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OLIVEIRA, AZEITE E ÁGUAS RESIDUAIS – Parte V

OLIVEIRA, AZEITE E ÁGUAS RESIDUAIS – Parte V

 ÁGUAS RESIDUAIS = ÁGUAS RUÇAS

 As águas ruças, são um subproduto da extracção do azeite e a sua composição química não permite a sua libertação directa para o meio ambiente. Constituem o efluente líquido obtido durante o processo de extracção de azeite, por sedimentação ou centrifugação. São não oleosas.

Apresentam um odor bastante semelhante ao azeite, mas podem também apresentar um odor bastante desagradável. Esta diferença de odores reside no facto de:

  • no primeiro caso, corresponde a uma extracção recente da água ruça;
  • no segundo caso, equivale à degradação posterior dessa mesma água ruça, que chega a apresentar um cheiro fétido.

Relativamente ao seu pH, que varia entre 4 e 5, são consideradas bastante ácidas, sendo formadas por uma grande concentração de matéria orgânica que se encontra em suspensão e dissolvida; evidenciam uma coloração escura, do tipo vermelho-acastanhada.

São ainda formadas por:

  • azeite residual, que não foi separado, e por polpa de azeitona;
  • água de vegetação da própria azeitona, portanto a água que faz parte da azeitona;
  • água adicionada ao processo de separação da fase sólida – fase líquida;
  • águas que foram usadas para a lavagem de todo o equipamento e maquinaria;
  • água usada inicialmente no processo de lavagem da azeitona.

Relativamente à problemática da eliminação das águas ruças, pensa-se que grande parte das águas seja lançada para o meio ambiente sem que haja qualquer processo de tratamento prévio. Eliminadas de forma pouco criteriosa para os cursos de água, provocam a destruição ou diminuição dos efectivos da fauna e flora locais. Dada a sua grande carga orgânica, as águas ruças consomem oxigénio na sua degradação, chegando mesmo a anular todo o oxigénio dissolvido.

Estima-se que nos Países Mediterrânicos, os efluentes resultantes do processo de extracção de azeite rondem os 30 milhões de m3/ano e que em Portugal, o volume dessas mesmas águas ruças ronde os [100 000 – 350 000] m3.

COMPOSIÇÃO QUÍMICA DAS ÁGUAS RUÇAS

No que respeita à composição química das águas ruças, esta pode variar. Depende, sobretudo, das condições edafo-climáticas em que a oliveira foi cultivada, ou seja, depende:

  • do tipo de solo;
  • da composição mineralógica desse mesmo solo;
  • das características climatéricas a que toda a árvore e principalmente a azeitona foi sujeita durante a fase de formação e maturação do fruto;
  • da própria apanha da azeitona, a variedade da azeitona, adubos utilizados e do tempo de armazenamento do fruto nos lagares antes de ser processado;
  • das pragas que possam ter ocorrido.

Todos estes factores vão contribuir para uma composição química variável e complexa.

Contudo, o factor mais importante que condiciona a composição química das águas ruças, é a tecnologia usada no processo de extracção do azeite.

Verifica-se que nos processos descontínuos, a quantidade de água de lavagem é muito restrita ou praticamente nula; nos processos contínuos, é usado um pouco mais do que 1 L de água por cada kg de azeitona.

De todos estes factores que contribuem para a composição química das águas ruças, o componente químico que surge em maior proporção é a água, encontrando-se também substâncias orgânicas em suspensão e/ou emulsão e uma pequena quantidade de substâncias inorgânicas.

Tabela 1 – Composição química global das águas ruças (adaptado).

Composição % mássica global (média)
Componentes
% mássica global (média)

Água

 

 

83 – 92

   
 

 

 

Substâncias Orgânicas

 

 

 

7 – 15

Açúcares totais

Substâncias azotadas

Ácidos orgânicos

Polialcoóis

Pectinas, mucilagens e taninos

Polifenóis

Gorduras

2,0 – 8,0

1,2 – 2,4

0,5 – 1,5

1,0 – 1,5

1,0 – 1,5

 

0,3 – 1,4

0,03 – 1,0

 

 

Substâncias

Inorgânicas

 

 

1 – 2

K

Na

N

P

Mg

Outros (S, Cu, Fe, Mn, Zn, Ca)

0,85

0,13

0,20

0,05

0,02

0,55

Daqui se deduz, pelas características apresentadas na Tabela 1, que as águas ruças vão ter diferentes comportamentos, ou seja, apresentarão diferentes propriedades físicas, químicas e biológicas, dependendo da presença dos componentes químicos orgânicos e inorgânicos e da concentração relativa de cada um dos componentes.

