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A “arca de noé” das sementes está a meter água…

… e a culpa deve ser do aquecimento global.

Em Svalbard, na ilha de Spitsbergen, 1300km a norte do Circulo Polar Ártico, o governo Norueguês construiu um bunker no permafrost capaz de conservar sementes em ambiente seco e de baixa temperatura (menor que -18ºC), que possam ser usadas no caso de uma qualquer catástrofe à escala mundial.

As sementes guardadas neste enorme cofre continuam a ser propriedade das entidades nacionais ou regionais que lá as depositam e funcionam como um backup para os bancos de sementes que cada entidade depositante possui. É através dos bancos das instituições depositantes que as sementes ficam acessíveis a agricultores, investigadores de todo o mundo. Nos cofres de Svalbard estão atualmente sementes de dezenas de milhar de variedades vegetais de 4000 espécies de plantas comestíveis, como feijão, trigo ou arroz.

Porém, este ano, devido à temperatura anormalmente elevada sentida na região, o permafrost começou a descongelar e o banco de sementes de Svalbard “meteu água”.

Para já nenhuma semente foi afetada, mas não é uma noticia muito animadora em vésperas das comemorações do Dia Internacional da Biodiversidade (22 de Maio).

Este ano, para celebrar o dia,  a European Association of Zoos and Aquaria (EAZA), a European network of science centres and museums (Ecsite) e a Botanic Gardens Conservation International (BGCI) lançaram a campanha “Let It Grow”, com o intuito de “ajudar a tornar as comunidades em paraísos para espécies nativas de animais, plantas e todas as outras formas de vida, protegendo-as da perda de biodiversidade e das espécies exóticas invasoras.

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Em Portugal, diversas instituições associaram-se à iniciativa e irão realizar ações sobre a temática  durante este fim de semana por todo o pais. Participe!

#letitgrowcampaign #IDB2017  #NATURA2000DAY  Let It Grow   EAZA, European Association of Zoos and Aquaria, Ecsite, European network science centres & museums e a Botanic Gardens Conservation International

Sentido da visão

Todos os animais estariam perdidos se não pudessem captar com os sentidos grande parte do que acontece à volta. Sem a capacidade de receber estímulos provenientes do exterior, não poderiam caçar nem vigiar os seus inimigos, nem encontrar par para assegurar a sobrevivência da espécie. Os animais captam os estímulos exteriores por meio de células sensoriais e através de células nervosas enviam-nos ao sistema nervoso central, onde são elaboradas as respostas.

De todos os processos relacionados com a elaboração de sinais, o da visão é aquele que foi melhor estudado. Tanto no homem como nos restantes mamíferos, a luz atravessa a córnea, o cristalino, o corpo vítreo e duas camadas de células nervosas, antes de ser captada, na parte posterior do olho, pelas células fotossensoriais. Estas células contêm pigmentos que absorvem os quanta de luz.

O homem conta com dois grupos de pigmentos visuais, a rodopsina e três  variedades de iodopsina. Cada um destes pigmentos capta comprimentos de onda diferentes. A rodopsina absorve a luz de baixa densidade, como, por exemplo, a crepuscular. As células fotossensoriais que a contêm, transmitem apenas imagens a preto e branco. A iodopsina, pelo seu lado, é responsável pelas imagens a cor. Os quatro pigmentos possuem uma antena idêntica para captar os quanta de luz. Esta parte da molécula é um derivado da vitamina A e recebe o nome de cis-retinal. Os pigmentos diferenciam-se unicamente pelo elemento proteínico associado ao retinal, a opsina, responsável pela seleção do comprimento de onda = luz violeta, verde ou vermelha – que deve captar-se. Apenas os quanta dos comprimentos de onda que podem ser captados por estas moléculas são para nós luz “visível”. A gama alcançada vai de 400 a 720 nanómetros

As células que contêm rodopia chamam-se bastonetes, e cones as que contêm qualquer das três variedades de iodopsina. Cones e bastonetes estão irregularmente distribuídos pela retina. Na zona da retina com maior resolução – o prolongamento do cristalino em linha reta – abundam os cones, enquanto na periferia, isto é, até ao cristalino, aparecem, preferencialmente, bastonetes.

Tanto nuns como noutros, os pigmentos alojam-se em feixes formados por 1500 lâminas membranosas empilhadas que ocupam por completo, o interior das células fotossensoriais.

