Poema para Galileu

Poema para Galileu – António Gedeão, por Mário Viegas

 

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Video in Print

Cada dia que passa a sociedade da comunicação e informação apresenta novas ferramentas que nos permitem avançar um passo mais. Um dos casos mais recentes e que começa a chegar agora ao mercado europeu é o “video in print”. Inicialmente desenvolvido por uma empresa norte-americana, esta ferramenta permite desfilar num papel vídeo e som.

Trata-se de uma ferramenta disponível em ecrãs de 2,4’’ e 4,1’’ (cerca de seis e dez centímetros, na diagonal), mas, a Ameriship, empresa norte-americana que desenvolve a plataforma, está a estudar uma solução com dez centímetros. O Video in Print permite a personalização de mensagens num vídeo com a duração de até 120 minutos, com a possibilidade de utilização máxima de cinco botões de selecção de conteúdo. Com uma pequena porta USB incorporada, permite fazer o download dos conteúdos, assim como o seu recarregamento. Para já ainda não é possível aplicar numa simples folha de jornal, mas essa solução já está em desenvolvimento.

O Video in Print poderá vir a ser uma ferramenta comunicacional muito interessante para a Ciência, na sequência de muitas outras que têm surgido recentemente e onde se destacam por exemplo as comunidades virtuais da Web

Estas comunidades virtuais encontram na Web mais do que uma tecnologia para o acesso e a transmissão de informação de forma que a Web constitui um meio para a construção e transformação da informação em conhecimento. Uma vez que, por um lado, o indivíduo tem acesso à rede de informações e, por outro, porque é um instrumento que permite a contextualização do conhecimento.

Desta forma, a recente explosão de atenção multimediática que envolve sistemas de informação e redes telemáticas trouxe consigo dois conceitos que se transformaram em buzzwords: o multimédia, definida como a possibilidade de ter acesso a vários média dentro de um ambiente experimental e a interatividade, referida com a capacidade para fornecer informação como resultado da introdução de dados, isto é, a capacidade para mudar o raciocínio do utilizador, de o interromper e o propiciar situações inesperadas. A conjugação entre estes dois conceitos pode permitir criar artefactos e tecnologias que oferecem a possibilidade de modelar a cognição ao nível do indivíduo.

Um exemplo, são as ferramentas disponibilizadas pelas Web 2.0. que permitem o desenvolvimento de agentes dedicados que possam desenvolver e estender as capacidades cognitivas. A utilização das ferramentas na promoção da literacia científica é um instrumento cognitivo que possibilita criar ambientes virtuais onde os indivíduos participam na construção do seu conhecimento, um “hands-on” virtual com o ritmo próprio de cada indivíduo, fundamental para uma boa assimilação dos conteúdos. O potencial destas ferramentas está assim na sua possibilidade para promover os processo de inovação e colaboração dentro da comunidade online, permitindo a utilização do conhecimento e da informação para gerar mais conhecimentos.

Todos os jovens dos sete aos setenta e sete

Em 1929 nasceram, pela mão de Hergé pseudónimo de George Remi, as personagens do jovem repórter Tintin e do seu fiel companheiro Milu que haveriam de fascinar várias gerações em todos os cantos do mundo. As aventuras de Tintin foram traduzidas para mais de 40 línguas, sendo seguidas por “todos os jovens dos sete aos setenta e sete”.

As aventuras de Tintin constituíram à época um importante instrumento de divulgação de ciência. Por exemplo, em “Tintin no Congo” aparecem várias invenções na altura ainda pouco difundidas, como a câmara de filmar portátil e uma espécie de cinema falado apoiado num fonógrafo – o primeiro filme sonoro tinha aparecido quatro anos antes. Pouco depois, em «A Ilha Negra», de 1938, Tintim descobre um aparelho de televisão numa ilha da Escócia – Londres tinha iniciado as primeiras emissões apenas dois anos antes e, para a maioria dos leitores da época, tratava-se de um aparelho desconhecido.

