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Evolução de espécies

Ao longo de muitos milhões de anos, pequenas diferenças hereditárias entre populações de organismos conduziram ao aparecimento de espécies novas. Cada organismo possui uma pequena diferença e, ocasionalmente, uma delas permite aos organismos que a transportam, produzir mais descendência do que aqueles que a não têm. A diferença torna-se mais difundida na população e pode chegar-se a um ponto em que os organismos com a diferença não podem cruzar-se com os organismos que a não têm. A subida do nível dos mares, o crescimento de uma linha de montanhas, ou qualquer outra barreira física insuperável pode dividir espécies em populações. Nos dois casos, dois grupos são reprodutivamente isolados e tornam-se espécies separadas. Porque estas espécies continuam a evoluir, as diferenças exteriores entre elas podem aumentar, diminuir ou manter-se as mesmas. Se as diferenças entre espécies relacionadas aumentam, e por isso as espécies passam a ser dissemelhantes, as suas evoluções são ditas divergentes. Se são espécies descendentes de um antepassado comum e continuam a parecer-se umas com as outras, são exemplo de evolução paralela.

Pode também suceder que espécies não relacionadas comecem a parecer-se uma com a outra, por vezes tão próximas, que se torna difícil considerá-las separadas. Isso é evolução convergente e ocorre quando há organismos que adoptam comportamentos de vida semelhantes em ambientes semelhantes. Evolução convergente significa que algumas plantas e animais em tipos particulares de ambiente, por exemplo em florestas chuvosas, desertos e regiões polares, se assemelham muito a outros em outras partes do mundo, mesmo quando as espécies não estão estreitamente relacionadas.

Ao conceito de evolução temos de acrescentar o conceito de adaptação. Quando as pessoas emigram para um país estrangeiro podem precisar de adaptar-se a condições novas e por vezes desafiadoras. Podem precisar de aprender uma língua nova, adaptar-se a convenções sociais, comer alimentos não familiares e proceder a muitas outras mudanças significativas para o tipo de vida a que estavam habituados.

evolução das espécies
imagem retirada de Daniel Marin

Adaptação tem também um significado científico semelhante, mas muito mais preciso. Um organismo que possua as características físicas que lhe dão uma vantagem sobre outros membros da sua espécie, no ambiente particular em que habitam, será mais bem-sucedido do que outros. Produzirá melhor descendência, e se os descendentes herdarem essa característica, também eles vão beneficiar das vantagens que ela lhes confere. Estes descendentes estarão mais bem-adaptados ao ambiente do que os indivíduos a quem a característica falta, e a característica fixar-se-á na população. Após algumas gerações os membros dessa população vão possuí-la. Pequenas diferenças que apareçam entre indivíduos resultam de mutações genéticas. A acumulação gradual destas mutações conduz ao aparecimento de novas substâncias.

Contudo, as espécies não duram para sempre. Por exemplo, espécies de mamíferos duraram um milhão de anos e espécies de invertebrados duraram onze milhões de anos. A formação de espécies, ou especiação, e a extinção ocorreram em todos os tempos, mas tem havido episódios em que um acontecimento tem causado o desaparecimento de um número grande de espécies num período curto. Há evidências de várias extinções em massa e muitos cientistas suspeitam de que estamos a entrar numa agora, neste caso resultante principalmente da ação humana. A seguir a uma extinção em massa, ficam disponíveis recursos abundantes para os sobreviventes. Vamos ver para onde nos leva esta extinção…

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O caminho da Ciência

Uma excelente análise sobre o “O estado da arte da Ciência“, no “Delito de Opinião”, feita por João André:

Isto resulta num sistema em que a pressão para os cientistas é a sagrada publicação de artigos como métrica da produção científica. A pressão para publicar é enorme e sobrepõe-se a tudo. Isto cria diversos problemas, começando logo por um ciclo vicioso: é necessário financiamento para fazer ciência e publicar mas é necessário ter publicações para obter financiamento. O resultado são artigos mais pobres, com os resultados espalhados ao longo de vários artigos, para aumentar artificialmente a “produção científica”. Em tempos revi 4 artigos do mesmo grupo de investigação sob o mesmo tópico. Eram todos de qualidade suficiente para publicação mas apenas medianos. Se fossem condensados em dois ou mesmo um único artigo, poderiam ter sido artigos excepcionais, mas a pressão para ter muitos artigos sobrepôs-se a tudo.

