4 anos

No dia 6 de janeiro de 2014, começamos o blog, 4 anos depois, continuamos por aqui!

8778b9f0f35259457dbc7b4f73fe7d52

Como podem ver pelo gráfico em baixo, continuamos a crescer:

 

 

A todos os nossos leitores, muito obrigado!

 

Anúncios

Galeno de Pergamo

 

images

A história da ciência médica europeia reúne muitos nomes de destacados cientistas. Sem dúvida, Galeno figura entre os primeiros da lista, pois os seus ensinamentos foram dominantes durante muitíssimo tempo.

Galeno escreveu o Methodo medendi, sobre a arte da cura, que foi o paradigma do mundo médico no decurso de quinze séculos. Entre os seus contributos, a literatura médica menciona o ter descoberto que o funcionamento da voz é controlado pelo cérebro, que a espinal medula comanda os músculos, que o sangue circula pelas artérias, que existem as válvulas do coração e as funções renais, e também demonstrou que a preparação de fármacos devia obedecer a procedimentos rigorosos destinados à sua conservação.

Este médico, nascido em Pérgamo, na Grécia, no ano 130 e, falecido por volta de 216, em Roma, cultivou a sua mente desde muito tenra idade e, uma vez que descobriu a obra de Hipócrates de Cos, nunca a abandonou. A lenda relata que num sonho do pai apareceu o deus da medicina, Asclépio, que vaticinou o destino de Galeno.

No tempo de Marco Aurélio II chegou a integrar o mundo da corte, onde estudou a peste antonina e dissecou animais, pois na Roma antiga não era permitida a dissecação de cadáveres humanos, o que conduziu a ideias um pouco distorcidas. Baseou a sua fisiologia no pensamento aristotélico em relação à natureza e, no de Platão, no que respeita ao princípio regedor da alma, a psyche, formado por três dimensões: uma que se aloja no cérebro, outra no fígado e a terceira no coração.

A partir desse postulado, existem três espíritos, e cada um corresponde a uma classe de alma: o vital, situado na região torácica, tem o coração e os pulmões como principais órgãos e, para o mundo antigo, esse espírito chegava através do sistema arterial, junto com o calor inato do coração, a todo o organismo e determinava a morte ou não de uma pessoa; o vegetativo ou natural, que corresponde aos órgãos da zona abdominal, e o animal, dominante na região cerebral, que influenciava a personalidade e se deslocava para o resto do corpo através dos nervos.

Esta personalidade da ciência médica ganhou popularidade, também, por recorrer a muitas plantas a que atribuía propriedades curativas, para extrair delas as substâncias que lhe serviam para preparar medicamentos. E mais, a estas misturas deve-se a atual denominação “galénica” que alude à ciência da preparação de medicamentos. Para fazermos uma ideia, basta pensar que um preparado de Galeno podia chegar a conter mais de 60 ingredientes. Entre eles, figurava um com pretensão de antídoto para qualquer doença. Este chamava-se teriaga e o ódio figurava entre os seus principais componentes. O curioso é que o mesmo preparado vigorou até ao início do século XIX.

Os princípios, a obra e os medicamentos de Galeno perduraram vários séculos. No Renascimento, as suas bases começaram a ser questionadas a partir das ideias renovadoras do anatomista Vesalio.

PubhD #9 reciclagem de fármacos, energia sustentável e sexologia

Embora já tenha defendido o meu doutoramento há mais de 6 meses, vou participar no PubhD Porto  e finalmente poder beber um copo e falar da minha investigação.

É já próxima Quinta-feira que acontece o PubhD #9, e irá trazer ao público assuntos tão variados como química e engenharia sustentáveis e sexologia clínica.

Por isso se puderem, apareçam.

23795816_1537701172965455_1646909241488593005_n

Podem seguir o evento no facebook

O ‘arquitecto nuclear’ que morreu cedo demais

1_Enrico-Fermi
Crédito: Argonne National Laboratory.

Chamam-lhe o “arquitecto da era nuclear” e foi uma das 100 personalidades do século XX, segundo a revista Time.

Eram 8h15 da manhã de 6 de Agosto de 1945 e um dispositivo nuclear chamado Little Boy, carregado de urânio-235, destruía Hiroshima (Japão). Chegava assim ao limite o famoso Projecto Manhattan que culminou com o lançamento de duas bombas atómicas, em resultado de um projecto de investigação que durou mais de seis anos, liderado pelos Estados Unidos da América (EUA). Nesse projecto, participaram alguns dos cientistas mais famosos da época, entre os quais se destacou o italiano Enrico Fermi (1901-1954) que ficou famoso por ter desenvolvido o primeiro reactor nuclear, Chicago Pile-1.

Doutorado em Física na Escola Superior Normal de Pisa em 1922, com apenas 26 anos começou a trabalhar como profesor na Universidade Roma La Sapienza, onde ganhou a alcunha deo papa da Físicadevido à sua extraordinária e infalível capacidade para prever os resultados das experiências científicas, mas também por ser bastante produtivo quer no campo teórico quer no experimental. Hoje é reconhecido por ter sido o último físico que contribuíu significativamente para ambos os campos- no âmbito da física quântica, física de partículas, e mecânica estatística.