Contudo a grande explosão de ciência e tecnologia feita por Hergé surge em 1953 e 1954, com os álbuns da viagem de Tintim à Lua e “Explorando a Lua”. Hergé consultou vários cientistas, com especial destaque para o professor Alexandre Ananoff, autor de uma conhecida obra de astronáutica editada em francês pela Fayard. Ao contrário das verdadeiras viagens tripuladas à Lua, que se realizariam 15 anos depois, o foguetão do professor Girassol é movido a energia nuclear, pelo que tinha uma reserva energética imensa, que lhe dava a possibilidade de pousar sobre o nosso satélite e de vencer depois a atracção lunar. Como é conhecido, apenas o módulo lunar aterrou na superfície da Lua, enquanto a nave espacial se mantinha em órbita para aproveitar o combustível.

Ao consultar vários cientistas para o desenvolvimento da obra, Hergé consegue desenhar com bastante realismo alguns pormenores, como por exemplo, a ausência de peso sentida pelos astronautas quando o motor pára, ou o desenho do asteróide “Adonis”. Referia-se que até essa data nunca tinha sido visualizado um asteróide.

Para além destes conceitos de ciência, Hergé encarava a ciência com romantismo, em especial, quando desenha o professor Girassol, um cientista multifacetado que trabalha em casa, tal como um cientistas dos séculos XVII e XVIII. Inventa submarinos individuais, máquinas de escovar roupa, aparelhos de produzir água gaseificada, armas de ultra-sons, foguetes espaciais e patins a motor. Dedica-se à botânica, à física nuclear e a múltiplas outras disciplinas.

Hérge também descreve nas suas aventuras fenómenos naturais relativamente raros, pouco observados pela maioria dos indivíduos, o que atraem o leitor para a história. Entre esses fenómenos surgem as miragens, provocadas pela reflexão da luz junto do solo quente dos desertos, onde o ar está mais aquecido. Essa reflexão é apenas o resultado da refracção da luz, que muda progressivamente de direcção ao atravessar camadas sucessivamente mais quentes de ar. Como consequência, o solo parece um espelho que reflecte o céu, daí a ilusão de um lençol de água, a que a mente ansiosa do viajante acrescenta umas palmeiras e uma visão de oásis.

Contudo, nem sempre as referências científicas presentes nos álbuns são cientificamente correctas. É o caso do arco-íris que aparece em «As 7 Bolas de Cristal». Aí, curiosamente, o autor desenha erradamente a sequência de cores. De fora aparecem o violeta e o azul e, no interior, o laranja e o vermelho. Na realidade, os arco-íris apresentam as cores em ordem inversa. Com efeito, o fenómeno deriva da desigual refracção das diversas componentes da luz do Sol nas gotículas de água das nuvens. A luz com menor comprimento de onda (azul) é mais refractada; a de maior comprimento de onda (vermelho) é menos.

Estas estórias de Tintin constituem para muitos o primeiro contacto com a ciência, pelo que todo o seu poder de sedução é um importante instrumento de divulgação de ciência!!!

Genealogia, História e Ciência — O Caso dos Romanov (III)

Genealogia, História e Ciência — O Caso dos Romanov (I)

Genealogia, História e Ciência — O Caso dos Romanov (II)

Genealogia, História e Ciência — O Caso dos Romanov (III)

3. INVESTIGAÇÃO E GENEALOGIA

Vejamos o seguinte caso:

A descoberta das ossadas dos Romanov e a sua correcta filiação e parentesco foram feitas pelo estudo do:

  1. DNA;
  2. mtDNA (o que nos interessa neste estudo).

Avaliação de parentesco pelo mtDNA

Para esta avaliação da linhagem materna, foram inquiridos familiares colaterais (parentes por linhagem materna, logo por mtDNA), entre os quais o Príncipe Filipe, Duque de Edimburgo, marido da actual Rainha Isabel II. Nascido Príncipe da Grécia e da Dinamarca e pertencente à Dinastia dos Schleswig-Holstein-Sonderburg-Glücksburg, tem laços de sangue com os Romanov, nomeadamente com a Czarina Alexandra e os seus filhos, através de sua Mãe, Lady Alice de Battenberg/ Mountbatten. Curioso que o actual Duque de Edimburgo, ao naturalizar-se Britânico, escolheu o nome da sua linhagem materna: Mountbatten!

Sabendo que há uma ligação por linhagem materna, através do mtDNA, entre o actual Duque de Edimburgo, a Czarina Alexandra e todos seus 5 (cinco) filhos, através do seguinte quadro genealógico podemos traçar o seu parentesco mitocondrial.