O processo visual propriamente dito, consiste em que as impressões ambientais captadas pelas células fotossensoriais são decompostas múltiplas vezes e, enquanto não se realiza toda uma série de comparações e abstrações, não se forma o que identificamos como “imagem”.

O primeiro passo está a cargo das células ganglionares da retina onde, de momento, se analisam os contrastes espaciais. A retina é formada por muitas centenas de campos receptivos de pequeno tamanho e forma arredondada onde estão contidas as células visuais. Cada um destes campos é composto por uma parte central que estimula o gânglio seguinte, e por uma camada exterior que provoca o efeito contrário, quer dizer, ao ser ativada, inibe o gânglio anterior. Outros campos receptivos reagem exatamente ao contrário.

O funcionamento combinado dos dois tipos de campos receptivos intensifica os contrastes entre os claros e escuros na imagem da retina.

Uma das ideias não menos interessantes é a reação dos animais às cores. Numa corrida de toiros a cor vermelha é uma imagem de marca. Contudo, esta cor só é vista pelos espectadores e não pelo toiro. Este é incitado pelos movimentos dos toureiros e não pela cor, pois os toiros, como quase todos os mamíferos, não distinguem as cores. Os seus olhos só contêm bastonetes, responsáveis pela visão a branco e preto, e não têm cone.

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Fonte da imagem: https://pt.slideshare.net/jifonseca/sessao7-som-luz

A inferioridade mental da mulher

“A mulher não contribuiu com coisa alguma para o desenvolvimento da ciência e é inútil esperar algo dela no futuro”. Paul Julius Moebius

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A inferioridade mental das mulheres é o título do panfleto Über den physiologischen Schwachsinn des Weibes – sobre a imbecilidade fisiológica das mulheres – publicado em 1900 pelo psiquiatra e neurologista alemão Paul Julius Moebius (1853-1907).

Existe uma versão em espanhol publicada em 1982 pela editora Bruguera, traduzido por Adam Kovacsics Mészáros e com extensa introdução escrita por uma feminista italiana (escrita em 1977), Franca Ongaro Basaglia.

Há uma versão em Espanhol com tradução e prefácio de Carmen de Burgos (Ed. Sempere, 1904) que contém muitos comentários nos rodapés das página que refutam a tese de Moebius.

A doença neurológica chamada síndrome de Moebius deve o seu nome a Paul Julius Moebius, que trabalhou principalmente em neurofisiologia e endocrinologia. No entanto, em “A inferioridade mental das mulheres”, os seus argumentos científicos para demonstrar essa deficiência intelectual baseiam-se em outros autores da época e em estudos relacionados com o peso e as características do cérebro – certamente em comparação com os cérebros de “varões”.

Alguns dos argumentos usados por Moebius para provar a afirmação que intitula o panfleto provêm de estudos do médico e criminologista Cesare Lombroso (1835-1909) – e de sua filha, a médica e escritora, Gina Ferrero (1872-1944) – e das teorias do anatomista Nikolaus Rüdinger (1832-1896).

Eis algumas das considerações feitas por Moebius:

“Nos homens pouco desenvolvidos a nível mental  (um negro, por exemplo), encontran-se os mesmos dados anatómicos encontrados no lobo parietal da mulher”

“Em todos os sentidos está plenamente demonstrado que as mulheres têm  certas partes do cérebro de extrema importância para a vida mental menos desenvolvidas, tais como as circunvoluções do frontal e do lobo temporal; e que essa diferença existe desde o nascimento”.

“Uma das diferenças essenciais certamente é o facto de que o instinto desempenha um papel mais importante nas mulheres do que nos homens. […] Então o instinto faz com que a mulher seja semelhante a bestas, mas mais  dependentes, seguras e alegres”.

Todo o progresso parte do homem. Por isso, as mulheres são, para eles, um fardo pesado, pois impedem-nos de usar todos as suas capacidades intelectuais e de usar todas as suas energias em inovações temerárias. Elas também travam iniciativas nobres, porque não conseguem  distinguir o bem e o mal por si só e sujeitam tudo o que pensam e fazem ao que é habitual e ao “’que é dito pelas gentes’”.

1900, data da publicação deste panfleto, não foi assim há tanto tempo, pois não?

 

 

O melhor para o Dia dos Namorados pode ser… Camuflagem!