 

Fraude e Julgamento

A Ciência é feita por cidadãos que fazem parte da Sociedade. Cidadãos, como qualquer um de nós, que possuem vidas em tudo semelhantes às nossas, com alegrias e tristezas, desilusões e triunfos. Vidas que assentam em valores, ideais, em lutas políticas e sociais. Muitos estiveram do lado correto da barricada, outros, nem por isso… Muitos foram perseguidores, outros perseguidos, mas todos deixaram a sua marca. Deixo dois exemplos que mostram como a dimensão social do indivíduo acompanha a dimensão de cientista.

O Julgamento do macaco.

Em 1925 um professor de uma escola pública foi condenado nos Estados Unidos por ensinar a teoria da evolução de Darwin. Na atualidade são os criacionistas os que lutam por um lugar nos planos de estudo.

Por volta de 1925, havia no estado do Tennessee uma lei que proibia o ensino de teorias que contrariassem o relato bíblico da Criação. No entanto, o professor John Scopes atreveu-se a dar uma aula sobre Darwin num escola de Dayton, Tennessee. Esta ousadia de liberdade académica custou-lhe um julgamento que ainda hoje é recordado e que na altura os norte-americanos seguiram pela rádio em direto.

O que se passou foi que o jovem professor mostrou na aula um livro que incluía as ideias desenvolvidas por Darwin na Origem das Espécies, e alguns alunos denunciaram-no. Um julgamento de apenas dez dias confrontou, pelo lado da defesa, Clarence Darrow, um advogado famoso, com William Jennings Bryan, do lado da acusação. Byran também era um exímio advogado e foi três vezes candidato a presidente pelo Partido Democrata.

Darrow argumentou que a teoria da evolução não contradiz o relato bíblico e provou-o apresentando no julgamento oito especialistas na teoria da evolução.

Para além disso, Darrow acusou o juiz de estar a beneficiar um culto, o que infringia o princípio constitucional de laicismo. Bryan propôs uma interpretação literal da Bíblia e da lei e argumentou que o ensino da teoria da evolução era moralmente prejudicial para os estudantes.

No entanto, a pérola do julgamento foi a intervenção do advogado de defesa Dudley Malone, que declarou que a Bíblia devia cingir-se ao âmbito do que é moral e não invadir o terreno da ciência.

Scopes foi considerado culpado e foi-lhe aplicada uma multa de 100 dólares. Ao conhecer o veredicto, o professor pediu a palavra pela primeira vez durante o julgamento: “Dr. Juiz, sinto que sou culpado por ter violado um estatuto injusto. Continuarei no futuro – como fiz desde sempre- a opor-me a esta lei de todas as formas possíveis. Qualquer outra atitude iria contra o meu ideal de liberdade académica, o de ensinar a verdade tal como está estabelecido na Constituição, com liberdade pessoal e religiosa. Sinto que a sentença é injusta”.

A sentença Scopes, finalmente, ficou sem efeito por um tecnicismo legal. O professor John Scopes continuou a dar aulas de geologia até se reformar.

A lei Butler, que deu origem a todo o conflito e que proibia ignorar a participação de Deus, no ensino da origem da vida, permaneceu vigente até à década de 1970.

A Fraude das rãs.

 Paul Kammerer foi um dos biólogos mais importantes da primeira metade do século XX. Austríaco de nascimento, em setembro de 1926 suicidou-se com um disparo na têmpora. Foi acusado de fraude nas suas experiências científicas. O que terá acontecido?

Paul Kammerer nasceu em Viena em 1880. Fiel defensor da teoria de que as capacidades que os animais adquirem são transmitidas à sua descendência, tentou a todo o custo introduzi-la nas suas experiências.