Quadro Genealógico I – Parentesco por mtDNA entre o actual Duque de Edimburgo e a Czarina Alexandra e seus filhos.
Quadro Genealógico I – Parentesco por mtDNA entre o actual Duque de Edimburgo e a Czarina Alexandra e seus filhos.

A Ciência do Leitor Luís M. Guapo Murta Gomes

Luís Miguel Guapo Murta Gomes é licenciado pré-Bolonha, em Biologia (Ramo Científico-Tecnológico em Biologia Animal Aplicada) pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e Pós-
-Graduado  em Ciências da Informação e da Documentação, variante Arquivos, pela Universidade Fernando Pessoa (Porto).

Neste momento é autor de 2 livros:
–  Santo Estevam de Fayoens um morgadio flaviense

– A Empresa de Viação Murta

Barriga de cerveja

Durante toda a vida ouviu-se dizer que beber cerveja faz crescer a barriga, a vulgarmente designada “barriga de cerveja”. O aumento da diversidade de cervejas ao dispôr num local próximo de si, faz pensar que as “barriguinhas” vão aumentar contudo, um conjunto de especialistas veio recentemente demonstrar que não existe relação directa entre o álcool e a aumento da barriga.

O mito acabou! Os 65 litros de cerveja que um habitante bebe em média, em Portugal, rapidamente irão ser superados. Apesar de não ser consensual para a maioria dos especialistas, estes acreditam que não há fortes evidências entre o aumento do tecido adiposo da zona abdominal e a ingestão excessiva de etanol.

Mas, este estudo refere ainda que a ingestão moderada deste bebida traz benefícios para a saúde, uma vez que ajuda a reduzir os riscos de doenças cardiovasculares e osteoporose.

A cerveja é constituída por cevada maltada, alguns cereais não maltados, lúpulo (planta com reconhecidas propriedades anti-oxidantes) e água, uma receita rica em sais minerais e vitaminas. Um dos compostos que melhor fazem à saúde segundo os investigadores é o xanto-humol presente na composição do lúpulo. Esta substância protege a lipoproteína de baixa densidade do sangue da oxidação, ou seja, previne o mau colesterol e revelou propriedades anti-cancerígenas. Por outro lado, a presença do silício, que podemos encontrar na cerveja, em altas concentrações, e facilmente bio-disponível promove a mineralização dos ossos, combatendo as neoplastias e a osteoporose.

Apesar de apenas recentemente ser ter procurado desmitificar a ideia da barriga de cerveja, procurando outros responsáveis, como a falta de exercício ou hábitos de consumo de tabaco, a verdade é que esta bebida, muitas vezes subvalorizada relativamente ao vinho, já existe há milhares de anos.

A produção de cerveja remonta ao ano de 8.000 a.C. em povos como os Sumérios, Babilónios ou Egípcios. A cerveja foi desenvolvida paralelamente aos processos de fermentação de cereais e difundiu-se com as culturas de milho, centeio e cevada nas antigas sociedades. É de referir ainda que a palavra cerveja, na história da língua é uma palavra de origem celta, sendo uma bebida que se consumia por altura de Natal e à qual se adicionava mel.

Esta bebida é obtida por fermentação alcoólica, mediante leveduras seleccionadas do género Sacharomyces, de um mosto preparado a partir de malte de cereais, principalmente cevada, e outras matérias-primas amiláceas ou açucaradas, ao qual foram adicionadas flores de lúpulo ou seus derivados e água potável.

A levedura é um fungo unicelular, do género Saccharomyces, que se adiciona ao mosto lupulado depois de arrefecido como agente da fermentação alcoólica. Esta transformação, dá também origem à formação dos produtos secundários responsáveis pelas características finais da cerveja (alcoóis aromáticos, ésteres, etc.). A levedura utilizada desempenha, pois, um papel fundamental na definição final da cerveja.

Apesar deste estudo ser ainda polémico na comunidade científica, começam já a ser colocadas várias questões relativamente a este tema. Ficamos com a seguinte para reflectir: Será possível incluir a cerveja na roda dos alimentos?