O famoso Dia de S. Valentim terminou mesmo há pouco e, confesso, algo que não me agrada é como conseguimos tornar tudo tão comercial. Para quem gosta de jantar fora e ir ao cinema neste dia, talvez o melhor seja mesmo usar… Camuflagem!

Se para realizarmos camuflagem tivermos que recorrer à ficção científica e isso permitir torná-la num facto e não apenas ficção, ainda melhor!

Conseguimos observar objetos dado que as características destes lhes permitem não absorver um determinado tipo de radiação que, posteriormente, é transmitida para os nossos olhos com determinado comprimento de onda – permitindo-nos ver algo.

Ou seja, se conseguirmos alterar a forma como a luz interage com eles talvez consigamos fazer com que algo permaneça invisível; de uma forma simples, se desviarmos a luz em torno do objeto, este torna-se invisível.

Recentemente, uma construção de lentes (em forma de prisma hexagonal) permitiu que a luz fosse desviada do objeto, mas se mantivesse em torno dele – assim conseguimos ver todo o espaço que se encontra à volta do mesmo, fazendo com que apenas o objeto se torne invisível.

Esta é uma das formas de fazer com que os aviões furtivos se tornem invisíveis nos radares, mas também uma ótima maneira de me tornar invisível neste dia.

Vou só ali experimentar e já volto.

Fiquei com o vídeo…

Até lá!

A crise de identidade das células da glia

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Estudo descreve como a expressão génica em regiões diferentes do cérebro humano é alterada com a idade.

Durante muito tempo, os vilões principais das doenças neurodegenerativas foram os neurónios. E também durante muito tempo, sobretudo na última década do século XX, os heróis na ciência que se faz sobre o cérebro eram esses mesmos neurónios.

Mas parece que agora os holofotes começam a virar-se para um outro tipo de células do tecido nervoso: as células da glia que são bem diferentes dos neurónios, pois não se activam por estímulos eléctricos ou químicos e não transmitem estímulos ao longo dos seus prolongamentos. Podia até dizer-se que por detrás de um grande neurónio, está sempre uma grande glia 🙂

Para além dos neurónios e, mais recentemente, da glia, os cientistas têm também estado atentos aos mapas de expressão génica em função da estrutura cerebral. Estes mapas são fundamentais porque os genes só podem funcionar se forem expressos. Por isso, as mudanças da expressão genética no cérebro ao longo do tempo têm suscitado bastante interesse.

Para aprender o que acontece no cérebro com o envelhecimento, investigadores examinaram os padrões de expressão génica em amostras de cérebro após a morte (apesar da slimitações práticas e científicas deste tipo de amostras).

Em geral, os investigadores verificaram que a expressão génica nas células glia mudou mais com a idade do que a dos neurónios. Estas mudanças de expressão génica foram mais significativas no hipocampo e na substância negra, regiões tipicamente danificadas em doenças como a de Alzheimer e de Parkinson. Este estudo foi publicado esta semana no Cell Reports.

Em suma, o que o artigo aponta é que, quanto ao estudo de demências, o foco não deve estar apenas nos neurónios, mas também nas células da glia, já que estas são sujeitas a mudanças de expressão genética bem mais numerosas do que os neurónios.

A importância deste estudo está mais no facto de haver bastantes incertezas quanto às alterações sofridas pelas populações de células da neuroglia à medida que o cérebro envelhece. A expressão de genes específicos das células da glia mostrou ser um melhor preditor de idade do que a dos neurónios e confirmou a importância das células não-neuronais no processo de envelhecimento.

Com o envelhecimento, os padrões de expressão genética das células gliais em regiões diferentes do cérebro tornam-se cada vez mais semelhantes, como se as células gliais fossem perdendo as suas características distintivas. Ou seja, quando envelhecemos parece que as nossas células da glia entram em crise de identidade. Um pouco como no poema de Mia Couto: “Os outros de mim,/fingindo desconhecer a imagem,/deixaram-me a sós, perplexo,/com meu súbito reflexo.// A idade é isto: o peso da luz/com que nos vemos”. (in Idades Cidades Divindades).

A saber:

– As células da glia são essenciais para o funcionamento do sistema nervoso;

– As células da neuroglia estão presentes no sistema nervoso central. No sistema nervoso periférico há células equivalentes, que alguns autores incluem na classificação de células da neuróglia e outros consideram como uma categoria separada;

– Há várias populações de células da neuroglia no sistema nervoso central: a astroglia (composta essencilamente por astrócitos), oligodendroglia (composta por oligodendrócitos) e a microglia (o forte do nosso sistema nervoso, já que estas células actuam na defesa do tecido nervoso).

