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A espécie escolhida

 

 

No seu livro analisam, através de novas provas genéticas, um dos aspetos mais controversos no domínio da paleontologia humana: a origem da humanidade moderna.

A principal causa da existência de hipóteses contraditórias relativamente à origem dos humanos modernos é a natureza do registo fóssil. Os paleontólogos tentam decifrar um processo que teve lugar ao longo de centenas de milhares de an

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Imagem retirada de https://www.fnac.pt/La-Especie-Elegida-Juan-Luis-Arsuaga/a711518

os em três continentes e que envolveu milhares de indivíduos. Para realizar uma tarefa desta envergadura contam exclusivamente com meia dúzia de fósseis, na sua maioria fragmentados, isolados e dispersos no tempo e no espaço. Não há dúvida de que são mais as lacunas do registo, do que os aspetos que se conhecem.

A descoberta de novos fósseis, a sua datação e o conhecimento cada vez mais profundo da biologia das espécies, são ferramentas fundamentais para os paleontólogos comprovarem as suas hipóteses. Trata-se, porém, de um processo lento e tortuoso, que depende em boa medida do acaso dos achados paleontológicos. O ideal seria poder recorrer a dados procedentes de uma área independente da paleontologia para pôr à prova as hipóteses surgidas dos estudos fósseis, mas onde procurar dados?

Os estudos genéticos dedicados ao esclarecimento da origem da humanidade moderna visam determinar a sua estrutura genética atual, a partir da qual é possível inferir sobre o “como”, o “quando” e o “onde” da nossa origem. Estes estudos centraram a atenção na molécula responsável pelo legado biológico, o ácido desoxirribonucleico (ADN), que tem na sua estrutura química, em código, a informação necessária para assegurar a continuidade das espécies. O ADN das células está organizado em unidades individualizadas chamadas cromossomas, que no caso das células animais se encontram alojadas no interior do núcleo celular. Cada espécie tem um número determinado de cromossomas. No que se refere aos humanos, estes têm 23 23 pares distintos de cromossomas homólogos.

O ADN das mitocôndrias de qualquer uma das nossas células pode identificar-se com um único antecessor em cada geração: a mãe, a avó materna, apenas uma das quatro bisavós, e assim sucessivamente. Apesar de não ter sido o primeiro trabalho publicado sobre a variação mitocondrial em humanos, artigo publicado no primeiro dia do ano de 1987 na revista Nature e assinado por Rebeca Cann, Mark Stoneking e Allan Wilson representou uma verdadeira reviravolta nos estudos sobre a origem da humanidade moderna.

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Encontre a Ursa!

Nesta imagem está “escondida” uma Ursa. Consegue vê-la?

bshFotografia tirada na Praia da Barrinha, Ria Formosa, Algarve em 29/08/2018.

A tonalidade alaranjada do céu logo acima do contorno do topo da duna é luz difundida proveniente dos holofotes com lâmpadas de sódio da pista do Aeroporto de Faro, situado atrás dessa duna e após um dos braços da Ria.

Obtido com Huawey P8 Lite, modo “pintura de luz”/ “rasto de estrelas”. Disparo: 13 seg. f/2,2  3,83mm ISO 800

Carlos Côrrea

Hoje o Prof. Carlos Côrrea faz 82 anos. PARABÉNS PROFESSOR!

Já falei diversas vezes do Prof. Carlos Côrrea, como podem ver aqui:

Hoje trago-vos uma notícia publicada no Diário de Notícias que mostra bem como o Prof. Carlos Corrêa é não só um Professor exemplar, mas também uma pessoa exemplar.

O engenheiro que foi bolseiro da Gulbenkian antes de haver bolsas

Esta notícia descreve o percurso da vida académica do Professor desde Barcelos até à Faculdade e como se tornou o primeiro bolseiro da Gulbenkian.

Na altura em que a Glubenkian lhe concedeu a bolsa, disseram-lhe que era um empréstimo. Pois bem, o Prof. Carlos Corrêa não se esqueceu de que era apenas esse empréstimo e, passados 63 anos fez as contas: “… e 60 contos recebidos em 1955 corresponderiam, a preços de hoje, a cerca de 15 mil euros. Escreveu ao Conselho de Administração a “pedir autorização
para devolver” o montante emprestado, com um objetivo: “dar a oportunidade, a outro
estudante, de beneficiar do que eu beneficiei”…

Ao contrário do que ele diz, ele não tinha “jeitinho para dar aulas”, tinha uma capacidade incrível de ensinar e de tornar as coisas complicadas em coisas simples; sempre através de experiências, como podem constatar no youtube.