Sugestão de Leitura #4

A minha primeira Sugestão de Leitura é um livro que fala de toda a ciência, menos as partes chatas:
“Cientistas de Pé – Toda a Ciência (menos as partes chatas”

todaciencia

Genealogia, História e Ciência — O Caso dos Romanov (II)

Genealogia, História e Ciência — O Caso dos Romanov (I)

Genealogia, História e Ciência — O Caso dos Romanov (II)

2. HISTÓRIA E CIÊNCIA

A Dinastia Romanov governou a Rússia entre 1613 até 1762 e através de políticas Dinásticas Matrimoniais, esta Dinastia passou a chamar-se de 1762 a 1918: Holstein-Gottorp-Romanov, muito embora continue a ser conhecida, simplesmente, por Romanov.

Durante anos, após o massacre e a execução da Família Imperial em 1918 na Casa Ipatiev, em Ecaterimburgo, os seus restos mortais foram ocultados e mantidos secretos, durante décadas. Na década de 1990 quase todos os restos mortais dos Romanov foram encontrados e apenas em 2007 foram descobertos a Grã-Duquesa Maria e o Czarevich Alexei. Inúmeros exames forenses foram feitos. Nestes complexos e muito elaborados testes, fizeram-se exames de DNA e de mtDNA.

A Ciência do Leitor Luís M. Guapo Murta Gomes

Luís Miguel Guapo Murta Gomes é licenciado pré-Bolonha, em Biologia (Ramo Científico-Tecnológico em Biologia Animal Aplicada) pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e Pós-
-Graduado  em Ciências da Informação e da Documentação, variante Arquivos, pela Universidade Fernando Pessoa (Porto).

Neste momento é autor de 2 livros:
–  Santo Estevam de Fayoens um morgadio flaviense

– A Empresa de Viação Murta

Pega-Monstro

Uma das questões que atualmente se coloca é perceber se a Escola, como instituição de ensino formal, consegue acompanhar, e mais do que isso transmitir, os recentes progressos científicos e tecnológicos.

Segundo Alberto Gaspar (1993) “mesmo que a escola fosse por hipótese uma instituição eficiente, fiel aos seus objectivos, livre os críticos, ser-lhe-ia impossível de abarcar todo esse conhecimento“, uma vez que não existe tempo nem espaço nos seus currículos e programas, para absorver toda a informação resultante do progresso cientifico e tecnológico dos nossos dias.

Desta forma, assistimos a um hiato cada vez maior entre o conhecimento que é adquirido e aquele que é produzido e acumulado pelo Homem.

Neste sentido, o indivíduo tem procurado através de outras formas de ensino, que não o formal, acompanhar toda esta proliferação de novos conhecimentos. Deste modo, o ensino não formal revela-se fundamental na transmissão destes conhecimentos socorrendo-se de novos instrumentos de divulgação, entre os quais, se encontram as atividades de carácter prático que podem ser realizadas por qualquer indivíduo. Estas atividades, mais do que transmitir conhecimentos científicos, procuram mostrar como a ciência está na base dos mais comuns objectos do dia a dia dos cidadãos.

Uma das atividades mais interessantes é realizar é a produção caseira de silicone, também conhecida como a produção de um pega-monstro, um objecto muito famoso para as crianças, desde há algum tempo atrás.

Em termos químicos um silicone é um polímero, molécula grande formada pela ligação repetida de unidades mais pequenas, produzido sinteticamente e constituído por átomos de oxigénio e silicone. É um plástico altamente resistente ao calor, impermeável à água e um bom isolante elétrico.

Estas propriedades permitem-lhe ter inúmeras aplicações como isolamento de portas e janelas e, na medicina, o fabrico de implantes, concebidos para a ampliação ou substituição de tecidos e de órgãos corporais.

A produção de silicone caseiro é um processo muito simples e rápido. Quando se coloca a cola em contacto com uma solução de borato de sódio, estes materiais reagem entre si, levando à formação do silicone. Para conservar as propriedades elásticas deste polímero, guarda-se num saco de plástico.

Descrição da produção do “Pega-Monstro”

Material a utilizar

– Cola liquida;

– Corante alimentar;

– Borato de sódio (adquire-se em farmácias);

– Água;

– 2 copos de papel;

– Colher;

– Balança;

– Medidor de volumes líquidos

Procedimento

1. Num dos copos de papel, dissolva 4 g de borato de sódio em 100 mL de água

2. Deite cerca de 50 mL de cola no outro copo de papel e junte-lhe 40 mL de água, misturando com colher. Adicionando em seguida gotas de corante

3. Adicione cerca de 10 mL de solução de borato de sódio, preparada no primeiro copo, e misture bem.

4. Retire o sólido do copo e deite fora o excesso de água.

Genealogia, História e Ciência — O Caso dos Romanov (I)

Genealogia, História e Ciência — O Caso dos Romanov (I)

1. INTRODUÇÃO

Somos todos o agregado histórico, genealógico e científico. Cada um de nós reserva em si um conjunto muito peculiar: a unidade-base da vida. Essa unidade-base é a célula. Somos todos constituídos por milhões de células – cada uma formando órgãos especializados – nas quais a nossa informação genética está contida.