O volume de água ruça que se produz durante:

  • processos artesanais de extracção de azeite – extracção por prensagem – varia entre os: [0,5 – 0,8] m3/ ton. de azeitona processada;
  • processos de extracção contínuos, varia entre os [1,3 – 1,4] m3/ ton. de azeitona processada. Neste método, produz-se mais volume de água ruça do que no tradicional, resultando numa maior diluição dos componentes perigosos e assim, menos poluição.

Todavia, a carga orgânica presente é muito elevada em ambos os sistemas de extracção, sendo verificada pela CQO (Carência Química de Oxigénio), que no caso dos processos descontínuos pode atingir os 141 g O2/ L. O que acontece muitas vezes é que, as águas ruças são encaminhadas para cursos de água corrente, a fim de serem dispersadas e eliminadas dos lagares, pondo em risco a fauna e flora desses cursos de água.

Tabela 2 – Alguns parâmetros característicos das águas ruças em Portugal (adaptado).

Parâmetros

Processo descontínuo

(prensagem clássica)

Processo contínuo

pH

CQO (g O2/ L)

Sólidos totais – ST (g/ L)

Sólidos fixos totais – SFT (g/ L)

Sólidos suspensos totais – SST (g/ L)

Gordura (mg/ L)

Fenóis totais (mg/ L)

Azoto total (mg N/ L)

Açúcares redutores (g/ L)

Ácidos voláteis (g/ L)

Taninos e lenhina (g/ L)

4,2 – 5,3

31,3 – 141

22,5 – 172,5

8,0 – 64,3

3,1 – 8,5

40 – 16 650

5,6 – 18,9

315 – 1155

0,4 – 15

0,18 – 1,45

3,1 – 12,2

4,6 – 5,0

67 – 193

45 – 103,7

7,5 – 28,9

5,5 – 58,2

50 – 2980

2,8 – 17,2

413 – 826

0,2 – 14,4

0,03 – 0,70

3,7 – 10,4

Como foi referido anteriormente, as águas ruças apresentam um cheiro desagradável, por vezes fétido, como resultado da degradação oxidativa dos seus compostos orgânicos e como resultado da volatilização de alguns compostos. Esse cheiro característico é o resultado da presença de sulfureto de hidrogénio, resultado da fermentação anaeróbia, e da volatilização dos óleos essenciais.

De todos os componentes químicos presentes nas águas ruças, os compostos fenólicos assumem particular importância, uma vez que são muito resistentes à degradação.

IDENTIFICAÇÃO DE COMPOSTOS FENÓLICOS

A presença de compostos fenólicos nas águas ruças revela-se da maior importância, uma vez que por serem muito resistentes à degradação e possuírem um efeito inibidor, dificultam os processos biológicos de actuação dos microrganismos. Os compostos presentes nas águas ruças têm um efeito de toxicidade para as plantas. Este efeito fitotóxico é uma característica natural das águas ruças, uma vez que as mesmas são um subproduto vegetal. A presença de compostos fenólicos sinaliza a coloração das águas ruças como: escuras.

É durante o processo de extracção de azeite que se formam as duas fases: a líquida e a sólida. Dentro da fase líquida, há ainda a considerar o mosto oleoso – que o mesmo é referir: azeite e água ruça – que deve ser tratado, de modo a que se possa realizar a operação de separação do azeite e das águas ruças que o acompanham.

Os compostos fenólicos presentes nas águas ruças, provêm dos glucósidos fenólicos que existem na polpa e no caroço da azeitona.

Durante o processo de extracção do azeite, assiste-se a uma mudança de cor da pasta de azeitona triturada, que passa de um violeta inicial a um castanho final, devido ao desaparecimento de todas as antocianinas e à formação de um polímero de elevada massa molar.

A composição química das águas ruças, em fenóis, também varia e depende:

  • do estado de maturação da azeitona (quanto mais madura a azeitona estiver, menor a concentração de fenóis);
  • da altura em que se faz a apanha da azeitona;
  • dos métodos usados para a extracção do azeite. Normalmente esta mesma composição química em fenóis varia entre [6000 – 17 500] mg/ L.

