Todo o Universo num copo de vinho

Li,  já há algum tempo tinha lido este post sobre vinhos e achei que também podia dar a minha contribuição para a discussão ao assunto, ou pelo menos, beber um copo de vinho.

A poet once said, “The whole universe is in a glass of wine.” referiu Richard Feynman (alguém de quem iremos falar muito por aqui) fala numa das suas famosas Feynman Lectures on physics que foram dadas na Caltech no início da década de 60.

Vejam o vídeo que tem o som dessas conferências. As imagens foram montadas com estes clips

HOMENS DA CIÊNCIA… menos conhecidos!

Paralelamente ao mundo dos avanços científicos e tecnológicos a Ciência é feita por cidadãos que fazem parte da Sociedade. Cidadãos, como qualquer um de nós, que possuem vidas em tudo semelhantes às nossas, com alegrias e tristezas, desilusões e triunfos.

Vidas que assentam em valores, ideais, em lutas políticas e sociais. Muitos estiveram do lado correto da barricada, outros, nem por isso… Muitos foram perseguidores, outros perseguidos, mas todos lutaram por convições que resultam da criatividade das suas mentes!

Uma das estórias que ainda hoje está envolvida em grande mistério é o desaparecimento de extraordinário físico italiano de nome Ettore Majorana.

Talvez o nome não soe totalmente estranho uma vez que no ano de  2011 foi publicado um livro da autoria de João Magueijo (O Grande Inquisidor, Gradiva), onde é descrita esta estória maravilhosa.

Este físico prodigioso, de apenas 31 anos, desapareceu numa viagem de barco entre Palermo e Nápoles. Apesar dos esforços desenvolvidos pelas autoridades italianos, o corpo de Majorana nunca foi encontrado. Este desaparecimento inexplicável juntamente com uma personalidade reservada adensaram ainda mais o mistério.

Majorana fez parte do Grupo de Roma, onde realizou o doutoramento em Física Teória, sob a orientação de Enrico Fermi, tendo obtido a classificação máxima. Permaneceu neste grupo de Físicos notáveis, acompanhando e realizando investigações de diversas índoles.

Tendo um futuro tão promissor na Ciência e um desaparecimento tão peculiar, não é de estranhar que esta ausência súbita tenha sido alvo de várias especulações. Umas das especulações mais recentes ficam a cargo do também físico teórico Oleg Zaslavskii, da Karazin Kharkiv National University da Ucrânia, que sugere que esta ambiguidade à volta do seu destino poderá na realidade ser parte de uma ilusão magicada por Majorana para demonstrar a sobreposição quântica.

Majorana queria recriar este paradoxo com eventos da sua própria vida, diz Zaslavskii. O argumento deste físico teórico ucraniano baseia-se numa série de mensagens que Majorana enviou à sua família e a Antonio Carrelli, diretor do Instituto de Física da Universidade de Nápoles. Majorana terá enviado uma carta expressando a sua intenção de cometer suicídio imediatamente seguida de um telegrama refutando a ideia de que fosse um suicida. Foi, no entanto, uma terceira carta que despertou a atenção a Zaslavskii já que, nesta última, Majorana diz esperar que Carrelli receba a primeira carta e o telegrama ao mesmo tempo.

Esta ideia assenta no paradoxo de Schrödinger que afirma que uma partícula, Schrödinger utilizou um gato para exemplificar, pode existir simultaneamente em dois estados quânticos mutuamente exclusivos. No exemplo do gato, Schrödinger salienta que,  enquanto a experiência durar, o gato pode estar vivo e morto ao mesmo tempo.

Para além de se saber o que aconteceu ao gato de Schrödinger, fica por compreender o mistério em torno do desaparecimento de Majorana, bem como as suas motivações.

Divulgação #1

O CiB – Centro de Informação de Biotecnologia pediu-nos para divulgar:

Concurso de Comunicação de Ciência – Plantas Transgénicas: 30 anos de Estórias

O concurso está aberto para estudantes universitários com o objectivo de promover a comunicação de ciência na área da Biotecnologia de plantas transgénicas.

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Que mais concursos na área de comunicação em ciência existem?

Listas de 2013

No fecho de cada ano é normal fazerem-se diversas listas sobre o que aconteceu nesse período.