Falando do caso Humano, especificamente, a célula é uma «fortaleza». No seu interior, a existência de um núcleo é providencial para a vida. O interior de uma célula alberga, idem, outros organelos essenciais à vida.

No núcleo celular existe, altamente aglomerado, o nosso DNA (ácido desoxirribonucleico). A cadeia é dupla, formando uma hélice, com ligações entre os diversos nucleotídeos que a compõem. A descoberta da estrutura em dupla hélice foi feita em 1953 pelos investigadores James Watson e Francis Crick. O modelo ficou conhecido por «Modelo de Watson e Crick». O DNA é um polímero formado por quatro bases ricas em azoto. É a informação genética que faz de cada humano, um único ser. A leitura dessas bases azotadas (os nucleotídeos: adenina, timina, guanina, citosina), ou seja, da sua sequência, traduz o código genético.

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Fig. 1 – Emparelhamento dos nucleotídeos numa porção da cadeia de DNA

No caso do ser humano, a informação contida no núcleo celular está devidamente «arrumada»nos pares de cromossomas. Ao seu conjunto chamamos: cariótipo. Recebemos, 23 cromossomas paternos e os respectivos 23 cromossomas maternos, que estão agrupados em pares. Temos pois: 46 cromossomas agrupados em 23 pares homólogos.

Da nossa linhagem materna recebemos, ainda, um conjunto de organelos celulares, denominados por mitocôndrias, que são essenciais no sistema muscular, sistema nervoso e no coração, «locais» de enorme dispêndio de energia. São organelos complexos, que contêm o seu próprio DNA – designado por mtDNAtotalmente independente do DNA nuclear. O mtDNA existe sem alterações evidentes. É um tipo de DNA bastante fiável. As mitocôndrias podem multiplicar-se independentemente da divisão celular. O mtDNA é extremamente fundamental em casos de determinação de linhagens familiares e da genealogia, aliadas à história e à ciência.

De uma maneira muito simples, a célula animal pode ser representada da seguinte forma, atendendo ao núcleo e às mitocôndrias.

Fig. 2 – Representação esquemática, simplificada, de uma célula animal na qual se dá importância ao núcleo e às mitocôndrias.
Fig. 2 – Representação esquemática, simplificada, de uma célula animal na qual se dá importância ao núcleo e às mitocôndrias.

O mtDNAé transmitido por linhagem materna a todos os descendentes masculinos e femininos. É uma transmissão que se dá ao longo de gerações, unicamente pelas filhas, e através desta certeza científica muitos casos forenses foram averiguados.

A história, as suas convulsões políticas, e a ciência andam aliadas nesta transmissão ininterrupta de mãe para os seus descendentes. Assim, todos os filhos de uma mesma mãe – homens e mulheres – têm o mesmo mtDNA. Todavia apenas as netas, filhas de filhas, é que renovam esse ciclo contínuo de propagação de mtDNA, ao longo de gerações.

No caso presente deste esboço, pretendemos analisar o caso específico da linhagem materna (mtDNA) num caso forense: O CASO DOS ROMANOV

A Ciência do Leitor Luís M. Guapo Murta Gomes

Luís Miguel Guapo Murta Gomes é licenciado pré-Bolonha, em Biologia (Ramo Científico-Tecnológico em Biologia Animal Aplicada) pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e Pós-
-Graduado  em Ciências da Informação e da Documentação, variante Arquivos, pela Universidade Fernando Pessoa (Porto).

Neste momento é autor de 2 livros:
–  Santo Estevam de Fayoens um morgadio flaviense

– A Empresa de Viação Murta

O Scientificus é um projecto de promoção da cultura científica, procurando aproximar a Ciência dos Cidadãos. Este projecto pretende ser um espaço independente, inovador, empreendedor e dinâmico de divulgação da Ciência.