Hoje completa 82 anos, mas continua a tentar fazer-nos pensar e a distinguir, utilizando o pensamento crítico e pequenas exercícios de química, a Ciência da pseudociência. Deixo-vos com alguns exemplos:

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Mais uma vez parabéns, que continue a ensinar-nos por muitos anos!!!

Realidade Aumentada

É comum ouvir dizer que cada indivíduo analisa a realidade que o rodeia de acordo com os seus valores. Esta ideia, dando diferentes perspetivas à mesma realidade, levou à criação de uma área tecnológica, em franca expansão, que mistura mundos reais e mundos virtuais. Esta nova tecnologia recebeu o nome de Realidade Aumentada (augmented reality).

A Realidade Aumentada é uma tecnologia, que combina elementos do mundo real com elementos virtuais em 3D, permitindo a interatividade entre objetos (reais e virtuais) em tempo real. Mais especificamente, consiste na sobreposição – realizada por meio de algum dispositivo tecnológico – de objetos virtuais tridimensionais (gerados por computador) num ambiente real. Tem origem num campo específico das ciências da computação, que exploram a integração do mundo real com elementos virtuais ou dados criados por computador.

A realidade aumentada combina um software específico, por exemplo o utilizado para desenvolver o jogo, com equipamentos, como câmara digital e GPS. Diversas áreas têm beneficiado com a possibilidade de sobrepor a realidade virtual com o nosso campo de visão destacando-se: o turismo, onde a locais históricos têm adicionando características virtuais às imagens reais: o utilizador pode localizar monumentos históricos, moradas e outros locais; obter informação sobre as distâncias entre o mesmo e os objetos circundantes; reconstrução virtual de edifícios antigos; a ciência; os jogos virtuais, e ainda, a arte, por exemplo, quando o espólio de um museu não pode estar exposto na sua totalidade poder-se-á recorrer à criação de museus virtuais. Um destes caso é o Museu Guggenheim de Bilbao onde foi implementado, pela Siemens IT Solutions and Services, um sistema de realidade aumentada, no qual, os visitantes recebem informações sobre o espaço cultural, as suas exposições e são guiados pelo museu, tendo acesso a informações especiais do edifício

Esta tecnologia exige a existência de apenas três componentes básicos: objeto real com algum tipo de marca de referência, que possibilite a interpretação e criação do objeto virtual; câmara ou dispositivo capaz de captar e transmitir a imagem do objeto real; software capaz de interpretar o sinal transmitido pela câmara ou dispositivo.

Nos últimos anos têm se assistido ao aumento exponencial desta tecnologia para as mais diversas áreas, como sejam a medicina, a marinha mercante, a educação, a bioengenharia, a física ou a geologia. Vejamos alguns exemplos: prospeção em hidrologia, ecologia ou geologia, mostrando informações específicas ou mapas tridimensionais; dispositivos de navegação em diversas situações, como por exemplo carro ou aeronaves, através de visores dotados de realidade aumentada integrados ao capacete do usuário ou apoio a tarefas complexas em cirurgias.

A Realidade Aumentada não deixa de ser o resultado de um caminho tecnológico que, se não fosse por todos avanços que se incorporam nos smartphones e tablets que utilizamos diariamente, este conceito dificilmente teria chegado aos níveis complexos a que chegou.

É comum ouvir dizer que cada indivíduo analisa a realidade que o rodeia de acordo com os seus valores. Esta ideia, dando diferentes perspetivas à mesma realidade, levou à criação de uma área tecnológica, em franca expansão, que mistura mundos reais e mundos virtuais. Esta nova tecnologia recebeu o nome de Realidade Aumentada (augmented reality).

A Realidade Aumentada é uma tecnologia, que combina elementos do mundo real com elementos virtuais em 3D, permitindo a interatividade entre objetos (reais e virtuais) em tempo real. Mais especificamente, consiste na sobreposição – realizada por meio de algum dispositivo tecnológico – de objetos virtuais tridimensionais (gerados por computador) num ambiente real. Tem origem num campo específico das ciências da computação, que exploram a integração do mundo real com elementos virtuais ou dados criados por computador.