Navegando pela Internet encontrei estas 3 listas:

– The 10 Best Science Stories of 2013

– The 13 Most Obvious Scientific Findings of 2013

– Oh, Never Mind: Top 5 Retracted Science Studies of 2013

A primeira lista fala então dos grande acontecimentos do ano, desde a descoberta do Bosão de Higgs passando pela descoberta das ossadas do Ricardo III.  Destas 10  escolho a análise do mais velho DNA do mundo onde mostra uma relação genética entre a população local e os fósseis da perna de um humano com 40 mil anos. Que nos mostra que não somos tão diferentes assim dos nossos antepassados.

A segunda lista mostra-nos uma série de conhecimentos comuns que a pesquisa científica comprovou. Desta lista a minha preferida é que o os guarda-chuvas nos protegem do sol, mas também gosto muito que o sono de beleza não é nenhum mito!

A terceira lista não é tão agradável, mas acho importante divulgar, conhecem mais casos destes?

Homem de Barro

Um dos primeiros autómatos da história surgiu por volta do século VI, em Praga, na forma de lenda. Ele recebeu o nome de Golem que, em hebraico, significa algo como “substância imperfeita ou embrionária”. Segundo o que os judeus contam, Golem nasceu como um tosco boneco de argila, criado pelo rabino Judah Loew ben Bezulel para proteger os judeus da comunidade das constantes perseguições. Para dar vida à argila, o rabino pronunciou várias letras sagradas do secretíssimo ritual da Cabala, a tradição mística judaica. O Golem tornou-se então um fiel e poderoso protector da população, mas aos poucos, adquiriu consciência, passou a reclamar status de ser humano e fugiu do controle dos judeus. A história tem um final dramático, quando ele se apaixona pela filha do rabino, que acaba por destruir a criatura.

Esta pequena história mostra como o Homem procurou criar um ser semelhante a ele, sobre o qual pudesse exercer domínio total. Para tal, o Homem promoveu o desenvolvimento de formas de Inteligência Artificial (IA).

É com o advento dos computadores, que a IA ganha potencial para se desenvolver. A ciência que se dedica a estudar esta tecnologia tem por finalidade criar máquinas que reproduzam as actividades inteligentes do homem, com uma performance, se possível, superior à do ser humano. O ponto básico de que partem os cientistas é o próprio conceito de inteligência, em que a capacidade de aprender é umas das principais definições. Deste ponto de vista, as máquinas inteligentes são aquelas capazes de aprender a fabricar um automóvel, a construir uma casa ou, mesmo, fazer um diagnóstico médico.

Na realidade, a capacidade de aprender é apenas um dos aspectos da inteligência. Outro critério válido de inteligência é a maturidade emocional de um indivíduo, que alguns cientistas transportaram para o campo da IA, usando o termo “inteligência emocional”. Existem, ainda, outros aspectos da inteligência, como a consciência ou a capacidade de julgamento, que devem ser levadas em consideração.

Uma metodologia usada nos estudos sobre inteligência é a quantificação da actividade cerebral. Para tal, é preciso considerar o cérebro como uma rede de neurónios onde apenas um grupo deles está activo durante cada actividade mental. O nosso cérebro é composto por neurónios que se conectam por meio de um fenómeno denominado sinapse.

O trabalho do médico português António Damásio trouxe às neurociências informações muito importantes sobre o papel das emoções no ser humano, nomeadamente, no processo de tomada de decisão. Estes resultados foram utilizados no trabalho de síntese de emoções em agentes virtuais e robóticos.

Com base nestes estudos foram construídos agentes virtuais e robôs com sistema nervoso de silício que replicam as emoções primárias e secundárias descritas para o ser humano, a partir de um estímulo. Estas emoções são processadas em dois níveis. O primeiro nível de processamento, rápido e simples, permite uma avaliação grosseira de parâmetros como a cor, intensidade da luz, velocidade ou dimensão de um objecto e permite, por exemplo, reagir rapidamente em casos de urgência. Uma segunda análise, mais fina, fará a identificação do estímulo por comparação com outras situações.

Os robôs ainda não são capazes de, por exemplo, amar alguém, mas já conseguem orientar-se num campo com obstáculos e reconhecer imagens, que associam a estados do corpo e definem tomadas de decisão: desviam-se de caixas, reconhecem zonas de descanso, comida boa, comida má e brincam com uma bola.

Popularizada pela ficção cinematográfica, a IA surge associada a algumas questões como: será que estes “homens de silício” irão competir com os seres humanos? Chegará o dia em que não será mais possível distinguir o homem da máquina?

O Scientificus é um projecto de promoção da cultura científica, procurando aproximar a Ciência dos Cidadãos. Este projecto pretende ser um espaço independente, inovador, empreendedor e dinâmico de divulgação da Ciência.