Na identificação de compostos fenólicos, são usados métodos químicos como a cromatografia em camada fina e a cromatografia bidimensional. Pela utilização da cromatografia bidimensional, foi possível identificar dezoito compostos fenólicos tais como o ácido p-cumárico, ácido cafeico, ácido protocatéquico, ácido vanílico, tirosol, apigenina, luteolina e quercetina. Mais recentemente, e pela utilização da cromatografia líquida de alta resolução (HPLC), foi possível a quantificação directa dos compostos fenólicos, que foram divididos em quatro grupos de compostos de baixa massa molar.

Tabela 3 – Compostos fenólicos presentes nas águas ruças (adaptado).

Compostos fenólicos

(mg/ L)

 

 

Ácidos cinâmicos e derivados

ácido cafeico

ácido dihidrocafeico

1-cafeil glucose

ácido p-cumárico

ácido ferúlico

ácido di-hidroxicinâmico

 

 

 

 

Ácidos benzóicos e derivados

ácido protocatéquico

aldeído protocatéquico

ácido p-hidroxibenzóico

vanilol

ácido vanílico

p-vanilina

ácido 2,4-di-hidroxibenzóico

ácido verátrico

outros

 

 

Derivados do álcool-β-3,4-dihidróxi-feniletanol

hidroxitirosol

tirosol

4-hidroxi-tirosol m-glucósido

4-hidroxi-tirosol diglucósido

oleuropeína

esculetina

 

 

Flavonóides

apigenina

cianidina

flavona

luteolina

luteolina 7-glucósido

quercetina

  1. a) ÁCIDOS FENÓLICOS

As águas ruças detêm uma grande concentração de diversos componentes orgânicos. Poderia pensar-se que a utilização imediata das águas ruças como fertilizantes seria adequada, mas devido à sua enorme fitotoxicidade, esta mesma utilização torna-se impossível. Um dos principais motivos que não permitem a utilização das águas ruças para fertilização, deve-se à presença de ácidos fenólicos.

Os ácidos fenólicos presentes nas águas ruças vão precisamente dificultar o crescimento das culturas, diminuindo ou mesmo inibindo esse mesmo crescimento. Por isso torna-se premente o seu tratamento ou a sua rentabilização.

De uma maneira geral, os ácidos fenólicos encontram-se ligados a outras substâncias por ligações do tipo éster, não estando na forma livre na polpa da azeitona. Dentro dos ácidos fenólicos, podemos encontrar os ácidos hidroxicinâmicos, tais como os ácidos cafeico, p-cumárico, ferúlico e sinápico, que se encontram na forma O-ésteres (forma não livre) nos quais se inclui o vulgar 1-O-acilglucósido.

Relativamente ao ácido cafeico, este não se encontra livre na polpa da azeitona mas encontra-se presente na água ruça, devido a fenómenos de hidrólise, que têm lugar para a obtenção das próprias águas ruças. Verifica-se também que a lenhina pode ser responsável em grande parte pela presença de ácidos verátrico, vanílico e o siríngico.

A Ciência do Leitor Luís M. Guapo Murta Gomes.

Luís Miguel Guapo Murta Gomes é genealogista, licenciado pré-Bolonha, em Biologia (Ramo Científico-Tecnológico em Biologia Animal Aplicada) pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e Pós- -Graduado em Ciências da Informação e da Documentação, variante Arquivos, pela Universidade Fernando Pessoa (Porto).

Neste momento é autor de 2 livros:

– Santo Estevam de Fayoens um morgadio flaviense

– A Empresa de Viação Murta

OLIVEIRA, AZEITE E ÁGUAS RESIDUAIS – Parte III

A APANHA DA AZEITONA

No que respeita à colheita da azeitona, esta deve fazer-se numa altura apropriada ao uso e fim que se pretende dar ao fruto, para que dele se possa aproveitar toda a sua qualidade. Deve dar-se especial atenção à fase da colheita, à duração da mesma e aos métodos praticados para esse mesmo fim.

Para o método da colheita, conhecem-se tradicionalmente:

  • O varejo (com o recurso a varas longas e flexíveis, de modo a que as azeitonas caiam e sejam recolhidas nos panais);
  • A colheita à mão;
  • Processo misto.

Actualmente, face à tecnologia existente para a colheita da azeitona, aplicam-se o varejamento recorrendo ao uso de máquinas que permitem uma recolha de maior número de azeitonas e em menor tempo. A colheita da azeitona dependerá também do uso que se pretende dar ao fruto.

Assim, se se pretende colher a azeitona com o fim de produção de azeite, devem ser considerados dois casos:

  1. Se o objectivo é a produção de azeite com sabor característico do fruto, a apanha da azeitona far-se-á cedo, antes da maturação total, seguida da moenda.
  2. Para a obtenção de azeites menos finos mas em grande quantidade, a colheita do fruto far-se-á logo a seguir à maturação que é seguida da moenda.

