tem o mérito de aguçar a curiosidade do leitor em ir pesquisar mais.

CABRAL, Luiz Mors. 2016. Plantas e civilização: fascinantes histórias da etnobotânica. Rio de Janeiro: Edições de Janeiro. (Ilustrações Carolina Engel.)