Tal como no século anterior Lamarck tinha exposto a sua teoria evolutiva com o exemplo dos pescoços compridos das girafas (que tinham esticado por ter de esforçar-se durante gerações para alcançar os ramos e as folhas mais altos das árvores), Krammerer quis demonstrar o mesmo experimentalmente com sapos parteiros. Para isso, treinou os sapos parteiros para que acasalassem na água – como fazem as rãs – e não na terra. No caso das rãs, quando a rã macho tem de montar a fêmea para que ela expulse os ovos que deve fecundar, eriça umas diminutas espinhas nos seus dedos traseiros que lhe permitem agarrar-se melhor ao escorregadio dorso da fêmea. Kammerer demonstrou que os seus sapos parteiros, forçados a procriar na água, também pareciam ter desenvolvido estas mini-espinhas nos dedos. Krammerer apresentou os seus resultados em 1923 na Universidade de Cambridge, e a descoberta causou surpresa entre os cientistas presentes.

Até que, em 1926, Kingsley Noble, um tratador de répteis do Museu Americano de História Natural, visitou Krammerer no seu laboratório e descobriu a verdade da questão: não era que o sapo tivesse de facto as espinhas – os sapos parteiros não têm essas almofaças precisamente porque se reproduzem em terra -, ele é que tinha injetado tinta da china nas patas para destacar o que de outra forma seria invisível. A fraude foi publicada pela revista Nature e destruiu a carreira e a vida de Kammerer, que não resistiu à vergonha. Antes da sua morte, Kammerer admitiu as conclusões de Noble, mas declarou-se inocente, sugerindo que não tinhas sido ele a forjar a experiência, mas que se tratara de uma conspiração.

Efeito de Meissner

Olá a todos os que seguem o Scientificus! É um prazer fazer parte da equipa que leva ciência até vocês.

Pensei em várias formas de começar esta minha participação, até que cheguei à conclusão que deveria trazer-vos aquilo de que mais gosto e que mais me espanta na física – o Efeito de Meissner.

Conheci o Efeito de Meissner numa aula de Física Geral do meu segundo ano da faculdade. Até lá não tinha achado grande piada a tudo o que fazia nas aulas de física e achava tudo demasiado teórico. Contudo, tudo fica bastante mais divertido quando passamos à prática –  o Efeito de Meissner foi das primeiras experiências físicas que eu vi e aquela que ainda hoje não me canso de rever.

Este efeito diz respeito à utilização de materiais supercondutores que quando atingem uma temperatura crítica, revelam duas fantásticas características:

  • Diminuição da resistência eléctrica do material para zero;
  • Torna-se um diamagnético perfeito, ou seja, todo o seu fluxo magnético é exteriorizado.

Estas temperaturas são normalmente bastante baixas. Por exemplo, os primeiros supercondutores atingiam a sua temperatura crítica com hélio líquido, cerca de 5,2 K (-268,95 ºC), contudo, é bastante caro, portanto, hoje em dia recorremos mais ao uso de azoto líquido cuja temperatura é de 77,15 K (-196ºC).

O vídeo a seguir mostra a execução de um Efeito de Meissner com azoto líquido.

Parece que a levitação de objetos tem afinal uma explicação!

Enjoy!

Voltaire e a comunicação de ciência

A velocidade de comunicação de informação tem ganho uma dimensão que poucos poderiam ter imaginado. Assistimos todos os dias a uma catadupa de notícias, opiniões, ideias que muitas vezes se sobrepõem umas às outras, sem qualquer tipo de valor intelectual ou jornalístico. Com o paradigma das redes sociais, assentou-se a democratização do acesso à informação, sem conteúdo tendo-se assistido à democratização da seleção da informação. Infelizmente, a ciência, em especial a comunicação de ciência, não tem sido imune. Davide Marçal, comunicador de ciência, na sua crónica nas Notícias Magazine dá alguns exemplos deste tipo de comunicação, muitas vezes feita sem ter uma base científica sólida, mas apenas à procura de um soundbyte que atraía mais leitores. Ficam aqui dois exemplos selecionados do texto publicado por David Marçal: “Quer viver até aos 150 anos? Então tem de parar de ter sexo. Dormir nu pode reduzir o risco de diabetes e ajuda a queimar calorias.”