TRANSPORTE DA AZEITONA PARA O LAGAR

Depois de concluída a operação de apanha da azeitona, estas são transportadas para um lagar. Aí são preparadas para a obtenção de azeite. De referir que as azeitonas apanhadas directamente do solo, não devem ser transportadas juntamente com aquelas que foram colhidas da árvore. Esse transporte deve ser assegurado em condições de preservação da azeitona, fazendo-se o transporte em caixas rígidas próprias que são mantidas abertas, durante o transporte das azeitonas para o lagar, de modo a que se evitem fermentações. No transporte não devem ser utilizados sacos de plástico.

Figura 1 – Azeitonas num lagar moderno (retirado da internet).
Figura 1 – Azeitonas num lagar moderno (retirado da internet).

 

  1. Operações Preliminares

 Todas as azeitonas que chegam ao lagar, são verificadas e separadas de acordo com a sua proveniência, isto é, as que são colhidas directamente da árvore são encaminhadas para um determinado local e as que são recolhidas a partir do solo, são direccionadas para um local diferente das anteriores. São também separadas aquelas que, eventualmente, mostrem estar atacadas por agentes patogénicos afim de todo o processo se poder realizar de forma segura e sem contaminação futura.

São separadas por classes. Dentro de cada classe, as azeitonas são sujeitas a diferentes tratamentos. Esses tratamentos consistem na ventilação e na lavagem. São ventiladas, para que as correntes de ar possam separar as azeitonas, das folhas que as acompanham e são lavadas com água corrente.

Nesta fase as azeitonas são separadas em lotes de acordo com a qualidade apresentada, depois de se fazerem análises a partir de uma amostra das azeitonas que é enviada para o laboratório, de forma a proceder à pesagem, classificação e armazenamento.

As azeitonas devem ser conservadas e mantidas em tanques próprios para a sua preservação e posterior utilização – tanques de salmoura – sendo que as azeitonas devem ser trabalhadas até 24 h após a sua apanha, de modo à obtenção de um azeite de qualidade. Não devem ser amontoadas, pois poderá prejudicar a sua lavagem e o seu arejamento e conduzir à proliferação de patogénicos oportunistas que iriam prejudicar toda a produção de azeite, tais como fungos.

  1. Moenda e Termobatedura

 A moenda é o processo de trituração da azeitona, até à formação de uma pasta. Antigamente eram usadas as mós dos moinhos de pedra, mas hoje em dia são usados processos de obtenção desta massa de azeitona, através da utilização de moinhos de martelos metálicos.

Esta moenda, ou também chamada de moagem, tem por objectivo principal libertar o azeite da azeitona que está a ser esmagada. Esta moagem provoca a ruptura das células da polpa, devido ao enorme atrito gerado nesta fase.

A pasta assim formada é seguidamente batida e aquecida, por elevação da temperatura, num aparelho concebido para esse mesmo fim, a termobatedeira. A operação realizada pelas termobatedeiras, que faz aumentar a capacidade de separação posterior do azeite, é realizada a uma temperatura que varia entre os [25 – 28]º C, de forma a manter a fluidez da massa de azeitonas triturada: a pasta. Para a elevação da temperatura, requisito necessário nesta fase, é usada água de aquecimento.

Considerando ainda a moenda, são usados os moinhos de martelos metálicos, cuja moagem é o resultado da acção dos martelos, que giram a enorme velocidade de rotação, que vão golpear a azeitona, produzindo-se a pasta, num crivo. Os antigos moinhos de pedra que usavam umas mós ou galgas provocavam a trituração da azeitona, que era exercida pela força humana ou de animais, sendo que o fruto era esmagado pela pressão exercida.

A Ciência do Leitor Luís M. Guapo Murta Gomes.

Luís Miguel Guapo Murta Gomes é genealogista, licenciado pré-Bolonha, em Biologia (Ramo Científico-Tecnológico em Biologia Animal Aplicada) pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e Pós- -Graduado em Ciências da Informação e da Documentação, variante Arquivos, pela Universidade Fernando Pessoa (Porto).