A partir de 1934, seguindo o exemplo de Irène Curie, dedicou-se ao estudo da radioactividade artificial bombardeando elementos com neutrões. Este trabalho fez com que ganhasse o Prémio Nobel em 1938 por ter demonstrado a existência de novos elementos radioactivos produzidos por processos de irradiação com neutrões e por ter descoberto a radiação induzida por neutrões lentos.

Fermi foi um dos primeiros cientistas a perceber o potencial da fissão nuclear quando, num dos gabinetes da Universidade de Columbia, ao fechar a sua mão, disse: “Uma bomba tão pequena quanto isto poderia fazer desaparecer tudo”.

2_Enrico-Fermi
Crédito: Arquivos Nacionais dos Estados Unidos.

Morreu a 28 de Novembro de 1954, com apenas 51 anos, devido a um cancro no estômago. O seu legado, no entanto, continua. Não só o elemento atómico número 100 se chama Fermio (Fm), como também o seu nome preside a três instalações nucleares: o laboratório de partículas FermiLab, o Telescópio Espacial de Raios Gama, um prémio de prestígio e até o seu nome em várias ruas de Itália.

Dia Nacional da Cultura Científica /Aniversário Rómulo de Carvalho

 

Rómulo de Carvalho

Hoje Rómulo de Carvalho faria 111 anos! Parabéns António Gedeão!

Em 1996, o dia 24 de novembro – dia de nascimento de Rómulo de Carvalho – foi adotado pelo antigo, pelo antigo Ministro da Ciência e Tecnologia, José Mariano Gago, como dia Nacional da Cultura Científica, precisamente em homenagem a  Rómulo de Carvalho/António Gedeão, professor, divulgador de ciência e poeta.

Acredito que a Rómulo de Carvalho seja mais conhecido como António Gedeão e pelos seus poemas (provavelmente, Pedra Filosofal será o poema mais conhecido do poeta).

No entanto, não posso deixar de assinalar o seu papel enquanto professor e divulgador de ciência, faceta com que contactei numa visita de estudo que fiz a Braga – por volta de 1996/1997 – enquanto estudante do Ensino Secundário. Aí, visitei uma exposição de ciência que permitia que os visitantes pusessem as “mãos na massa” e fizessem experiências (os centros Ciência Viva ainda estavam a começar e aquele era um local onde nós poderíamos pôr em prática alguns conceitos aprendidos nas aulas de Físico-Quimica). Numa das bancadas de experiências, estavam os vídeos do Professor Rómulo de Carvalho e posso dizer-vos que os vídeos eram (são) excelentes: não só era utilizada uma linguagem que captava a atenção, mas que também nos permitia colocarmo-nos diversas questões e desenvolver o nosso espírito científico.

Desde essa altura, procurei saber mais sobre a vida de Rómulo de Carvalho que – tal como outros – nos mostrou que não basta saber de ciência. Se queremos contribuir para que o “mundo pul[e] e avanc[e]”, é fundamental comunicar e divulgar a ciência.

 

 

Deixo-vos agora com a “Lição sobre a água” :também uma bela lição:

Este líquido é água.
Quando pura
é inodora, insípida e incolor.
Reduzida a vapor,
sob tensão e a alta temperatura,
move os êmbolos das máquinas que, por isso,
se denominam máquinas de vapor.

É um bom dissolvente.
Embora com excepções mas de um modo geral,
dissolve tudo bem, bases e sais.
Congela a zero graus centesimais
e ferve a 100, quando à pressão normal.

Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão,
sob um luar gomoso e branco de camélia,
apareceu a boiar o cadáver de Ofélia
com um nenúfar na mão.

 

 

Frederick Sanger: duas vezes Nobel e pai da biomedicina

GettyImages-515174458_master.jpg

Faz hoje 4 anos que morreu Frederick Sanger, último exemplar de uma rara espécie: pessoas que receberam vários prémios Nobel. Recebeu o prémio de Química em 1958 e em 1980 por duas grandes descobertas que impulsionaram a biomedicina.

Desde sempre foi um entusiasta da bioquímica e determinou a sequência de aminoácidos da insulina, a hormona determinante na regulação do metabolismo da glucose. Tal feito deu-lhe o Nobel da Química de 1958. A sua descrição detalhada da cadeia química da insulina permitiu que, mais tarde, em 1963, essa fosse a primeira proteína sintetizada quimicamente em laboratório, algo que os diabéticos muito agradecem.

Depois, em 1980, Sanger voltou a ganhar o Nobel na mesma categoria por desenvolver um método para ler o ADN, dando o primeiro passo para o estudo do genoma humano. De facto, foi Sanger quem determinou a sequência dos aminoácidos base da cadeia do ADN (adenina, citosina, guanina e uracilo).

bbva-openmind-doble-premio-nobel-sanger

O Scientificus é um projecto de promoção da cultura científica, procurando aproximar a Ciência dos Cidadãos. Este projecto pretende ser um espaço independente, inovador, empreendedor e dinâmico de divulgação da Ciência.