A realidade aumentada combina um software específico, por exemplo o utilizado para desenvolver o jogo, com equipamentos, como câmara digital e GPS. Diversas áreas têm beneficiado com a possibilidade de sobrepor a realidade virtual com o nosso campo de visão destacando-se: o turismo, onde a locais históricos têm adicionando características virtuais às imagens reais: o utilizador pode localizar monumentos históricos, moradas e outros locais; obter informação sobre as distâncias entre o mesmo e os objetos circundantes; reconstrução virtual de edifícios antigos; a ciência; os jogos virtuais, e ainda, a arte, por exemplo, quando o espólio de um museu não pode estar exposto na sua totalidade poder-se-á recorrer à criação de museus virtuais. Um destes caso é o Museu Guggenheim de Bilbao onde foi implementado, pela Siemens IT Solutions and Services, um sistema de realidade aumentada, no qual, os visitantes recebem informações sobre o espaço cultural, as suas exposições e são guiados pelo museu, tendo acesso a informações especiais do edifício

Esta tecnologia exige a existência de apenas três componentes básicos: objeto real com algum tipo de marca de referência, que possibilite a interpretação e criação do objeto virtual; câmara ou dispositivo capaz de captar e transmitir a imagem do objeto real; software capaz de interpretar o sinal transmitido pela câmara ou dispositivo.

Nos últimos anos têm se assistido ao aumento exponencial desta tecnologia para as mais diversas áreas, como sejam a medicina, a marinha mercante, a educação, a bioengenharia, a física ou a geologia. Vejamos alguns exemplos: prospeção em hidrologia, ecologia ou geologia, mostrando informações específicas ou mapas tridimensionais; dispositivos de navegação em diversas situações, como por exemplo carro ou aeronaves, através de visores dotados de realidade aumentada integrados ao capacete do usuário ou apoio a tarefas complexas em cirurgias.

A Realidade Aumentada não deixa de ser o resultado de um caminho tecnológico que, se não fosse por todos avanços que se incorporam nos smartphones e tablets que utilizamos diariamente, este conceito dificilmente teria chegado aos níveis complexos a que chegou.

arart-aplicativo-realidade-aumentada

GIF retirado de http://www.tecnoartenews.com/share/arart-aplicativo-de-realidade-aumentada-da-vida-a-obras-de-arte/

Galeno de Pergamo

 

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A história da ciência médica europeia reúne muitos nomes de destacados cientistas. Sem dúvida, Galeno figura entre os primeiros da lista, pois os seus ensinamentos foram dominantes durante muitíssimo tempo.

Galeno escreveu o Methodo medendi, sobre a arte da cura, que foi o paradigma do mundo médico no decurso de quinze séculos. Entre os seus contributos, a literatura médica menciona o ter descoberto que o funcionamento da voz é controlado pelo cérebro, que a espinal medula comanda os músculos, que o sangue circula pelas artérias, que existem as válvulas do coração e as funções renais, e também demonstrou que a preparação de fármacos devia obedecer a procedimentos rigorosos destinados à sua conservação.

Este médico, nascido em Pérgamo, na Grécia, no ano 130 e, falecido por volta de 216, em Roma, cultivou a sua mente desde muito tenra idade e, uma vez que descobriu a obra de Hipócrates de Cos, nunca a abandonou. A lenda relata que num sonho do pai apareceu o deus da medicina, Asclépio, que vaticinou o destino de Galeno.

No tempo de Marco Aurélio II chegou a integrar o mundo da corte, onde estudou a peste antonina e dissecou animais, pois na Roma antiga não era permitida a dissecação de cadáveres humanos, o que conduziu a ideias um pouco distorcidas. Baseou a sua fisiologia no pensamento aristotélico em relação à natureza e, no de Platão, no que respeita ao princípio regedor da alma, a psyche, formado por três dimensões: uma que se aloja no cérebro, outra no fígado e a terceira no coração.

A partir desse postulado, existem três espíritos, e cada um corresponde a uma classe de alma: o vital, situado na região torácica, tem o coração e os pulmões como principais órgãos e, para o mundo antigo, esse espírito chegava através do sistema arterial, junto com o calor inato do coração, a todo o organismo e determinava a morte ou não de uma pessoa; o vegetativo ou natural, que corresponde aos órgãos da zona abdominal, e o animal, dominante na região cerebral, que influenciava a personalidade e se deslocava para o resto do corpo através dos nervos.