Neste momento é autor de 2 livros:

– Santo Estevam de Fayoens um morgadio flaviense

– A Empresa de Viação Murta

OLIVEIRA, AZEITE E ÁGUAS RESIDUAIS – Parte II

A AZEITONA

A azeitona é o fruto da oliveira. É uma drupa que pode ser ovóide, oblonga ou subglobosa. A drupa é um fruto carnudo em que o endocarpo e mesocarpo estão endurecidos, formando desta forma um caroço lenhoso ou ósseo onde fica incluída a semente.

É um fruto originariamente verde, que com a maturação atinge uma coloração púrpura ou negra. Possui em média uma massa compreendida entre 1,5 e 12 g, sendo que estes valores dependem, também, da variedade de azeitona considerada.

A polpa do fruto, que é a parte carnuda, compreende os [70 – 80] % do fruto. A azeitona possui uma quantidade média em azeite de cerca de 20% do seu peso fresco, dependendo também esta percentagem da variedade da azeitona.

Figura 1. – A azeitona.
Figura 1. – A azeitona.

O AZEITE

O azeite é a gordura natural da azeitona. É o azeite que funciona como substância de reserva da azeitona e que vai contribuir para a propagação da espécie. É precisamente o azeite, graças à sua composição química que vai assegurar a germinação da azeitona para dar origem a uma nova planta.

Em média uma oliveira produz cerca de 20 kg de azeitonas correspondendo cerca de 5 a 6 kg de azeitona a 1 L de azeite.

O azeite é obtido por processos mecânicos e físicos em condições de temperatura que não alterem a sua qualidade e a sua composição.

Azeite
Figura 2. – Diagrama de extracção de azeite.

De uma forma sequencial, os processos para a obtenção de azeite são os ilustrados na Figura 2. (vide OLIVEIRA, AZEITE E ÁGUAS RESIDUAIS – Parte III – em preparação).

A Ciência do Leitor Luís M. Guapo Murta Gomes.

Luís Miguel Guapo Murta Gomes é genealogista, licenciado pré-Bolonha, em Biologia (Ramo Científico-Tecnológico em Biologia Animal Aplicada) pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e Pós- -Graduado em Ciências da Informação e da Documentação, variante Arquivos, pela Universidade Fernando Pessoa (Porto).

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– A Empresa de Viação Murta

OLIVEIRA, AZEITE E ÁGUAS RESIDUAIS – Parte I

A OLIVEIRA

A oliveiraOlea europea Lin. – apresenta um crescimento lento, com raízes que podem atingir os seis metros. É uma árvore muito resistente, sendo que a utilização de todo o seu potencial foi conseguida pelo Homem, graças à melhoria das características da oliveira, transformando-a naquilo que hoje chamamos de oliveira cultivada.

A Olea europea Lin. apresenta folhas do tipo coriáceo, ligeiramente pecioladas, de forma lanceolada, apresentando a página adaxial, ou superior, uma tonalidade verde ou verde-acinzentada, sendo que a página abaxial, apresenta um tom ligeiramente esbranquiçado. As folhas apresentam as margens do limbo sensivelmente enroladas.

Dentro da espécie, vamos encontrar diversos cultivares, que se encontram em diferentes zonas oleícolas.

Olive_trees_on_Thassos
Figura 1. – Olea europea Lin. (retirado da internet).

 

  1. Cultivares de Olea europea em Portugal

Em Portugal, existem vários cultivares, dos quais podemos salientar: a Verdeal, a Galega, a Cordovil e a Carrasquenha.

A Verdeal é uma árvore bastante folhosa, apresentando um fruto regular. É bastante comum em Portugal, especialmente em Trás-os-Montes e Alto Douro, na região de Mirandela. É uma oliveira boa produtora de azeite e de boa qualidade.

A Galega, também chamada de Negral, é aquela designada por oliveira vulgar, sendo a mais cultivada em Portugal. As árvores apresentam um porte médio ou pequeno, possuindo frutos pequenos, de coloração negra luzidia e de forma oblonga. A frutificação deste tipo de oliveira é geralmente abundante. É uma oliveira bem adaptada às condições físicas e climatéricas dos terrenos, pelo que se encontra quer nas planícies de boa terra para cultivo, como nas serranias.

A Cordovil é uma árvore que se encontra distribuída por todo o País, sendo mais abundante no distrito de Castelo Branco. É uma árvore boa produtora de azeite e de excelente qualidade. Apresenta folhas pequenas e de nervuras salientes. O fruto é maior do que o normal e é negro-acinzentado. É uma árvore frondosa, muito folhosa e de ramos resistentes e fortes.