Como é óbvio, este tipo de metodologia de comunicação de ciência está longe, quer na forma, quer no conteúdo, da metodologia utilizada nos primórdios da comunicação de ciência, ainda que a publicação de literatura se tenha mantido ao longo dos séculos. Olhemos um exemplo muito interessante da comunicação de ciência sobre o terramoto de Lisboa.

Como é do conhecimento de todos, no dia 1 de novembro de 1755, um terramoto destruiu a cidade de Lisboa. À época, Lisboa era uma das cidades mais prósperas da Europa, pelo que este evento agitou toda a civilização ocidental, que procurou encontrar explicações religiosas, filosóficas e científicas para este fenómeno. O acontecimento foi um marco tão grande que Voltaire, um dos pensadores mais influentes da época, dedicou duas obras fundamentais ao terramoto: O Poema sobre o Desastre de Lisboa e Cândido ou Optimismo. Nestas obras, Voltaire ataca os filósofos otimistas porta-vozes da teoria do tout est bien, que explicavam a catástrofe, que provocou milhares de vítimas humanas e volumosas perdas materiais, como a intervenção de um Deus justo e benevolente. Numa carta dirigida a Jean-Robert Trochin, de 24 de novembro de 1755, aborda pela primeira vez o tema do terramoto. Trata-se de um texto breve que reúne as principais ideias que mais tarde aprofundaria no Poema e, em 1758, em Cândido.

A teoria de que “tudo esta bem” e de que este é o melhor dos mundos possíveis era apoiada por muito filósofos de Inglaterra e Alemanha aos quais Voltaire se opôs, duvidando de que as afirmações, dos otimistas servissem de consolo às infelizes vitimas de terramoto. Opunha-se claramente ao discurso que afirmava que tudo tinha sucedido para o bem da maioria porque as desgraças respondem a um género de “lei geral” benéfica que cumpre um determinado papel no plano supremo de Deus.

No Poema, Voltaire resume três anos de terríveis acontecimentos. À notícia do terramoto de Lisboa, segue-se, em 1756, o início da Guerra dos Sete Anos, assim como o domínio dos jesuítas no Paraguai, os reis destronados e o despotismo turco. Em Cândido ou Optismo, o violento contraste entre ideias e factos fica exemplificado em Pangloss, o precetor de Cândido, que encontra uma explicação para tudo graças ao princípio de que “nada pode ser melhor”, já que, caso contrário, “tudo seria de outro modo”. Foi assim que Voltaire caracterizou o método dedutivo dos otimistas com silogismos grotescos.

O seu objetivo era demonstrar que é absurdo procurar a explicação para o que sucede fora do mundo que nos rodeia e remeter-se a uma ordem superior para justificar as incongruências e desgraças que a humanidade sofre diariamente.

A ciência na última década

 

Quando se aproxima o final do ano vão surgindo nos diferentes orgãos de comunicação social listas com os momentos mais marcantes em diferentes áreas, que vão desde a sociedade,à política, passando pelo desporto, pela cultura e também pela ciência. Estes balanços têm o condão de nos fazer reflectir sobre o que aconteceu no último ano. Este zoom conjuntural de um intervalo de tempo num determinado campo do conhecimento, por vezes, limitam-nos na análise mais profunda, assente numa matriz estrutural, dos avanços que estão decorrer nessa área do conhecimento.

Abdicando de olhar para os acontecimentos científicos de 2015, vou recuar no tempo e enunciar alguns dos momentos mais marcantes da Ciências nos últimos 10 anos. A seleção é pessoal e intransmissível e resultam da sensibilidade científica adquirida ao longo da última década.

Inflamação: importância extrema.