– No sistema nervso periférico, temos as células Schwann.

–  As células Schwann e os oligodendrócitos envolvem os neurónios com uma bainha chamada de mielina.

Referência: L. Soreq et al., “Major shifts in glial regional identity are a transcriptional hallmark of human brain aging,” Cell Reports, doi:10.1016/j.celrep.2016.12.011, 2017.

Baixas em conflitos

Já estamos em 2017 e, mais uma vez, o conflito na Síria parece estar longe de estar resolvido. Todos os dias chegam até nós imagens da destruição de vários locais, da violência entre as diferentes fações e, principalmente, o drama da população que procura sobreviver a este conflito. Uma das informações que mais vezes é repetida pelos meios de comunicação social é a contagem das vítimas e dos refugiados.

Mas como é feita essa contagem? E do número de refugiados?

Ao longo dos últimos anos, uma nova disciplina tem-se dedicado a avaliar o impacto dos conflitos ou das situações de emergência humanitária em zonas de conflito armado. Aparentemente, parece um pouco fútil fazer a contagem dos indivíduos que sofreram com um conflito contudo, um simples erro no número de civis atingidos pela fome poderá ajudar a que estes fiquem esquecidos, sem alimentos e os crimes de guerra poderão ser, deste modo, mais facilmente cometidos.

A epidemiologia dos conflitos, nome desta nova disciplina, surgiu graças aos esforços dos cientistas, técnicos de estatística e trabalhadores de emergência, que se deslocam para as zonas de guerra, com o objetivo de realizar inquéritos diretos junto das populações afetadas. Este acaba por revelar-se um dos trabalhos de investigação mais duros e penosos, uma vez que implica, com uma certa periodicidade, colocar vidas em perigo.

Metodologicamente, esta investigação é um pouco diferente dos processos de recenseamento desenvolvidos periodicamente em tempo de paz. Nos países onde não existem conflitos, todas as famílias são contactadas individualmente, pelo telefone ou por carta. Nos países em guerra, utiliza-se uma técnica de amostragem por agregados, que foi desenvolvida com o propósito inicial de avaliar o impacto das campanhas de vacinação.

Esta metodologia é organizada por fases, sendo a primeira etapa a seleção das amostras de agregados familiares representativos do país. A segunda etapa consiste em escolher, aleatoriamente, famílias pertencentes a cada uma das amostras. Posteriormente, os investigadores vão a casa dessas famílias procurar informações sobre a segurança nessas zonas. Só quando existe a certeza de se tratar de uma zona segura é que os investigadores avançam para os inquéritos. Os investigadores são, normalmente, acompanhados por seguranças armados.

A realização destes inquéritos, na maior parte das vezes, é de difícil execução, uma vez que existem uma série de obstáculos a superar. Um dos maiores entraves à obtenção de estatísticas exatas é a determinação do método mais adequado de seleção dos agregados de indivíduos, de modo que estes formem uma amostra representativa da região a analisar. Por exemplo, uma região com elevada densidade populacional deve ser representada por um número mais significativo de agregados. É nesta necessidade de encontrar um método que permita selecionar uma amostra de cada um destes grupos para obter um resultado fiel da situação, que a epidemiologia dos conflitos irá evoluir nos próximos anos.

Ainda que este texto incida sobre um tema tão dramático queria deixar um voto de esperança para que o ano novo traga uma solução definitiva para este conflito

Revelada história genética do cacau do Brasil

O que sabe dos chocolates que come? Investigadores avaliam estrutura genética e diversidade das variedades do cacau da Bahia e identificam árvores resistentes à praga que nos privou de um dos melhores cacaus do mundo. Mas a saga continua.

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Variedades genéticas do Cacau da Bahia

Lembra-se da fraseforasteiro sem raiz na terra”? Era assim que o escritor Jorge Amado se referia às pessoas que moravam em Ilhéus, mas não se dedicaram ao cultivo do cacau. Isto mostra o quanto a saga do cacau no sul da Bahia está intrincada na história económica e cultural do Brasil. E se não fosse esse mesmo cacau, o escritor não se teria inspirado para a sua Gabriela, cravo e canela. Um dia, muitos anos antes, quando a floresta cobria muito mais terra, quando se estendia em todas as direções, quando os homens ainda não pensavam em derrubar as árvores para plantar a árvore do cacau que todavia não chegara da Amazónia”, lê-se no conhecido romance.