A Carrasquenha, tem uma distribuição geográfica localizada no Alentejo, Beira Baixa e Trás-os-Montes e Alto Douro. É uma árvore de porte médio, ramos curvados e curtos e com folhagem abundante. Os frutos são oblongos e negro-avermelhados.

  1. Distribuição Geográfica

 

A oliveira é uma árvore que se encontra distribuída por quase todo o globo terrestre, em particular na zona do Mediterrâneo. Na sua área de distribuição geográfica, forma na Europa, Norte de África e na região do Próximo Oriente, a chamada «Região da Oliveira», sendo essa mesma região constituída por Portugal, Espanha, França Meridional, Itália, Grécia, Argélia, Tunísia, Marrocos e a Palestina, países que apresentam condições climatéricas típicas do Mediterrâneo.

Pensa-se que a distribuição oleícola ronde os 850 milhões de oliveiras que ocupam 8,2 milhões de hectares.

oliveiramapa
Figura 2. – Distribuição Geográfica da oliveira em Portugal (retirado da internet).

A oliveira necessita de boas condições climatéricas para se poder desenvolver e frutificar. Para isso é necessário que as variações de temperatura não desçam abaixo dos 7º C negativos. Caso este abaixamento de temperatura ocorra, para que haja um bom desenvolvimento da oliveira, este não deve manter-se por mais do que uma semana.

Não se deve ultrapassar um certo calor apropriado à maturação do fruto. Em condições climatéricas que promovam o degelo, este não deve ser repentino, mas sim lento e de preferência acompanhado de chuva.

Na época da floração a temperatura ambiente deve rondar os 19º C, sendo que para um óptimo cultivo, deve a oliveira receber, antes dos primeiros frios, calor solar. Esta acumulação de calor solar sob a forma atmosférica, que precede a época dos frios, é extremamente importante para que os frutos possam alcançar a correcta maturação.

A oliveira precisa para viver, uma temperatura nunca inferior a 7º C.

Não tolera solos salgados; por isso não consegue sobreviver no litoral marítimo, não tolerando a presença dos ventos marítimos.

Ventos intensos prejudicam a frutificação e quando floresce numa Primavera muito ventosa, a produção de azeitonas fica comprometida, uma vez que a polinização e subsequente fecundação se tornam difíceis.

  1. Latitude

A cultura da oliveira só é possível na Europa, em condições normais, entre as latitudes 18º e 46º Norte. Verifica-se que para 17º de latitude a oliveira apresenta um grande desenvolvimento lenhoso, ficando estéril e para valores de latitude superiores a 46º, a vegetação é impossível.

É precisamente dentro dos limites indicados, que o desenvolvimento da oliveira é capaz de ocorrer, e que se encontra o Norte de África, a zona Asiática da Turquia, a Grécia, praticamente toda a Itália, a França e toda a Península Ibérica.

Portugal fica localizado entre 36º 59’ e 42º 8’ de latitude, tornando-o assim dentro dos limites óptimos para o desenvolvimento da oliveira, proporcionando desta forma excelentes condições para o cultivo da Olea europea Lin.

  1. Altitude

Em Portugal o que se verifica é que o desenvolvimento da oliveira dá-se entre os 250 m e os 800 m. A árvore desenvolve-se desde o Norte ao Sul de Portugal, exceptuando a zona de Montalegre e a Serra da Estrela. Observações feitas ao desenvolvimento da oliveira puderam constatar que a árvore se desenvolve no Norte até um máximo de 800 m de altitude e que no Sul, a oliveira dá-se e produz fruto não indo muito além dos 700 m. À altitude de 250 m, altitude mínima, a oliveira desenvolve-se perfeitamente e dá origem a grande produção de azeitona.

A Ciência do Leitor Luís M. Guapo Murta Gomes.

Luís Miguel Guapo Murta Gomes é genealogista, licenciado pré-Bolonha, em Biologia (Ramo Científico-Tecnológico em Biologia Animal Aplicada) pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e Pós- -Graduado em Ciências da Informação e da Documentação, variante Arquivos, pela Universidade Fernando Pessoa (Porto).