Na última década, surgiram alguns estudos que apontam para o processo inflamatório, essencial na reparação de tecidos, como responsável pelos mecanismos que despoletam doenças como Alzheimer ou Parkinson.

Metamaterais

A produção de materiais com propriedades diferentes das que podemos encontrar na Natureza, ganhou uma nova vida com o aparecimento dos metamateriais. Estes materiais, basicamente,  trabalham direcionando a luz e outras ondas eletromagnéticas, conseguindo efeitos considerados impossíveis de forma natural, como por exemplo, criar a ilusão de invisibilidade de um objeto.

Descoberta de novos planetas.

Observar o céu sempre foi uma das atividades que despertou mais interesse no ser humano, e nem sempre esta dedicação foi bem sucedida. Em 1600, Giordano Bruno foi queimado pela Inquisição ao prever a existência de outros planetas além da Terra. Uma das áreas com mais força dos últimos anos, é a descoberta de exoplanetas, planetas fora do Sistema Solar. Para se perceber o evolução desta área da astronomia deixo uma pequena comparação: Em 2000, número de planetas detetados – 29; em março de 2014 o valor era já de 1779 exoplanetas.

Será a maioria do nosso ADN lixo?

Esta foi a questão que, em março de 2015, o New York Times colocou como título de um texto sobre o ADN. Após a descodificação do genoma humano conclui-se que o  homem possui 21 000 genes que se encontram em apenas 1,5 % da cadeia helicoidal do ADN. Esta informação lançou logo uma nova questão: O restante 98,5% qual é o papel que desempenham? Nos últimos anos tem-se vindo a perceber que o restante ADN está envolvido na regulação do funcionamento de cada um dos 21 mil genes. Paralelamente também se tem vindo a perceber que determinados factores químicos podem influenciar o genoma por gerações, sem necessariamente mudar a sequência do DNA.

Matéria escura

Desde à largos anos que a quantidade de matéria que existe no universo tem intrigado os cientistas. Os dados teóricos não coincidem com os valores medidos experimentalmente, o que conduziu ao desenvolvimento de várias experiências que permitem avançar com possíveis explicações para esta discrepância. Dos resultados obtidos, na última década, ganhou força a teoria de que o universo é formado por três componentes: 4,56% são matéria, como a que constitui estrelas e planetas; 22,7% de matéria “negra”, cuja gravidade mantém a ligação entre as galáxias, e 72,8% de energia “negra”, que alonga o espaço e acelera a expansão do universo. Além disso, algumas técnicas permitiram chegar a resultados surpreendentes, como a constatação de que o Universo é plano.

Máquina do tempo

Conhecer o mundo dos nossos antepassados é uma tarefa bastante complicada uma vez que os materiais que chegam (quando chegam) sofrem da passagem dos anos, chegando até nós bastante contaminados. Acontece que foi descoberto que moléculas como o ADN e o colágeno podem resistir por milhares de anos. A descoberta permitiu isolar o colágeno de um tiranossauro de 68 milhões de anos. Em 2011, cientistas publicaram o genoma de um Neandertal com muito mais ADN do que havia sido possível sequenciar em 1997, mostrando que este tinha pele clara e cabelo ruivo. Já em 2005, duas equipas sequenciaram 27 mil bases do ADN de um urso antigo das cavernas.

Reprogramação celular

Os dogmas da biologia clássica foram abalados quando se obtiveram células-tronco pluripotentes a partir da reprogramação dos genes de uma célula adulta do sangue ou da pele, por exemplo. Esta ideia veio contrariar a ideia anterior na qual as células-tronco embrionárias têm a capacidade de se diferenciar em qualquer outra, mas as que já se diferenciaram, perdem esta capacidade.

Estas células reprogramadas têm sido testadas em portadores de doenças como Parkinson, esclerose lateral amiotrófica e até no autismo. No entanto, o objetivo principal é conseguir criar células, tecidos e órgãos para transplantes.

Ficou aqui evidente que, na última década, a Ciência tem conseguido trilhar um caminho que no início do século XXI parecia ainda muito distante.

