Arquivo da categoria: Uma outra Química

UM POUCO SOBRE MIM

O Politécnico do Porto tem um rubrica intitulada “Um de Nós”. Esta é uma rubrica que procura mostrar um pouco mais sobre os rostos do Politécnico do Porto. Uma das pessoas escolhidas fui eu. Vejam o resultado:

QUANDO COMEÇOU A SUA LIGAÇÃO À ESCOLA?

A minha ligação há ESS começou em 2002 como equiparado a assistente para dar aulas práticas de Química.

COMO RECORDA OS PRIMEIROS TEMPOS NA INSTITUIÇÃO? 

Recordo que me confundiam muitas vezes com um aluno! Mas nos primeiros tempos andava com muitas dúvidas, Por um lado estava orgulhoso e contente por poder ensinar Química, por outro lado estava receoso de não ser competente o suficiente e se seria aquilo que eu queria fazer no futuro. Também tivemos problemas com as instalações, o que tornava tudo aquilo mais assustador. No entanto esses problemas ajudaram-me a conhecer melhor as pessoas e a aproximar-me delas. Foi uma espécie de Team Building.

O QUE TORNA O TEU TRABALHO ESPECIAL?

Ver os alunos a crescer e a formarem-se! É gratificante encontrá-los alguns anos depois e saber que estão a trabalhar e satisfeitos com esse trabalho!

O QUE TORNA ESTA ESCOLA ÚNICA?

  O ADN da escola, mas também a própria envolvência onde a Escola cresceu, os nomes que já teve e os próprios edifícios por onde passou.

O QUE MAIS MUDOU NESTES ÚLTIMOS ANOS?

Em termos de aulas: Comecei a dar aulas com recurso a acetatos/transparências,; atualmente, é sempre com powerpoint, e já vou tentando utilizar o vídeo para me preparar para o futuro.Em termos de contacto com os alunos: no início, o contacto era feito, essencialmente, no ambiente formal do gabinete; hoje em dia, o habitual é ser feito através de e-mail. Em termos de instituição: deixamos de oferecer apenas cursos de licenciatura de Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica, já temos licenciaturas em Biotecnologia Medicinal, mestrados e até, embora em parceria, Doutoramentos.Enfim, a mudança tem sido constante.

APRESENTE UM EPISÓDIO MARCANTE? 

A criação da licenciatura de Biotecnologia Medicinal. A criação deste curso mostrou que se trabalharmos bem e em equipa, que se não desistimos à primeira contrariedade, nem à segunda, nem à terceira e que se formos à luta, de certeza que vamos ter sucesso.

UMA IDEIA PARA O FUTURO?

Tentar reduzir a burocracia e tentar aumentar a dinâmica entre as diversas Escolas do Politécnico.

 

 

Carlos Côrrea

Hoje o Prof. Carlos Côrrea faz 82 anos. PARABÉNS PROFESSOR!

Já falei diversas vezes do Prof. Carlos Côrrea, como podem ver aqui:

Hoje trago-vos uma notícia publicada no Diário de Notícias que mostra bem como o Prof. Carlos Corrêa é não só um Professor exemplar, mas também uma pessoa exemplar.

O engenheiro que foi bolseiro da Gulbenkian antes de haver bolsas

Esta notícia descreve o percurso da vida académica do Professor desde Barcelos até à Faculdade e como se tornou o primeiro bolseiro da Gulbenkian.

Na altura em que a Glubenkian lhe concedeu a bolsa, disseram-lhe que era um empréstimo. Pois bem, o Prof. Carlos Corrêa não se esqueceu de que era apenas esse empréstimo e, passados 63 anos fez as contas: “… e 60 contos recebidos em 1955 corresponderiam, a preços de hoje, a cerca de 15 mil euros. Escreveu ao Conselho de Administração a “pedir autorização
para devolver” o montante emprestado, com um objetivo: “dar a oportunidade, a outro
estudante, de beneficiar do que eu beneficiei”…

Ao contrário do que ele diz, ele não tinha “jeitinho para dar aulas”, tinha uma capacidade incrível de ensinar e de tornar as coisas complicadas em coisas simples; sempre através de experiências, como podem constatar no youtube.

Hoje completa 82 anos, mas continua a tentar fazer-nos pensar e a distinguir, utilizando o pensamento crítico e pequenas exercícios de química, a Ciência da pseudociência. Deixo-vos com alguns exemplos:

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Mais uma vez parabéns, que continue a ensinar-nos por muitos anos!!!