Esta personalidade da ciência médica ganhou popularidade, também, por recorrer a muitas plantas a que atribuía propriedades curativas, para extrair delas as substâncias que lhe serviam para preparar medicamentos. E mais, a estas misturas deve-se a atual denominação “galénica” que alude à ciência da preparação de medicamentos. Para fazermos uma ideia, basta pensar que um preparado de Galeno podia chegar a conter mais de 60 ingredientes. Entre eles, figurava um com pretensão de antídoto para qualquer doença. Este chamava-se teriaga e o ódio figurava entre os seus principais componentes. O curioso é que o mesmo preparado vigorou até ao início do século XIX.

Os princípios, a obra e os medicamentos de Galeno perduraram vários séculos. No Renascimento, as suas bases começaram a ser questionadas a partir das ideias renovadoras do anatomista Vesalio.

Nobel da Química 2017

Ontem foi atribuído o prémio Nobel da Física a Rainer Weiss,  Barry C. Barish e a  Kip S. Thorne, pela sua contribuição decisiva na deteção e observação das ondas gravitacionais. Podem saber um pouco mais sobre as ondas gravitacionais aqui. Só uma curiosidade: Kip S. Thorne foi um dos principais consultares científicos do filme Interstellar! Aconselho a leitura deste texto “A Ficção Científica a ajudar a Ciência“.

Hoje foi atribuído o prémio Nobel da Química a Jacques Dubochet, investigador na Universidade de Lausanne (Suíça), Joachim Frank, investigador da Universidade Columbia (Nova Iorque) e Richard Henderson, investigador do Laboratório de Biologia Molecular do Conselho de Investigação Médica (Cambridge, Reino Unido). Estes 3 investigadores deram um relevante contributo para o desenvolvimento  da microscopia crioeletrónica, uma técnica que permite ver estruturas de biomoléculas em solução.

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Diferenças na observação de uma proteína antes e depois de 2013.

Com esta técnica poderá se conseguir conhecer a estrutura celular,  de maneira a aplicar à saúde. Conhecer a estrutura das proteínas envolvidas nas doenças humanas ou produzidas pelos agentes patogénicos (causadores de doenças) pode permitir criar fármacos que sejam mais eficazes no ataque a essas proteínas.

A título de curiosidade, o Prémio Nobel da Química em 2014, também foi para uma técnica de microscopia.

 

William Morris Davis e o ciclo geomórfico

No seu tempo, o desenvolvimento do relevo terrestre explicava-se através do relato de uma grande inundação bíblica. Em contraste, Davis desenvolveu uma teoria que explica a criação e destruição da paisagem, a que chamou ciclo geomórfico.

William_Morris_DavisFoi William Morris Davis (1850-1934) célebre geógrafo norte-americano, que propôs uma teoria geral que relaciona os agentes e os processos com os resultados que se observam na natureza. Esta teoria desenvolvia a ideia de que as montanhas e restantes acidentes geográficos são modelados pela influência de uma série de factores que se manifestam num ciclo que tem uma fase inicial, uma intermédia e uma final. O ciclo geomórfico de Davis, como é conhecido, inicia-se com o levantamento do relevo como consequência de processos geológicos. Os rios e a escorrência superficial começam a criar os vales em forma de V entre as montanhas – a etapa designa por juventude).  Durante esta primeira etapa, o relevo é mais escarpado e irregular. Depois, as correntes podem talhar vales fluviais – maturidade – e depois começar a serpentear , sobressaindo apenas suaves colinas – velhice. Finalmente, tudo chega a uma superfície quase plana, com a elevação mais baixa possível, chamados nível de base. Esta superfície foi batizada por Davis “peniplanície”, que significa “quase um plano”. Então, ocorre o “rejuvenescimento” se houver outro levantamento de montanhas e o ciclo é reativado e continua.

Não obstante, o mundo real nunca se ajusta a modelos deterministas, típicos do pensamento do início do século XX, e não é tão ordenado como os ciclos de Davis, assim como as suposições de Darwin não correspondem, de forma exata à dinâmica da evolução. Embora a teoria de Davis não explique todos os fenómenos geomórficos (de modelação terrestre) e os seus resultados na modificação da paisagem, provocou uma grande agitação no pensamento do seu tempo e ajudou a modernizar as ideias predominantes ao criar o subcampo da geografia atualmente conhecido como geomorfologia (que, por sua vez, hoje também é um subcampo da geologia).

A teoria de Davis tem aplicação em termos gerais e foi retificada, aperfeiçoada e validada através dos contributos de reconhecidos cientistas ao longo dos últimos anos. Willliam Morris Davis foi, sem dúvida, um dos maiores geógrafos académicos do século e, por isso, é conhecido como o “pai da geografia americana”.