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Sugestão de Leitura #12

Volto às sugestões de leitura…

Teoria de Tudo – Stephen Hawking

Sinopse

Grande divulgador de ciência mas também cientista brilhante, Hawking acredita que os avanços da física teórica devem «poder ser compreendedidos pelo grande público, e não apenas por alguns cientistas». Neste livro, propõe-nos a extraordinária aventura da descoberta do cosmos e do nosso lugar nele. Em sete lições, responde à curiosidade de todos aqueles que já olharam fascinados para o firmamento e se perguntaram o que há lá em cima e como foi lá parar. Hawking começa com a história das teorias do universo, desde Aristóteles, que afirmou que a Terra era redonda, até à descoberta de Hubble, mais de dois mil anos mais tarde, de que o universo se encontra em expansão. Partindo daí, explora os confins da física moderna, incluindo as teorias da origem do universo e a natureza dos buracos negros e do espaço-tempo. Da sua investigação na área dos buracos negros, a que se dedicou durante mais de uma década, afirma: «é um pouco como procurar um gato preto numa carvoaria». Por fim, levanta algumas questões da física moderna que continuam sem resposta, especialmente como combinar todas as teorias parciais numa «teoria da unificação de tudo». «Se descobrirmos a resposta a esta questão», declara, «atingiremos o triunfo máximo da razão humana – porque então conheceremos a mente de Deus.»

Teoria de tudo

Photography #14 – Parasitas em Peixes

Parasitas_em_Peixes

 

 

A Ciência do Leitor Luís M. Guapo Murta Gomes.

Luís Miguel Guapo Murta Gomes é genealogista, licenciado pré-Bolonha, em Biologia (Ramo Científico-Tecnológico em Biologia Animal Aplicada) pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e Pós- -Graduado em Ciências da Informação e da Documentação, variante Arquivos, pela Universidade Fernando Pessoa (Porto).

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– A Empresa de Viação Murta

PARASITAS EM PEIXES V – ACANTHOCEPHALA

Filo: ACANTHOCEPHALA

Classe: PALAEACANTHOCEPHALA Meyer, 1931

Ordem: POLYMORPHIDA Petrochenko, 1956

Família: POLYMORPHIDÆ Meyer, 1931

Género: Bolbosoma Porta, 1908

Espécie: Bolbosoma vasculosum Rudolphi, 1819

 

  • Posição Sistemática [Integrated Taxonomic System, 2007]

Os ACANTHOCEPHALA são animais parasitas que apresentam uma característica morfológica típica e exclusiva deste grupo: o proboscide. O proboscide consiste numa armação muito importante e a sua forma e dimensão são utilizados para a sua identificação.

Fig. 1 – Bolbosoma vasculosum, individualizado.
Fig. 1 – Bolbosoma vasculosum, individualizado.

O número de ganchos cuticulares, a sua disposição, o número de fiadas dos mesmos, bem como a quantidade de ganchos em cada fiada são fundamentais para a nomenclatura destes parasitas. [Saraiva, A., 1994]. O proboscide existe na região anterior do corpo do animal e funciona como um órgão de fixação muito eficaz. Em algumas espécies de ACANTHOCEPHALA, existe um receptáculo no qual o proboscide se pode retrair e que é relevante para a sistemática deste grupo. A forma deste proboscide é muito variável. Estas são características basilares para a exacta identificação destes parasitas, além de outras características distintivas morfológicas e de anatomia interna. [Saraiva, A., 1994].

Os ACANTHOCEPHALA não possuem sistema digestivo, absorvendo directamente pela superfície do corpo as substâncias nutritivas. São animais dióicos, isto é, existem sexos separados sendo normalmente os machos de menor dimensão do que as fêmeas [Eiras, J. C., 1994; Eiras, J. C., et al, 2000; Rhode, K., 2005; Saraiva, A., 1994]. São animais não segmentados, parasitando exclusivamente o intestino de peixes ou de outros vertebrados. O seu corpo divide-se em três zonas:

  • Proboscide, na região anterior;
  • Pescoço, logo a seguir ao proboscide;
  • Tronco, formando o resto do corpo cilíndrico do animal.

Um dos ACANTHOCEPHALA que foi descrito nos peixes marinhos, nomeadamente no peixe-espada preto, pertence à espécie Bolbosoma vasculosum Rudolphi, 1819. [Costa, G., et al, 1996, 2000]. Estes parasitas evidenciam um proboscide cilíndrico e esbranquiçado e um tronco – formando o resto do corpo do animal – alaranjado.

Nos exemplares de B. vasculosum verifica-se que ao nível do proboscide há uma depressão central com 18 fiadas longitudinais, sendo que cada fiada é composta de 8 ganchos cuticulares. Na região anterior do tronco do animal é possível observar-se espinhos dispostos em dois colares. O mais anterior possui aproximadamente 10 anéis de espinhos e aquele situado mais posteriormente é composto por 6 ou 7 colares de espinhos. O segundo colar está localizado numa região ligeiramente dilatada e bolbosa [Costa, G., et al, 2000].

