Gases raros da Lua

O único astro que um ser humano pisou é, ainda para os cientistas, um corpo celeste que guarda muito segredos e muitas riquezas. Uma das principais riquezas que podemos encontrar na Lua é o hélio – 3. Trata-se de um átomo do elemento químico hélio, um gás raríssimo no planeta Terra e que a cada dia que passa vai ganhando mais importância. O hélio-3 é tão raro na Terra que o seu preço atingiu já os 16 milhoes de dólares o quilo.

Mas qual o motivo para este facto?

O cerne da questão prende-se com o potencial valor da sua utilização nas centrais eléctricas nucleares do futuro, que se baseiam na energia de fusão nuclear. A fusão nuclear tem como princípio a fusão de dois átomos de hidrogénio permitindo a obtenção de energia inesgotável, barata e limpa, na medida em que não produz resíduos tóxicos, o que, deste modo, lhe permite ter o rótulo de energia do futuro.

Esta partícula corpuscular encontra-se incrustada na superfície lunar como resultado do bombardeamento, ao longo de milhões de anos de partículas de alta energia. Se a Lua foi alvo deste bombardeamento a Terra também terá sido, contudo no nosso planeta a quantidade desse gás é residual. Este facto fica a dever-se à ausência de atmosfera na Lua e à presença da mesma na Terra, que funciona como um escudo protector evitando, assim, a penetração destas partículas de alta energia.

Olhando um pouco mais em pormenor para o hélio-3 pode referir-se que este corpúsculo atómico é genericamente conhecido por isótopo. O isótopos de um elemento têm propriedades químicas idênticas, pois possuem a mesma carga nuclear e o mesmo número de electrões. O hélio apresenta seis isótopos, sendo os mais estáveis o hélio-4 e o hélio-3, os restantes quatro são radioactivos, deteriorando-se rapidamente noutras substâncias. A diferença para o hélio-4 situa-se ao nível das partículas subatómicos – neutrões – que variam de isótopos para isótopos, tendo o hélio-4, dois neutrões, e o hélio-3, apenas um.

Voltando à Lua, duas questões surgem imediatamente associadas a esta ideia de produção de energia a partir do hélio-3 existente na superfície: Será rentável a reacção de fusão utilizando hélio-3? Qual o preço do transporte do hélio-3 para o planeta Terra?

Até agora, os cientistas só conseguiram manter uma reacção de fusão por alguns segundos, o que está muito longe da dimensão ou do rendimento energético necessários a qualquer aplicação para fins comerciais. Apesar dos elevados custos de extração do hélio-3 do solo lunar existe já uma empresa que tem prevista uma futura operação de exploração mineira na Lua, estando dependente do financiamento do sector privado. Esta previsível exploração não é vista com bons olhos para alguns países, em especial a China, que também pretende obter algum benefício desta exploração, não reconhecendo aos Estados Unidos o direito de exploração dos recursos no espaço. A história é muito simples de contar. O Tratado sobre o Espaço Exterior (1967), das Nações Unidas, não proíbe a exploração dos recursos no espaço, desde que as estações não constituam uma “ocupação” de facto de uma parte do espaço exterior. No entanto, o Tratado não especifica a quem pertencerão os recursos explorados.

O acordo da ONU que rege as actividades dos Estados na Lua e noutros corpos celestes, e que entrou em vigor em Julho de 1984, deveria clarificar os direitos de exploração mineira no espaço. Estipula que a “Lua e os seus recursos naturais são património comum da Humanidade”. Mas não foi ractificado: é o único tratado sobre o espaço exterior que não foi aprovado, porque os Estados Unidos e a Rússia, votaram contra. Por conseguinte, a cláusula do Tratado das Nações Unidas sobre o Espaço Exterior referente à exploração de recursos nunca foi clarificada.

Até ao momento, apenas parece existir um braço de ferro entre os EUA e a China, mais tarde, outros países, em especial a Russía, começarão a reivindicar pedaços da Lua com extensões do seu território, o que poderá degenerar em crises diplomáticos com alguma dimensão.

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