A próxima geração de fármacos contra o cancro

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Como é que os novos avanços na síntese de polioxometalatos (POMs) podem ajudar a combater o cancro?

O grupo de investigação de Aureliano Alves, professor de Bioquímica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade do Algarve e investigador do Centro de Ciências do Mar (CCMAR), em colaboração com o grupo de investigação da professora Annette Rompel, responsável pelo Instituto de Biofísica da Universidade de Viena, analisaram criticamente as propriedades anticancerígenas de todos os polioxometalatos (POMs) conhecidos, com o objetivo de estudar a sua aplicação como agentes no tratamento de vários tipos de cancro.

Após um impacto bastante limitado com POMs puramente inorgânicos em décadas anteriores, novos progressos foram desenvolvidos neste campo nos últimos anos com a síntese de novos POMs.

Mas o que são POMs e para que servem? São aglomerados inorgânicos de vanádio, tungsténio e molibdénio, entre outros, que exibem uma ampla diversidade de estruturas e propriedades que conduzem à sua aplicação em vários campos, como catálise, fotoquímica, ciência dos materiais, cristalização de proteínas e na medicina. Segundo o investigador, “estruturas híbridas de POMs mostraram-se muito eficazes contra uma série de linhas celulares tumorais e a sua atividade anticancerígena superior à de drogas clinicamente aprovadas (como por exemplo a cisplatina)”.

Os autores apresentam uma revisão abrangente e atualizada desta área de pesquisa, abrangendo desde questões da síntese, até aplicações clínicas. Procuraram identificar as caraterísticas estruturais e físico-químicas que processam os POMs bioativos e que são, portanto, responsáveis ​​pelas atividades anticancerígenas, bem como discutir criticamente quais são os alvos biomoleculares e os processos bioquímicos afetados nas células cancerígenas.

Segundo Aureliano Alves, “o artigo permitirá informar a comunidade geral de químicos, biólogos e médicos cientistas sobre o estado atual da investigação nestas áreas do conhecimento e, especialmente, para apontar possíveis novos desenvolvimentos no futuro”, lê-se no comunicado da Universidade do Algarve.

 

Link: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1002/anie.201803868

Uma outra Química # 6 Artur Manuel Soares da Silva

A entrevista que trago este mês do Boletim da Sociedade Portuguesa de Química, (Uma outra QuímicaAlém da óbvia, existirá outra química que a complementa, nem que seja pela atracão ou pela reação às coisas mais prosaicas e mundanas da vida)  é a que foi realizada a Artur Silva, Professor é Professor Catedrático da Universidade de Aveiro.

Para aguçar a curiosidade, deixo aqui apenas uma das perguntas e a sua respetiva resposta; o resto da entrevista poderão ver aqui.

Lou Reed escreveu e cantou “Perfect Day”. O que poderia conter a letra que escreveria para um dia perfeito para si?

Um dia perfeito seria aquele em que eu pudesse fazer uma caminhada pela montanha…

e no final do dia receber a notícia que um dos múltiplos projectos submetidos tinha sido aprovado para financiamento!

 

 

Uma outra Química # 5 Maria Helena Garcia

A entrevista deste mês, (Uma outra QuímicaAlém da óbvia, existirá outra química que a complementa, nem que seja pela atracão ou pela reação às coisas mais prosaicas e mundanas da vida)  é a que foi realizada a Maria Helena Garcia, Professora Associada com Agregação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e Investigadora do Centro de Química Estrutural.

Para aguçar a curiosidade, deixo aqui apenas uma das perguntas e a sua respetiva resposta; o resto da entrevista poderão ver aqui.

Como é que uma pessoa que lida diariamente com o ruténio, nomeadamente para fins terapêuticos lida com a expressão “ter saúde de ferro”?

Aqui está um trocadilho muito interessante a que respondo com outro: espero também que o “ferro venha a dar saúde de ferro”. Para esclarecer um pouco este assunto, embora o ruténio esteja entre os metais mais interessantes para a pesquisa de metalofármacos há já resultados muito promissores para o ferro.

 

Uma outra Química # 4 Carlos C. Romão

A entrevista deste mês, (Uma outra QuímicaAlém da óbvia, existirá outra química que a complementa, nem que seja pela atracão ou pela reação às coisas mais prosaicas e mundanas da vida)  é a que foi realizada a Carlos C. Romão, Professor Catedrático do Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Universidade Nova de Lisboa

Para aguçar a curiosidade, deixo aqui apenas uma das perguntas e a sua respetiva resposta; o resto da entrevista poderão ver aqui.