Fig. 2 – Proboscide de B. vasculosum.
Fig. 2 – Proboscide de B. vasculosum.

 

A Ciência do Leitor Luís M. Guapo Murta Gomes.

Luís Miguel Guapo Murta Gomes é genealogista, licenciado pré-Bolonha, em Biologia (Ramo Científico-Tecnológico em Biologia Animal Aplicada) pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e Pós- -Graduado em Ciências da Informação e da Documentação, variante Arquivos, pela Universidade Fernando Pessoa (Porto).

Neste momento é autor de 2 livros:

– Santo Estevam de Fayoens um morgadio flaviense

– A Empresa de Viação Murta

PARASITAS EM PEIXES IV – NEMATODA

PARASITAS EM PEIXES (IV)

NEMATODA

 

Classe: NEMATODA Rudolphi, 1808

Subclasse: SECERNENTEA

Ordem: ASCARIDIDA

Família: ANISAKIDÆ Skryabin e Karolhin, 1945

Género: Anisakis Dujardin, 1845

 

  • Posição Sistemática [Saraiva, A., 1994]

Os NEMATODA constituem um importante grupo de parasitas de peixes e de outros animais. Apresentam o corpo tipicamente alongado, cilíndrico, não segmentado e mais ou menos afilado nas extremidades. Têm o corpo coberto por uma cutícula não celular segregada pelo animal (pela hipoderme) e que é mudada ao longo da vida do animal, oferecendo ao parasita alguma mobilidade e flexibilidade. A cutícula do animal pode ser completamente lisa, ou apresentar espessamentos ou ornamentações de vários tipos [Rhode, K., 2005].

Fig. 1 – Anisakis sp. individualizado.
Fig. 1 – Anisakis sp. individualizado.

O esófago dos NEMATODA é tipicamente dividido num pré-ventrículo muscular e delgado e num ventrículo posterior que pode ser muscular ou glandular [Rhode, K., 2005; Saraiva, A., 1994]. O tubo digestivo é claramente dividido em esófago e intestino [Saraiva, A., 1994].

Os NEMATODA são animais dióicos. Os machos possuem espículas copulatórias (na extremidade posterior) para auxiliarem na reprodução. Os adultos encontram-se penetrando a mucosa do tracto digestivo, ou então livres no lúmen estando também localizados na cavidade abdominal, vísceras e tecido muscular [Rhode, K., 2005].

A boca dos ASCARIDIDA é terminal, localizada na região anterior e é caracterizada pela presença de três lábios proeminentes. São parasitas do tracto gastrointestinal de todas as classes de Vertebrados, incluindo peixes marinhos.

Fig. 2 – Região anterior de um exemplar de Anisakis sp.; nesta imagem observa-se o denticulo perfurador.
Fig. 2 – Região anterior de um exemplar de Anisakis sp.; nesta imagem observa-se o denticulo perfurador.

Os estados larvares denominam-se L1, L2, L3 e L4.

Os mamíferos marinhos são os hospedeiros definitivos do Anisakis sp. e ficam infectados quando ingerem presas que estão parasitadas com as formas L3. O principal local de infecção é o estômago, onde o parasita muda de L3 para L4 e desta para adulto, atingindo novamente a maturação sexual. [Saraiva, A., 1994].

Nemat3
Fig. 3 – Região posterior de um exemplar de Anisakis sp.

A Ciência do Leitor Luís M. Guapo Murta Gomes.

Luís Miguel Guapo Murta Gomes é genealogista, licenciado pré-Bolonha, em Biologia (Ramo Científico-Tecnológico em Biologia Animal Aplicada) pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e Pós- -Graduado em Ciências da Informação e da Documentação, variante Arquivos, pela Universidade Fernando Pessoa (Porto).

Neste momento é autor de 2 livros:

– Santo Estevam de Fayoens um morgadio flaviense

– A Empresa de Viação Murta

Sugestão de Leitura # 9

Acaba de ser lançado o “Jardins de Cristais, Química e Literatura”
capa-livro
Eu ainda não li, mas atendendo à sinopse:
Encontram-se aspectos de química em quase todos os textos literários? Sérgio Rodrigues acredita que sim e, neste livro, mergulha numa multidão de autores, que, como diz João Lobo Antunes no prefácio, «o sábio Mendeleev não conseguiria encaixar em qualquer tabela», e convoca-os para convencer os leitores dessa ideia aparentemente estranha.