Sugestões de presentes para o Natal de 2015 com a ajuda do STOL e de Leigos e Ciência

O ano passado fiz uma lista com 7 Sugestões de presentes de Natal.

Este ano, a Alexandra Nobre do STOL – Science Through Our Lives e a Paula Nogueira do Leigos e Ciência desafiaram-me a atualizar a lista.

Por isso aqui estão as minhas 3 sugestões:

  1. Molecular – O jogo de tabuleiro, de estratégia que se baseia na Química.

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2. Faca e tabuleiro com a tabela periódica.

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3. Por fim, gostaria de me vestir de maneira apropriada para a época Natalícia:

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Podem comprar aqui.
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Podem comprar aqui.

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O STOL dá três sugestões na área da Biologia. Esperamos que agradem :
1 – Um tapete – saída de banho macio, feito de  musgo vivo que absorve a água dos pés (http://www.casafa.net/2015/05/um-tapete-de-musgo-vivo/)

musgo

2 – Uns ténis com padrão inspirado no mundo microscópico da microbiologia
http://jeffquinn.deviantart.com/art/MICROBIOLOGY-46669823?q=sort:time+favby:ToTheMoonAndBack&qo=114

sapatilha joias

3 –  Jóias peça-única construídas por insectos.  Incrível!

http://diariodebiologia.com/2014/05/lindas-joias-preciosas-construidas-por-um-inseto-video/

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No Leigos & Ciência optamos por livros, com temas que gravitam em torno de questões científicas, ética,história e actualidade. Para acompanhar com bolo-rei, rabanadas e um cálice de vinho do Porto!

1- Cartas a um Jovem Cientista, Edward O. Wilson –  Segredos, conselhos e dicas para quem pretende seguir a carreira académica, escolher uma área de estudo, um orientador ou simplesmente atirar-se de cabeça no mundo científico.

livro

http://www.almedina.net/catalog/product_info.php?cPath=220_26&products_id=25127

2 – A Era do Deslumbramento, Richard Holmes

Não é por acaso que é o livro do ano. História da História da Ciência que nos serve, através de uma escrita absolutamente cativante, personagens e acontecimentos reais que produziram uma revolução científica e, com ela, uma nova forma de olhar o mundo, a ciência e os cientistas. Tudo começa na expedição de circum‑navegação do capitão James Cook a bordo do Endeavour (1768), e termina com a viagem de Charles Darwin às ilhas Galápagos, a bordo do Beagle (1831)

livro3

https://www.gradiva.pt/?q=C/BOOKSSHOW/8029

3 – QED – A estranha teoria da luz e da matéria – Richard P. Feynman

Este livro recupera para a actualidade o legado de um dos maiores físicos de todos os tempos e Prémio Nobel. Em QED apresenta-se a teoria da electrodinâmica quântica em linguagem acessível e ilustrada com exemplos que podemos verificar no nosso dia a dia.

livro2

http://www.bertrand.pt/ficha/qed?id=16807003

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E vocês tem mais alguma sugestão?

(atualizado com as sugestões de Paula Nogueira do Leigos e Ciência.)

O que esperar de um Concurso Nacional de Ciência

Estavam as aulas a começar, e paralelamente aos e-mails burocráticos e habituais do início do ano letivo associaram-se e-mails que apelavam à participação num concurso. Tratava-se da promissora estreia do Concurso Nacional de Ciência – O Eureka. Este tinha como grande mote a demonstração de conhecimentos científicos de uma forma dinâmica, criativa e inovadora.

Apesar de serem só vantagens a decisão de participar levou algum tempo. Fiquei na dúvida e pensei que talvez fosse melhor concorrer numa próxima edição, mas a ideia de adiar perdeu valor e decidi tomar a iniciativa. Li o regulamento e tratei de avançar com a minha participação. O concurso era a nível nacional, para todos os estudantes das diferentes universidades. Pretendia-se incentivar a abordagem do mundo da Ciência de uma maneira diferente, e levar-nos a descobrir este grande tema nas suas mais variadas formas e vertentes, instigando a nossa criatividade.

