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As condições atmosféricas e os seres vivos

Na semana em que a meteorologia voltou a entrar em nossas casas através da televisões portuguesas, não deixa de ser interessante tentar compreender a relação entre os seres humanos e as condições atmosféricas.

Os seres humanos são animais de sangue quente, pelo que precisam manter o interior do corpo à temperatura constante de cerca de 37ºC. As variações muito acima desta temperatura podem conduzir à desidratação e a uma condição potencialmente fatal, a hipertermia; as variações muito abaixo disto podem causar ulceração pelo frio e hipotermia, uma deterioração física e mental progressiva. Num ambiente quente, o corpo humano dissipa o calor aumentando o fluxo sanguíneo para as extremidades. As condições atmosféricas especialmente quentes, ou a atividade física, vão desencadear a transpiração, em que a pele é arrefecida quando a transpiração evapora. Demora mais ou menos uma semana para que as pessoas se aclimatizem ao calor moderado, porque os seis mecanismos de transpiração e de circulação se tornam mais eficientes. Num ambiente frio, o corpo humano começa, no início, por conservar o calor contraindo os vasos sanguíneos que se encontram sob a pele. Muitas vezes este processo é acompanhado por arrepios. o que gera calor adicional aumentando o ritmo metabólico do corpo. No entanto, os seres humanos têm uma tolerância ao frio fraca e em geral são incapazes de se aclimatarem. Logo, dependem da roupa e do aquecimento artificial. Ao longo da história humana, o objetivo de grande parte das diligências científicas tem sido procurar meios que permitam aos seres vivos viverem com maior conforto no seu meio ambiente.

agitação-maritima

agitação marítima – imagem retirada de postal.pt

Esta relação Homem – Condições meteorológicas não se ficam apenas pela dimensão física, sendo, também, marcante para o progresso das civilizações. As condições climáticas favoráveis foram, geralmente, períodos em que a precipitação era abundante e fiável e as temperaturas amenas ou relativamente altas. Estas condições são ideias para o crescimento das culturas e criação de animais domésticos. Os alimentos excedentes podiam ser armazenados e grupos de pessoas começaram por reunir-se em aldeias que mais tarde se expandiram transformando-se em grandes cidades. Mas quando as condições climáticas menos favoráveis regressavam, muitas civilizações ruíam e muitas vezes abandonavam os seus territórios recém-conquistados.

O agravamento das condições climáticas numa parte do mundo muitas vezes coincidiu com a melhoria das condições numa outra região, pelo que há uma ligação significativa entre o clima e a migração humana.

Atualmente, o impacto do ser humano no clima é cada vez mais evidente pelo que iremos assistir, nos próximos anos, a alterações do clima local/regional significativas

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Três apontamentos sobre o clima

1_ A imagem Global

A Terra formou-se há cerca de 4600 milhões de anos, mas existem poucos indícios de mudanças em quase 90% do tempo de vida do nosso planeta. Durante o longo período sem vida antes do aparecimento das algas – as primeiras formas primitivas de vida – há cerca de 3500 milhões de anos, os gases produzidos pelas erupções vulcânicas provavelmente acumularam-se para formar a atmosfera e os oceanos que permitem a existência de vida na Terra. Enormes quantidades de poeira vulcânica foram lançadas para o ar e refletiram a energia do Sol, permitindo assim que o planeta arrefecesse: outra contribuição para um ambiente propício à vida na Terra. Algures no tempo, entre 2700 e 1800 milhões de anos, os glaciares e os campos de gelo foram muito espelhados. Desde então, o clima da Terra tem aquecido e arrefecido por longos períodos.

 

2_ Mudança a longo prazo

Muito antes de as pessoas se mostrarem preocupadas com o efeito de estufa acentuado sobre o clima atual em mudança, os cientistas já tinham a percepção de que houvera uma série de mudanças climáticas nos 4600 milhões de anos da história da Terra. Estas mudanças a longo prazo foram causadas por uma teia complexa de forças, incluindo as circulações de ar, água, massas terrestres e a própria Terra. O Sol fornece a energia que impulsiona os nossos sistemas atmosféricos, por isso as modificações de energia solar recebida têm causado efeitos assinaláveis no clima da Terra. Há inúmeras razões para justificar o porquê de a energia solar recebida à superfície da Terra poder mudar. Uma colisão de meteoritos, grande, seria capaz de produzir uma nuvem gigantesca de poeira que poderia circundar a Terra, bloquear o Sol e dar origem a um período extenso de arrefecimento. A colisão com um cometa, ou até mesmo um encontro próximo, poderia produzir uma diferença assinalável na quantidade de energia solar que chega à atmosfera terrestre. Evidências geológicas indicam que houve cinco extinções maciças da fauna e da flora, que podem ter ocorrido devido a mudança climáticas acentuadas.

 

3_ As forças globais em ação

De todas as forças que afetam a mudança climática a longo prazo, as mais influentes são o Sol e os oceanos. Na década de 1930, um geólogo jugoslavo Milutin Milankovitch, descobriu que as variações periódicas na maneira como a Terra orbita em torno do Sol alteram a exposição à radiação solar. A análise dos sedimentos dos fundos oceânicos têm revelado indícios de que esses ciclos se repetem em períodos de 19 000, 23 000, 100 000 e 433 000 anos. As mudanças nos padrões de circulação dos oceanos podem ter contribuído para as idades do gelo. Até o processo inexorável da deriva continental, com as suas massas terrestres em movimento, alterou o clima da Terra.

A Teoria de Milankovitch associa as flutuações das idades do gelo a três variações na posição da Terra em relação ao Sol. Estas três alterações periódicas na trajetória da Terra em torno do Sol resultam da variação, entre 22º e 24,5º, na inclinação do eixo da Terra a cada 41 000 anos, e da oscilação, como um giroscópio, do eixo da Terra. Estas variações provocam mudanças de radiação até um máximo de 15% nas latitudes elevadas, alterações que influenciam a expansão e a fusão das camadas de gelo polar. Embora esta hipótese tenha sido recebida com ceticismo, atualmente é suportada por uma quantidade cada vez maior de evidências científicas.

 

Em jeito de conclusão, podemos concluir que o clima da Terra tem vindo a mudar ao longo da história do nosso planeta. Muitas dessas flutuações são padrões passageiros, mas os movimentos do ar, água e massas continentais contribuem para a mudança a prazo alongado. O impacte humano também é significativo: sempre que alteramos o ecossistema da Terra, os efeitos podem ser dramáticos.