Mas os tempos da Gabriela já acabaram há muito e tudo por culpa do fungo Moniliophtora perniciosa, que transmite a doença da vassoura-de-bruxa. A praga apareceu na região de Ilhéus-Itabuna em 1989 e alastrou-se tanto que afectou os frutos, os brotos e as flores dos cacaueiros. Por isso, o Brasil passou do segundo maior exportador mundial de cacau para o sexto.

As árvores deixaram de dar frutos. A produção brasileira, que era de 320 mil toneladas por ano, caíu para 190 mil toneladas anuais em 1991. Tudo isto devido à queda do cacau baiano. Só a Bahia concentrava 80% da produção de cacau.

Não se baixaram os braços e, nas últimas duas décadas, muitos esforços têm sido feitos para o combate à praga vassoura-de-bruxa, sobretudo tentando identificar novas variedades de cacau resistentes à praga, pois o fungo continua presente no sul da Bahia.

Um desses estudos, agora publicado na Plos One, descreve a estrutura genética e a diversidade molecular do assim chamado “cacau da Bahia”. O estudo é liderado por Anete Pereira de Souza, do Instituto de Biologia e do Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética da Universidade Estadual de Campinas.

Para entender a razão genética para a extrema susceptibilidade do cacau da Bahia à vassoura-de-bruxa, Souza e a sua doutoranda Elisa Santos, da Universidade Estadual do Sudeste da Bahia, recolheram 219 amostras de folhas de cacaueiros em sete fazendas, assim como outras 51 amostras de híbridos desenvolvidos ao longo de décadas no Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec/Ceplac), de Ilhéus. Depois sequenciaram o DNA nuclear das 270 amostras, focando a sua análise em 30 marcadores moleculares – pequenos pedacinhos de DNA que servem de parâmetro de comparação entre as variedades. O que se descobriu foi que a base genética do cacau da Bahia é muito estreita. Literalmente todos os cacaueiros baianos têm a sua origem num número muito pequeno de indivíduos, ou seja, de sementes da variedade Forastero. É que essas sementes foram muito bem escolhidas pela qualidade do cacau produzido pelas árvores que lhes deram origem. Entre essas sementes estão as que foram trazidas por Warneau há 270 anos. Se, por um lado, a reduzida diversidade genética das plantas garantia a qualidade do fruto, por outro tornava toda a população de cacaueiros frágil, dada a ausência de variedades que podiam resistir a uma ameaça como a vassoura-de-bruxa.

Para piorar a situação, os investigadores descobriram que os híbridos desenvolvidos pelo centro de melhoramento nos anos 1950 e 1960 (e cultivados até hoje), em vez de aumentarem a variação genética na população cacaueira, acabaram por a reduzir ainda mais, já que também foram produzidos com base apenas na qualidade do cacau.

Mas nem tudo foi mau. Durante o estudo, identificaram-se também árvores resistentes à doença e com maior variação genética que aquela encontrada nos híbridos atualmente existentes. Ainda há esperança, portanto, para o cacau da Bahia.

O artigo Genetic Structure and Molecular Diversity of Cacao Plants Established as Local Varieties for More than Two Centuries: The Genetic History of Cacao Plantations in Bahia, Brazil (doi: http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0145276), de Elisa S. L. Santos, Carlos Bernard M. Cerqueira-Silva, Gustavo M. Mori, Dário Ahnert, Durval L. N. Mello, José Luis Pires, Ronan X. Corrêa, Anete P. de Souza, pode ser lido em http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0145276.

PubhD Porto -Primeira Sessão 

Dia 26 de janeiro, apareçam!

PubD do Porto

O que é que uma socióloga, uma engenheira biomédica e uma engenheira do ambiente têm em comum? Vão estrear o primeiro PubhD Porto, já no próximo dia 26 de Janeiro, no bar Pinguim! A Mariana Barbosa vai falar-nos de como se pode prevenir as infecções bacterianas em implantes ortopédicos ou feridas crónicas. A Liliana Abreu explicará quais os factores que influenciam a literacia em saúde de indivíduos com condições crónicas de saúde, como a asma e a diabetes. E a Iris Breda vai dizer-nos que pontes existem entre Ambiente e Astronomia.

ENTRADA GRATUITA

Dia 26 janeiro às  21h e 30m

Sigam o link

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