Para isso foram feitas duas fases, e os temas que à partida pareciam simples e de respostas imediatas demonstraram-se complexos e intrigantes, pois é irrefutável que existe a dificuldade em relacionar expressões culturais e sociais com um tema tão exato e rigoroso.

O desafio da primeira eliminatória incidia sobre a realização de um vídeo onde fosse explorada a transmissão da ciência ao longo de gerações, fazendo assim uma reflexão sobre a ciência do dia-a-dia e da sua importância.
Deste modo, convido-vos a visionarem o vídeo abaixo, onde abordo temas com uma forte base científica ainda que utilizando conteúdos simples e adequados ao senso comum.
Este vídeo foi publicado, e foi sujeito a uma avaliação por diversos júris instituídos no assunto. Estes centraram a sua avaliação em quatro parâmetros:  rigor científico, originalidade e criatividade, expressividade e cumprimento do tempo.

Após algumas semanas recebi a tão esperada resposta. Tinha sido selecionada para passar à próxima fase, e como a organização optou por não fazer uma segunda eliminatória, passei automaticamente para a final.
Nesse momento confesso que comecei a sentir a verdadeira pressão. A final consistiria numa apresentação, diante de todos os concorrentes e júris de excelência, na Universidade da Beira Interior, na Covilhã.

O tema a abordar seria Verdades e Mitos, e foi-me proposto que, em apenas cinco minutos desmistificasse  ideias equívocas que prevalecem na sociedade atual.
Após dias dedicados a pensar no que poderia estimular a curiosidade e cativar a audiência, foi durante uma aula de Patologia Forense que surgiu a ideia de falar sobre a  morte. Este seria um tema ousado, então, porque não?

O meu intuito foi contrariar a ideia de que a morte é uma simples paragem cardíaca, um evento fulminante, e deste modo procurei abordar a morte como um longo processo a decorrer, e que esta envolve mais fenómenos que aqueles que o senso comum pensava.

No dia da final, aquando da chegada ao auditório era inevitável o receio, o ambiente era diferente e estava rodeada de pessoas que iriam dentro de momentos estar no mesmo palco que eu a lutar pelo mesmo objetivo. Contudo, concentrei-me no que era realmente importante: a minha apresentação.

Todas as apresentações foram excepcionais, acrescentando todas algo de novo. Foram falados mitos que envolviam conhecimentos sobre as mais variadas áreas, desde a astronomia, à física, biologia e química. Sentia-se o conhecimento em todo aquele espaço, e foi incrível e bastante perceptível que a união daquele auditório se devia a uma paixão comum: a Ciência.
Assim, embora não tenha recebido nenhum dos prémios, acredito que as diferentes visões sobre os mais variados temas, as pessoas que conheci, e as impressões que troquei não foram em vão. Foram sim, uma mais valia para o meu crescimento pessoal e estimularam ainda mais o meu interesse pela Ciência. Para o ano, é com grande certeza que participarei novamente.

 

Leituras complementares

Depois do vórtice de notícias em torno da atribuição dos Prémio Nobel, deixo aqui três sugestões que podem ser um bom complemento para compreender melhor o trabalho desenvolvido pelos investigadores nas áreas de física e de química.

A Partícula no Fim do Universo
Como a caça ao bosão de Higgs nos levou ao limiar de um mundo novo 
Autor: Sean Carroll
Colecção: Ciência Aberta
Ano de edição2014
ISBN: 978-989-616-586-4
Bosão de Higgs
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Titulo: Genoma – Autobiografia de Uma Espécie em 23 Capítulos

Autor: Matt Ridley

Coleção: Ciência Aberta

Ano de edição: 2001

ISBN: 978-972-662-772-2

O genoma

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Titulo: O Gene Egoista

Autor: Richard Dawkins

Coleção: Ciência Aberta

Ano de edição: 1999

ISBN: 978-972-662-772-2

O gene egoista