Quais as suas tarefas do dia-a-dia para as quais a energia de activação é baixa? E aquelas para as quais precisa de uma catalisador bem eficiente?

Discutir e planear trabalho com colaboradores e colegas é logo ali, já está. Se for preciso refaz-se outra e outra vez, até dar. Catalisadores são mesmo precisos para tratar das inúmeras e inúteis “papeladas e e-papeladas” com que, crescentemente, nos obrigam a desbaratar o nosso bem mais precioso: o tempo.

 

Uma outra Química # 3 Carlos Nieto de Castro

A terceira entrevista que trago (Uma outra QuímicaAlém da óbvia, existirá outra química que a complementa, nem que seja pela atracão ou pela reação às coisas mais prosaicas e mundanas da vida)  é a que foi realizada ao Professor Carlos Nieto de Castro, Professor Catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Para aguçar a curiosidade, deixo aqui apenas uma das perguntas e a sua respetiva resposta; o resto da entrevista poderão ver aqui.

Qual é a sua temperatura crítica, a partir da qual muda rapidamente de estado e o trabalho tem de dar necessariamente lugar ao ócio?

A temperatura crítica, no sentido termodinâmico do equilí brio de fases puras, é o ponto em que deixa de haver distinção entre o estado líquido e o estado gasoso. É o ponto em que a desordem vence a ordem, em que as forças de atrac ção entre as moléculas são ultrapassadas pelas forças de repulsão. Comigo acontece quando chego à conclusão de estar a ser pouco eficaz e pensar sem clareza. Nesta altura “passo pelas brasas” dez minutos (técnica muito avançada nas empresas / instituições mais eficientes) ou paro e vou para casa, conversar com os filhos ou entro no gabinete de um(a) colega para trocar ideias.

 

Uma outra Química # 2 Sérgio Seixas de Melo

A segunda entrevista que trago (Uma outra QuímicaAlém da óbvia, existirá outra química que a complementa, nem que seja pela atracão ou pela reação às coisas mais prosaicas e mundanas da vida)  é a que foi realizada ao Professor Sérgio Seixas de Melo, Professor Associado da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra.

Para aguçar a curiosidade, deixo aqui apenas uma das perguntas e a sua respetiva resposta; o resto da entrevista poderão ver aqui.

Entre a multiplicidade de tarefas que necessita de fazer no dia-a-dia qual é aquela em que sente que o processo de transferência de energia para a realizar é o mais eficiente? E o menos eficiente?

Hum, isto de Transferência de Energia leva-nos a outras transferências: de protão ou de eletrão. Na multiplicidade de modos de desativação do estado excitado que é o dia- -a-dia, todas são efetuadas com perda de energia não radiativa (escura!). Aquele em que o processo de TE é mais eficiente é aquele que se prende com as solicitações da FCTUC, SPQ e aulas. Tantos emails (e o que eles contêm!) por dia. E se não houvesse email? Como era mesmo há 20 anos atrás? Lembram-se?

Uma outra Química # 1 Maria José Calhorda

O Scientificus inaugura hoje um novo segmento-, “Uma outra Química. Nas primeiras segundas-feiras de cada mês, trarei aqui algumas das entrevistas publicadas na revista da Sociedade Portuguesa de Química. Com este segmento pretende verificar-se  se para “Além da óbvia, existirá outra química que a complementa, nem que seja pela atracão ou pela reação às coisas mais prosaicas e mundanas da vida“.

A primeira entrevista que trago é a que foi realizada à Professora Maria José Calhorda, Professora Catedrática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e coordenadora do Centro de Química e Bioquímica (CQB).

Para aguçar a curiosidade, deixo aqui apenas uma das perguntas e a sua respetiva resposta; o resto da entrevista poderão ver aqui.

Estarão os portugueses cientes que a Química contribui decisivamente para a satisfação das necessidades da sociedade moderna? Que visão acha que tem a sociedade portuguesa da Química?

Penso que não estão de modo nenhum cientes do papel da Química. A Química é vista através das consequências menos felizes e não de tudo aquilo de que desfrutamos nos tempos actuais. Faço um esforço permanente junto de família, amigos e conhecidos para desmistificar essa visão e evidenciar os aspectos positivos, ou seja, “as maravilhas da Química”.